terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Série sobre o Pai Nosso - 9º Sermão - Doxologia - Esposição do Breve Catecismo - Pergunta 107 - Conclusão.

Pregado em 01 de Julho de 2018 na  - Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre



PERGUNTA 107. Que nos ensina a conclusão da Oração Dominical?
R. A conclusão da Oração Dominical, que é: "Porque Teu é o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém", ensina-nos que na Oração devemos confiar somente em Deus, e louvá-lO em nossas orações, atribuindo-Lhe reino, poder e glória. E em testemunho do nosso desejo e certeza de sermos ouvidos, dizemos: Amém.

                GLORIFICAR A DEUS É PRAXE E PRÁTICA NORMAL 
                              DA DEVOÇÃO DO CRISTÃO. 

A verdadeira oração é o uso da Palavra de Deus para falarmos com ele. Ele nos ensina a orar por meio de sua Palavra.

Nesta oração do Senhor, que é para nós a oração modelo e o modelo de oração, temos apresentados de forma concreta, os ensinamentos da Bíblia acerca da oração. É uma oração que incorpora aquilo que a Bíblia ensina sobre a oração.
Podemos e devemos repetir sempre a oração que o Senhor nos ensinou, mas não é a única oração que podemos fazer. Ela é um modelo para moldar nossa oração.
A oração do Pai Nosso é a expressão da misericórdia divina em prover-nos uma forma modelar de oração (Calvino).
Mais uma vez afirmo que podemos e devemos orar o Pai nosso todos os dias, isso não é errado, pelo contrário, é verdadeira oração e oração verdadeira. Mas ela deve ir além, ela deve nos conduzir nas palavras de nossa oração. Temos muitas outras orações no Novo Testamento. Temos mais orações do próprio Senhor, temos orações de Pedro e de Paulo em Atos. Temos orações de Paulo nas Cartas. Temos orações em Apocalipse.
O que Jesus quer nos ensinar além da própria oração que ele fez é a linguagem da nossa oração e conteúdo da nossa oração.
Jesus ensinou aos seus discípulos não somente como orar, mas também o que orar (Bonhoeffer).
O Pai Nosso não é um exemplo de oração para os discípulos. Jesus quer que orem como ele ensinou. O Pai Nosso é a oração. Os limites da oração estão na oração do Pai nosso. Ela é a oração, porque não há mais nada que podemos ou precisamos orar além do que está prescrito na oração do Senhor.
“Por mais miseráveis que sejamos, por mais que de todos fossemos os mais indignos, embora vazios de toda a honra, entretanto nunca nos faltará causa de orar, nunca cessará a confiança, quando não se pode subtrair de nosso Pai quer seu reino, seu poder ou sua glória. Calvino
A oração só tem sentido se lembrarmos dos méritos do Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo nos ensinou a orar e nele a oração se tem sentido. Ele nos ensinou a orar, orando.
“Diariamente os discípulos recebem renovada a certeza na comunhão de Jesus Cristo, no qual reside o cumprimento de todas as orações." Bonhoeffer
Nele o nome de Deus é santificado, nele vem o seu reino, nele é feita a vontade de Deus.  Por amor a ele é conservada a vida dos discípulos, por amor a ele recebem perdão, em, seu poder são preservados na tentação, no seu poder são salvos para a vida eterna. Seu é o reino, e o poder, e a glória na eternidade na comunhão do Pai.
A oração baseia-se, não em nossas necessidades, mas em Deus mesmo e seus atributos.
Daniel 9.18-19 - Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve; abre os olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias. 19 Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome.
Na oração os santos não só exprimem o propósito de suas suplicas, mas também confessam ser indignos de alcança-las, a não ser que Deus busque a causa em si mesmo, e unicamente na natureza de Deus lhes prometa a confiança de obter o que pedem.
Somos pecadores e a oração, portanto, não é respondida por nossos méritos, mas pelos méritos do Filho de Deus. Por aquilo que ele alcançou na Cruz.

A oração do Pai Nosso pode ser dividida em três partes:

 A PRIMEIRA PARTE É SOBRE DEUS - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;  venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;  
1 – Reconhecimento de quem é nosso Deus – Pai nosso.
2 -  A glória de Deus – que estás nos céus.
3 – A sublimidade de Deus - Santificado seja o teu nome
4 – O desejo pelo Reino de Deus – Venha o teu reino.
5 – O desejo pela vontade de Deus – seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.

A SEGUNDA PARTE É SOBRE NOSSA CONDIÇÃO E NECESSIDADES - o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.
 1- Necessidades presentes a ordinárias – O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje.
2 – O perdão de nossas dívidas com Deus – Perdoa-nos as nossas dívidas.
3 – A declaração de um dever de imitar a Deus – assim como temos perdoados aos nossos devedores.
4 – O pedido de vitória contra o pecado – não nos deixes cair em tentação.
5 – O pedido de vitória contra o mal e o maligno – mas livra-nos do mal.

A TERCEIRA PARTE É DOXOLOGIA – PALAVRAS LITURGICAS OU PALAVRAS DE CULTO - Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém
1 – A soberania de Deus – Teu é o Reino.
2 – A grandeza de Deus – Teu é o poder
3 – A sublimidade de Deus – Tua é a glória.
4 – A eternidade de Deus – Para sempre.
5 – A certeza de tudo o que foi dito – Amém.
Esta doxologia – glorificação – resume quem é Deus por meio de suas gloriosas perfeições. Um cristão não pode viver a vida cristã, se relacionar com Deus sem expressar diariamente quem é seu Deus.  A fé cristã é a fé num Deus vivo. Glorificar a Deus é orar e orar é glorificar a Deus.
A temperatura de nossa espiritualidade é medida pelos nossos louvores e palas ações de graças que fazem parte de nossas orações. Martyn Lloyd Jones
O termo “amém”, exprime o desejo de obter as coisas pedidas a Deus, e a afirmação da esperança de que todas as coisas dessa natureza já foram alcançadas, e com certeza haverão de nos ser concedidas, uma vez que foram prometidas por Deus que não pode enganar e a ele pedidas.” - Calvino
Quando oramos declarando – Teu é o Reino, estamos dizendo que do Senhor é o direito sobre tudo e sobre todas as coisas.
Quando oramos declarando – Teu é o poder – estamos dizendo que o Senhor pode todas as coisas, inclusive nos ouvir e atender.
Quando oramos declarando – Tua é a glória – estamos dizendo que nada é maior do que o próprio ser de Deus.
Quando oramos declarando – para sempre – estamos dizendo afirmando que cremos em Deus, e que cremos que ele é Deus eterno.
Quando oramos declarando – Amém – estamos afirmando que cremos no que estamos orando.
Amém é a certeza da fé. Amém é uma declaração. Uma afirmação de fé.
Lutero - Amém. Que significa isso? Resposta: Que devo estar certo de que estas petições são agradáveis ao Pai celeste e ouvidas por ele; pois ele mesmo ordenou orar desta maneira e prometeu atender-nos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Se o Senhor é soberano, e dele é o Reino – Viva como se estivesse no Reino de Deus, por está.
Se o Senhor é poderoso, e ele pode todas as coisas – creia que é possível ele ouvir e atender tuas orações.
Se o Senhor é o Deus da glória – glorifique  a ele com ações de graças, com palavras de honra e que honre a ele diariamente. Não se permita um vocabulário pessimista quanto à vida presente e futura.
Se o Senhor é eterno – não se permita não ter esperança quanto à sua vida presente e futura.
Faça da palavra amém, não apenas o final de suas orações, mas o começo, o meio e o fim de teu cristianismo.
Que tipo de cristão é aquele que não ora? Que tipo de cristão é aquele que crê que Deus não age em sua vida? Que tipo de cristão é aquele que não crê que Deus ouve nossas orações.
Do Senhor é o Reino, o Poder e a Glória para Sempre, amém. 
A finalidade de nossa vida é o fim desta oração.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Série sobre o Pai Nosso - 8º Sermão - Livra-nos do mal - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 106

Pregado em 24 de Junho de 2018 - na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre.




PERGUNTA 106. Pelo que oramos na sexta petição?
R. Na sexta petição, que é: "E não nos deixes cair em tentação", pedimos que Deus nos guarde de sermos tentados a pecar, ou nos preserve e livre, quando formos tentados.
Mt 26.41; Sl 19.13;  Jo 17.15; 1Co 10.13. 


                                A TENTAÇÃO E O MAL

Mateus 6.9-13 - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória para Sempre, amém."

Pedir a Deus para vencermos a tentação e o mal é sinal de que desejamos manter nossa fidelidade aos seus propósitos e à sua Lei.

Esta petição significa - não deixe passar por uma provação tão difícil que nos leve a falhar diante de Deus. O termo é Peirasmos – e significa tentação, prova ou teste. Deus “provou a Abraão”. Gn 22.1
Tiago nos diz que Deus a ninguém “tenta” – cada um é tentado por sua própria cobiça –Tg 1.14
Não podemos confundir tentação com provação ou tribulação.
Tentação é um teste quanto ao pecado. 
Provação é um teste quanto a fé em Deus. 
Tribulação é uma circunstância de aperto ou dificuldade.
A tentação vem do mal. Este mal pode ser o pecado ou o diabo.
A provação vem de Deus ou das circunstâncias. Na provação podemos ser tentados a pecar, por isso, a petição – Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
“Numerosas são as tentações a que estão expostos os seguidores de Jesus. Satanás os ataca de todos os lados tentando levá-los à queda. Segurança hipócrita e dúvida descrente os assedia arduamente.” Bonhoeffer
Os discípulos, cientes de suas fraquezas, não provocam as tentações – mas rogam a Deus a não por à prova sua fraca fé; rogam para que os proteja na hora da tentação. Bonhoeffer
“Deus, em verdade, não tenta ninguém; mas suplicamos nesta petição que nos guarde e preserve, para que o diabo, o mundo e nossa carne não nos enganem, nem nos seduzam a crenças falsas, desespero e outras grandes infâmias e vícios; e ainda que tentados, vençamos afinal e retenhamos a vitória. Martinho Lutero.
1 Corintios 10.12 Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.13 Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.
Este texto nos dá a entender que devemos pedir não que não sejamos tentados, senão que não caiamos em tentação.

1 - NÃO NOS DEIXE CAIR EM TENTAÇÃO.
Não nos deixe cair em tentação é traduzido também por “não nos induzas à tentação”. Deus não tenta ninguém, pois na Bíblia toda, o diabo é o tentador.
Davies, no comentário a Mateus, traduz como: não nos deixe sermos vitimas da tentação.
A tentação é resultado do pecado que habita em nós.
A tentação é própria da condição do pecador. Por causa de nossa condição, não obedecemos a Deus sem contínua luta, duros e árduos embates. (Calvino).
Nesta sexta petição, pedimos eu Deus não permita que cedamos a duas espécies de tentação que são acesas em nós mediante nossa própria concupiscência, ou a nós propostas por Satanás. Calvino
O fato de pedir para Deus não deixar cair em tentação – mostra também a incapacidade do livre-arbítrio. Não possuímos o livre-arbítrio como alguns pensam – caso contrário, não necessitaríamos pedir a Deus esta petição.
Portanto, jamais podemos pensar que é Deus que tenta a pessoa a pecar, mas mesmo a tentação vista deste modo, não acontece fora do controle preordenador de Deus. A tentação também está dentro da providência de Deus.
Não é Deus que está me tentando, mas Satanás, minha concupiscência ou ambos. Ainda assim, dentro da Doutrina da Providência, a tentação foi preordenada por Deus como parte de seu plano, e é Ele quem, segundo os seus propósitos sábios e soberanos, permite que ela aconteça.
"Tenta Satanás os homens não por seu próprio poder, mas com permissão de Deus, permissão que dá para que os homens sejam punidos por seus próprios pecados, quer para que sejam provados e experimentados de acordo com a misericórdia do Senhor." Agostinho

Sabendo disso, o filho de Deus, volta-se para o Pai, pedindo que ele poupe seu filho do poder aliciador de todas essas tentações. Em virtude de sua fidelidade, soberania e santidade, Deus faz com que a tentação não leve à queda, mas possa ser vencida.

2 – LIVRA-NOS DO MAL.
Livra-nos do mal. O mal é um poder atrás do qual está o maligno, por isso, há quem pense que a petição é com relação ao livramento do maligno. O termo grego – poneros – pode ser tanto o mal, como o maligno.
Vários estudiosos e tradutores afirmam que é – livra-nos do maligno.
Há quem defenda que o mal é o maligno, Satanás. Mas o mal vai além do maligno. O maligno está incluído na palavra “mal”, porquanto precisamos ser defendidos dele e de suas artimanhas. Entretanto, em nossos próprios corações também se oculta a maldade. Martyn Lloyd Jones
No mundo existe a maldade. Existe a maldade das pessoas. Existe o mal feito, o mal provocado. Existe o mal aleatório, humanamente falando.
Existe muitos males. Existe o mal no mundo. Existe o mal da maldade. Existe o mal que são os perigos que sabemos que as pessoas más fazem. Existe o mal provocado pelo estado pecaminoso do mundo. Morte, guerras, violências, etc.
Existem os males do dia. Existe o mau dia. Existe o dia mau. 
Os males do dia - são os males do cotidiano. São as contingências a que estamos sujeitos. Os males das más escolhas, dos acontecimentos que julgamos não dar certos, aquilo que não nos faz bem. Como Jesus disse "basta a cada dia o seu próprio mal".
O mau dia - É aquele que afeta nosso humor. É aquele dia que não estamos bem. Que nos desorientamos, que nos perdemos.
O dia mau - Este é o pior de todos. É o dia profético, aquele que está na Bíblia. É o dia de Efésios 6.13 - que vencemos com a "armadura de Deus."

Precisamos ser livres de todos esses aspectos do mal. Trata-se pois, de um grande pedido, de uma petição muito abrangente.
Precisamos ser livres de todos esses aspectos do mal. Trata-se pois, de um grande pedido, de uma petição muito abrangente.
Livra-nos mal – do poder da influência do mal em nós. Do poder do mal para nos torna malignos e do poder do mal para nos destruir.
Quando oramos livra-nos do mal é em todos estes sentidos. Que o Senhor nos livre do mal que o mal que está em nós poder fazer.
Que o Senhor nos livre do mal que o maligno pode nos trazer.
Que o Senhor nos livre do maligno e do mal que ele pode nos fazer.
Que o Senhor nos livre do mal que há no mundo e dos perigos que estamos expostos.
Que o Senhor nos livre do mal e da maldade que pode ser feita.
A cruz é a resposta de Deus ao mal. Na morte de Cristo na cruz, o mal e mau são vencidos. O mal foi feito a Jesus, por homens maus. O mal e o maligno são vencidos na cruz.
Não que a morte de Jesus tenha extinguido o mal, o maligno e a maldade, mas potencialmente os expôs e colocou um prazo de validade quanto às suas ações no mundo.
APLICAÇÕES
1 – Precisamos fazer esta petição todos os dias, pois o mal, a maldade e o maligno são realidades a que estamos expostos.
2 – Eu e você precisamos fazer esta petição todos os dias, pois existe um mal em nosso ser, que é nossa própria concupiscência e este é o maior mal que precisamos ser livres.
3 – Eu e você precisamos fazer esta petição todos dos dias, porque o maligno é real e está pronto pra nos devorar e destruir.
4 – Eu e você precisamos fazer esta petição todos os dias, porque o mundo é mau, existem males e eles podem nos atingir.
5 – Eu e você precisamos fazer esta petição todos os dias, porque, assim reconhecemos nossa dependência da soberania de Deus e do cuidado de Deus por nós.
6 – Eu e você, precisamos fugir daquelas situações em que a oportunidade de pecar se oferece a nós.
Ao orar – Livra-nos do mal – estamos pedindo que Deus nos livre de todos estes tipos de males.
Jesus morreu na cruz para vencermos o mal. Ele sofreu o maior mal de todos. Ele sofreu na cruz para que pudéssemos fazer esta oração – pois por meio de Jesus, Deus pode atender nossa oração – oração que ele mesmo nos ensinou a fazer.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Série Sobre o Pai Nosso, 7º Sermão - Perdoa as Nossas Dívidas - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 107

Pregado em 17 de Junho de 2018 na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada - em Porto Alegre



PERGUNTA 105. Pelo que oramos na quinta petição?
R. Na quinta petição, que é: "E perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores", pedimos que Deus, por amor de Cristo, nos perdoe gratuitamente os nossos pecados, o que somos animados a pedir, porque, pela Sua graça somos habilitados a perdoar de coração ao nosso próximo.
Oração do Pai nosso.

         O ENSINO BÍBLICO SOBRE O PERDÃO -  Mateus 18.15-35
15 Se teu irmão pecar [contra ti], vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. 16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. 17 E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. 18 Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. 19 Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. 20 Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. 21 Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? 22 Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. 24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. 26 Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. 27 E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. 28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. 29 Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. 30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. 31 Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. 32 Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; 33 não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? 34 E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. 35 Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.

Perdoar é uma reação natural a quem já teve todos os pecados perdoados por Deus, pela morte de Cristo na Cruz.

Todo pecado que cometemos é um divida para com Deus – não uma dívida a alguém como nós – mas com o Deus que é absolutamente santo. Todo pecado é contra o ser santo de Deus.
Todos nós estamos endividados, a menos que Jesus Cristo já tenha pago esta dívida. E somente quem já tem a Jesus Cristo como salvador de sua vida – já tem um substituto que pagou a dívida. Jesus Cristo na cruz, foi  a graça de Deus por seus filhos – portanto, graciosamente, ele mesmo providenciou o perdão de nossas dívidas – ou seja de nossos pecados.
Existem pessoas que já tiveram seus pecados perdoados e sua infinita divida paga. Existem pessoas que já experimentaram o perdão divino – não são mais devedores.
O que aconteceu? Deus em sua infinita misericórdia, aceitou o sacrifício de seu próprio filho como preço pago a ele por todos as nossas dívidas – ou seja – nossos pecados.
Já experimentamos o perdão – devemos nos sentir perdoados.
Esta é a base – o fundamento do perdão com que devemos perdoar – 70x 7 – nosso irmão. É nosso dever perdoar sempre – mas – sempre é sempre? Devemos perdoar a todos? O nosso perdão deve ser baseado no perdão divino.
O perdão divino é fruto de sua misericórdia, bondade, benevolência, compaixão – graça. O perdão divino é condicionado ao arrependimento de quem peca. Deus leva aquele a quem ele deseja perdoar ao arrependimento. O perdão divino é definitivo – ele cancela a divida totalmente – mas não é incondicional.
O perdão divino exige que o preço seja pago. Todo pecado precisa ser pago. Todo pecado, todo pecador precisa ser castigado – ele é Santo.
O Senhor Jesus Cristo sofreu o castigo de quem Deus quer perdoar. Ou seja, o perdão divino quando acontece, acontece porque Deus colocou esta divida sobre o preço pago por Jesus. O castigo é anulado porque Jesus sofreu o castigo no lugar do perdoado.
Vejamos as lições do texto:
1 - O PERDÃO EXIGE CONFRONTAÇÃO
15 Se teu irmão pecar [contra ti], vai ter com ele, entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça.17 E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.
Lucas 17. 3 Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4 Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe.
2 - O PERDÃO É DOM CELESTIAL NA IGREJA
18 Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus.19 Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus.20 Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.
3 - O PERDÃO É INFINITO – OU – DEVEMOS PERDOAR SEMPRE
21 Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?22 Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
4 - O PERDÃO TEM ORIGEM EM DEUS – TODOS NÓS SOMOS DEVEDORES A DEUS.
23 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos.
24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
5 - NENHUM DE NÓS PODE PAGAR, SEJA SUA PRÓPRIA DIVIDA, SEJA DE SEU IRMÃO – MAS, TAL DIVIDA TEM DE SER PAGA.
25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga.
26 Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei.
6 - POR MEIO DO SACRIFICIO PROPICIATÓRIO, A DIVIDA FOI PAGA PARA AQUELES QUE RECEBEM ESTA GRAÇA.
27 E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.
7 - SEM A GRAÇA, NÃO AGIMOS COM MESMA MISERICÓRDIA COM QUE DEUS AGIU CONOSCO.
28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. 29 Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. 30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. 31 Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera.
8 - AQUELE QUE EXPERIMENTA A GRAÇA, NÃO DEVERIA TER TANTA DIFICULDADE EM PERDOAR, VISTO QUE SABE QUE DEUS A QUEM ELE TINHA UM DIVIDA INFINITA E IMPAGÁVEL, CANCELOU SUA DÍVIDA.
32 Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste;
33 não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?
9 - A ALEGRIA DE ESTAR PERDOADO SÓ SENTE PLENAMENTE  AQUELE QUE ESTÁ DISPOSTO A PERDOAR OS PECADOS QUE FORAM COMETIDOS CONTRA ELE.
34 E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida.
35 Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.
Duas lições principais – em primeiro lugar devemos no coração perdoar. Isso é, não desejar o mal e não desejar vingança. Nem vingança indireta, muito menos direta.
Agostinho diz que devemos perdoar quem nos deve inclusive dinheiro. Porque a pessoa que não paga, não paga porque é pobre. Pobre duas vezes: Não paga porque não tem como pagar ou avarento, que é uma pobreza pior.
O que não está correto é o ensino do perdão terapêutico. Aquele do perdoar para sentir-se bem. Perdoar pra não carregar a pessoa. O perdão é misericórdia com a pessoa que errou. Também não é para deixar a pessoa livre. O perdão é uma resposta à misericórdia divina que nos perdoou, não incondicionalmente, mas com a condição do prego pago por Jesus na cruz.
Se alguém pecou contra ti – Se possível confronte ela no seu erro. Se ela se arrepender – feito – ganhou ela.
Se alguém pecou contra ti – de forma grave – E ela for confrontada e ela não reconhecer o erro e você seguir o que a Bíblia diz como foi ensinado – deixe-a em paz – mas siga as seguintes aplicações:
Se alguém pecou contra ti – não deseje te vingar. Vingança direta.
Se alguém pecou contra ti – não deseje que a pessoa se dê mal – vingança indireta.
Se alguém pecou contra ti – não negue socorro se ela necessitar.
Se alguém pecou contra ti – jamais diga: deixa assim, está tudo bem. Isso não é ajudar. Isso não é pregar e aplicar o Evangelho.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Série sobre o Pai Nosso - 6º Sermão - O Pão Nosso de Cada Dia - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 104


Pregado em 10 de Junho de 2018 na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre



PERGUNTA 104. Pelo que oramos na quarta petição?
R. Na quarta petição, que é: O pão nosso de cada dia nos dá hoje", pedimos que da livre dádiva de Deus recebamos uma porção suficiente das coisas boas desta vida, e gozemos com elas de suas bênçãos.

                                     O PÃO NOSSO DE CADA DIA
Mateus 6.9-13 - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém

A petição pelo pão de cada dia, é nossa confissão de fé num Deus que cuida de seus filhos diariamente.

Este pedido se refere ao pão como sustento ou ao pão espiritual?
Agostinho comentando o Pai Nosso pergunta se o Pão nosso de cada dia significa o Pão como necessidade para o corpo, o Corpo de Cristo como o sacramento da Ceia ou o Pão como alimento espiritual diário. Ele responde que – “convém que se entendam em conjunto estas três coisas, a saber: que ao pedir o pão de cada dia entendamos ao mesmo tempo o pão necessário para o corpo, o pão visível consagrado no sacramento e o pão invisível da Palavra de Deus."

Catecismo Menor de Lutero – O que significa o pão de cada dia? Reposta: Tudo o que pertence a esta vida, como: comida, bebida, vestes, calçados, casa, lar, dinheiro, bens, casamento piedoso, filhos piedosos, empregados bons, superiores bons e fiéis, bom governo, bom tempo, paz, saúde, disciplina, honra, amigos leais, vizinhos fiéis e coisas semelhantes.

“Sobre a Petição sobre o Pão Nosso de Cada Dia. Não é este um dos mais admiráveis fatos da Bíblia inteira? O Deus que é o criador e sustentador do universo, o Deus que está formando o seu reino eterno, ...sim, não é admirável que tal Deus esteja preparado para levar em conta as nossas mais intimas necessidades, incluindo os menores detalhes quanto a essa questão do nosso sustento diário?” Martyn Lloyd Jones
Esse é o milagre da redenção. Esse é o sentido da encarnação, a qual nos ensina que o Senhor Jesus Cristo cuida de nós aqui na terra, ligando-nos com o todo-poderoso. O reino de Deus e o meu pão diário.
Por esta petição nos entregamos ao seu cuidado e nos confiamos à sua providência, para que nos de alimento, sustento e preserve – para que nossa fé nos exercite nestas coisas diminutas, enquanto dele esperamos tudo, inclusive uma simples migalha de pão e uma gota d’agua . Calvino
Aquele que não confia na providência e provisão divina – confiam sua alma a Deus, não deixam, contudo, de estar preocupados com a roupa; e se não têm sempre à mão grande abundância de vinho, trigo e pão, estão tremendo, crendo que lhes haverá de faltar. Calvino
A não ser que nesta vida caduca também atribuíssemos a Deus as funções de nutridor, a súplica seria imperfeita.
Portanto, quando oramos – O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje – estamos declarando que tipo de vida nos vivemos. Estamos declarando nosso estilo de vida no mundo e nossa visão de mundo. Esta petição envolve uma cosmovisão – pois declara que tipo de Deus temos, que tipo de fé exercemos e como vivemos esta fé no mundo.
1 – QUE COFIAMOS EM SUA PROVIDÊNCIA E PROVISÃO.
Não vamos viver na ansiedade do dia de amanhã.
Esta petição também diz respeito ou se pode entender com tudo o que nos é necessário para esta vida – com respeito à qual nos ensinou: não andeis ansiosos pelo dia de amanhã com o que haveis de comer ou vestir (6.34), por isso acrescentou – dá-nos hoje.
Enquanto vivem aqui na terra, os discípulos não precisam envergonhar-se de pedir ao Pai o sustento para a vida física – Bonhoeffer

1Tm 6.6-8- De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. 7 Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. 8 Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.

2 – QUE AO BUSCAR NOSSA PROVISÃO, VAMOS FAZÊ-LO DE FORMA LÍCITA.
Quem ora esta petição saberá que formas ilícitas de buscar o pão ou qualquer provisão são formas que Deus condena.
Podemos chamar de nosso o que obtemos por meios justos ou trabalho; não, porém, o que busca com imposturas, ladroagem ou qualquer outra forma que não glorifica a Deus.  Aquilo também que conseguimos com dano a outrem não glorifica a Deus.

3 – QUE AO PEDIR O PÃO PARA HOJE, NÃO VAMOS VIVER DE FORMA DISSOLUTA OU EM OSTENTAÇÃO.
Nos lança um freio ao desejo imoderado pelas coisas transitórias. Nem ir além da medida em esbanjamento em prazeres, deleites, ostentação e outra modalidades de pompa. O mesmo Deus que nos dá hoje, nos dará para amanhã. Não somos incentivados ou levados a orar por pedindo artigos de luxo ou superabundância, e Enem estas coisas nos foram prometidas.
Pv 30.8-9 - afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; 9 para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.

4 – QUE ESTAMOS CONSCIENTES DE ELE É A FONTE DE TUDO AQUILO QUE PARA NÓS É BENÇÃO.
Por mais que tenhamos bens. “Por maior que seja abundância de coisas, convém que sempre peçamos o pão de cada dia, porque devemos ter em mente que todo bem nada é, senão na medida que seja benção vinda do Senhor.’ Calvino
Além disso, o bem que está à nossa disposição, de fato nem nosso é, senão até onde, a cada hora, uma a uma, o Senhor nos dá como porção e nos permite seu uso. Calvino

5 – QUE ESTAMOS CONFESSANDO NOSSA DEPENDÊNCIA DO SENHOR, RENUNCIANDO ASSIM Á AUTOSSUFICIÊNCIA ORGULHOSA.
Muitos confiam apenas em si mesmo. Acham que o trabalho das mãos sem a benção de Deus é alguma coisa, como se Deus também não fosse dádiva.
Esta petição elimina a autossuficiência de acharmos que vivemos independentes da benção de Deus. Elimina também a ideia de que Deus não governa a nossa vida. Que Deus não tem a ver com a nossa e que Deus não tem a ver com as provisões da vida.
Muitos têm a ideia de uma espécie de Deísmo – que Deus não está mais abençoando as pessoas, que Deus não se envolve mais com provisões diárias, que cada um deve se virar como pode, que Deus nos abandou á própria sorte na vida e tudo o que ele nos dá agora é a salvação eterna. Que ele nos escolheu antes da fundação do mundo e agora tudo segue uma lei interna de salvação, estamos salvos, que não necessitamos mais orar por nossa salvação e muito menos por provisões.
Os ensinos bíblicos sobre oração negam todo este pensamento.
Devemos crer que Deus é nosso provedor.
Aquele que providenciou nossa maior benção, a salvação – onde temos o perdão dos nossos pecados – por meio da morte de Jesus na Cruz – o livramento da condenação eterna.
Aquele que nos criou também cuida de nós.
Há um Deus, o único Deus Verdadeiro, o criador de Todas as coisas, de fato cuida de nós – e a ele podemos e devemos pedir que nos abençoe diariamente – com o suprimento de nossas necessidades.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Série sobre o Pai Nosso - 5º Sermão - Seja Feita a Tua Vontade - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 103


Pregado em 03 de Junho de 2018 - na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre.


PERGUNTA 103. Pelo que oramos na terceira petição?
R. Na terceira petição, que é: "Seja feita Tua vontade, assim na terra como no Céu", pedimos que Deus, pela sua graça, nos torne capazes e desejosos de conhecer a sua vontade, de obedecer e submeter-nos a ela em tudo, como fazem os anjos no Céu.

 TERCEIRA PETIÇÃO – SEJA FEITA A TUA VONTADE, ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU.
Mateus 6.9-13 - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém

A Vontade de Deus referida nesta petição é aquilo que Deus determina nos seus mandamentos e na sua Lei.

A vontade de Deus é sua bem-aventurada sabedoria. A vontade de Deus é aquilo que Deus sabe ser a suprema felicidade para suas criaturas. Na Glória, entre os seres celestiais, há esta felicidade suprema. Todos subsistem nesta felicidade. A essência existencial dos seres celestiais é o modo de existência deles. A glória é um mundo de perfeição, e esta perfeição é a vontade de Deus se realizando nas suas criaturas.
A rigor a Teologia Reformada fala de duas categorias da vontade de Deus na dimensão humana.
A Primeira é a Vontade Decretiva – É a vontade de Deus no sentido dos Decretos Eternos, onde Deus preordena tudo o que acontece. Esta vontade não está condicionada a nenhum critério de obediência humana e não pode ser conhecida a não ser nos eventos da providência divina e seus desdobramentos. Apenas nas profecias bíblicas conhecemos alguns destes eventos que estão determinados para o futuro.
A Segunda é a Vontade Revelada – É a vontade  quanto aquilo que Deus determina como padrão de santidade e justiça. Esta vontade são os mandamentos de Deus e é critério para medir a obediência à vontade de Deus no mundo entre as pessoas. Sabemos qual a vontade de Deus para o casamento, para os relacionamentos, para a sociedade em cada detalhe.
Quanto à Vontade Decretiva, devemos crer na soberania de Deus em todas as coisas e nos submeter alegremente à sua Soberania.
Quanto à Vontade Revelada, devemos obedecer à Lei de Deus, aos mandamentos de Deus, que têm nos Dez Mandamentos sua síntese.
Há uma unanimidade na ortodoxia que a Terceira Petição se refere à vontade revelada de Deus. Que a  Lei e os mandamentos de Deus sejam obedecidos na Terra como é no céu.

Quando oramos – seja feita a tua vontade – estamos declarando quatro coisas:
1 - ESTAMOS RECONHECENDO QUE NO CÉU A VONTADE DE DEUS É FEITA.
Os seres celestiais fazem da vontade do ser e com isso bendizem o nome do Senhor – Salmos 103.19 Nos céus, estabeleceu o SENHOR o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo. 20 Bendizei ao SENHOR, todos os seus anjos, valorosos em poder, que executais as suas ordens e lhe obedeceis à palavra. 21 Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade. 22 Bendizei ao SENHOR, vós, todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR.
O Catecismo Maior afirma que os anjos nos céus conhecem e fazem a vontade em tudo, com humildade, alegria, fidelidade, diligência e zelo.
Entre os seres celestiais a vontade de Deus sempre é feita. Entre aqueles que habitam na glória – Serafins, Querubins, tronos, soberanias, principados, potestades, anjos, justos glorificados – a vontade de Deus é a alegria de todos.
O céu é um lugar de bem-aventurança compartilhada. Todos os seres celestiais compartilham a felicidade suprema com a vontade de Deus.

2 - ESTAMOS AFIRMANDO QUE NA TERRA A VONTADE DE DEUS NÃO É FEITA.
O mundo caído não faz a vontade do Senhor. O pecado os tornou rebeldes. Os pecadores não se alegram com a vontade de Deus.  No tempo do profeta Isaías (século VIII a.C.), nem mesmo os filhos de Deus se alegravam com sua vontade – Is 1.2-3 - Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra, porque o SENHOR é quem fala: Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim.3 O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.
Os filhos de Deus precisam ter a alma satisfeita com a vontade de Deus. Deve haver alegria no coração dos filhos de Deus quando se fala naquilo que agrada a Deus. A vontade de Deus deve ser a felicidade de seus filhos.
Nossa natureza caída é contra isso. Devemos lutar contra ela para fazermos a vontade de Deus.
P. 92. O que pedimos na terceira petição?
Na terceira petição, que é: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”- reconhecendo que, por natureza, nós e todos os homens somos, não só inteiramente incapazes e indispostos a conhecer e fazer a vontade de Deus, mas propensos a rebelar-nos contra sua palavra, a desanimar-nos e a murmurar contra sua providência, e inteiramente inclinados a fazer a vontade da carne e do diabo -, pedimos que Deus, pelo seu Espírito, tire de nós e dos demais toda a cegueira, fraqueza, indisposição e perversidade do coração, e pela sua graça nos faça capazes e prontos para conhecer, fazer e submeter-nos à sua vontade em tudo, com humildade, alegria, fidelidade, diligência, zelo, sinceridade e constância, como os anjos fazem no céu. 

3 - ESTAMOS AFIRMANDO QUE DESEJAMOS FAZER A VONTADE DE DEUS.
Quando oramos –seja feita a tua vontade – logicamente também, estamos expressando nosso desejo de fazer a vontade de Deus. Mais uma vez, preciso afirmar que a vontade de Deus na terra deve ser feita por mim. Nossa igreja deve fazer a vontade de Deus. Não parcialmente, não seletivamente, não naquilo que convém, mas plenamente.
No Salmo 119 está registrado este amor pelos mandamentos de Deus – que é o amor pela vontade de Deus
15 Meditarei nos teus preceitos e às tuas veredas terei respeito.
16 Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra.
20 Consumida está a minha alma por desejar, incessantemente, os teus juízos.
24 Com efeito, os teus testemunhos são o meu prazer, são os meus conselheiros.
47 Terei prazer nos teus mandamentos, os quais eu amo. 
54 Os teus decretos são motivo dos meus cânticos, na casa da minha peregrinação.
92 Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia. 97 Quanto amo a tua lei! 

4 - ESTAMOS DESEJANDO QUE O REINO DE DEUS SEJA TOME LUGAR EM TODO O UNIVERSO COM O EVENTO DA PAROUSIA.
Finalmente, orando – Faça-se  a tua vontade, assim na terra como no céu – expressamos nosso desejo da vinda do Reino de Deus em sua plenitude. A nossa esperança é a fusão do céu e da terra.
Quando chegar a eternidade – Quando acontece a Parousia – A Vinda de Jesus na sua Glória, aquilo que hoje é realidade entre os seres celestiais apenas, será realidade para todos. Tanto para os anjos como para aqueles que haverão de ser glorificados.
O mundo porvir será um mundo de bem-aventurança. A felicidade divina será a felicidade dos glorificados. A vontade de Deus estará escrita no ser. Os mandamentos não precisarão ser obedecidos, pois será a própria essência dos glorificados.  Todos subsistirão na felicidade suprema de Deus. O Porvir será um mundo de perfeição. A vontade de Deus se realizará em todos.
O Senhor Jesus veio ao mundo para fazer a vontade de Deus Pai. Ele disse que a vontade do Pai era sua comida e bebida.
A morte de Jesus na cruz foi sua submissão à vontade do pai .
Ele disse – não seja feita a minha vontade, mas a tua.
Ele morreu na cruz em obediência à vontade do Pai.
Nossa salvação aconteceu porque o Filho de Deus amou a vontade do Pai e fez toda a vontade do Pai.
Somos ordenados a desejar nós mesmos em nós fazermos a vontade de Deus.

Que no mundo nossa santidade de pensamento e comportamento seja melhor do que o melhor padrão moral de qualquer cosmovisão secular por melhor que seja.
Que a nossa visão de mundo seja considerada utopia de tão elevada que possa ser.
Que comece em você o reino de Deus e a vontade perfeita de Deus.
“ que nós não queiramos algo propriamente nosso; ao contrário disso, que seu Espírito governe o nosso coração para que, ele nos ensinando interiormente, aprendamos a amar as coisas que lhe são deleitáveis; contudo, odiando as lhe desagradam ” Calvino

VIVER COM PACIÊNCIA, ESPERANÇA E PERSEVERANÇA – Romanos 8.18-25

  Pregado em 03 de maio de 2020 sexto sermão na Pademia                                                                                     ...