sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Série sobre o Pai Nosso - 4º Sermão - Venha o Teu Reino - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 102

Pregado em 27 de maio de 2018 - na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre.




PERGUNTA 102. Pelo que oramos na segunda petição?
R. Na segunda petição, que é: "Venha o Teu reino", pedimos que o reino de Satanás seja destruído e que o reino da graça seja adiantado; que nós e os outros a ele sejamos guiados e nele guardados, e que cedo venha o reino da glória.

          A SEGUNDA PETIÇÃO – VENHA O TEU REINO.
Mateus 6.9-13 - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém
O Reino de Deus é o exercício de sua soberania em todas as esferas do tempo e do espaço
Esta segunda petição deve retrair-nos das corrupções do mundo, as quais nos separam de Deus, de sorte que dentro de nós não cresça seu reino; ao mesmo tempo, deve inflamar-se o zelo pela mortificação da carne; finalmente, nos ensina a suportar a cruz, quando, deste modo, Deus quer que seu reino seja propagado. Calvino
Esta é a condição do Reino de Deus: que enquanto nos submetemos à sua justiça, nos tornemos participantes de sua glória.  Calvino
Esta petição é a mais grandiosa de todas as petições. Em primeiro lugar é o reconhecimento da Soberania de Deus e de seu domínio sobre todo o universo. 2Crônicas 29.11,12
 O Reino de Deus é seu domínio sobre as nações, ou seu direito de domínio sobre tudo e sobre todos. O Reino de Deus, é Deus agindo na história e a conduzindo para o seu fim determinado para a glória do seu nome. *Salmo 99
O Reino de Deus, portanto, é seu governo sobre o mundo, mas não apenas sobre o mundo, e sim sobre céus e terra.
Com efeito, não se diz aqui Venha o teu Reino como se Deus não reinasse agora. Não se diz aqui Venha no sentido de vir a terra, como se ele não reinasse nela desde o começo do mundo. Agostinho
Venha, é no sentido de “manifeste-se aos homens”. Assim como a luz está ausente para os cegos e para os que fecham os olhos, assim também o Reino de Deus, embora nunca se ausente da terra, está porém ausente para os que o ignoram. Agostinho
O Reino não é a igreja, mas a igreja faz parte do Reino. Na verdade a igreja é o reino, porque faz parte do Reino. A igreja é onde Deus manifesta as leis e a vida do Reino.
Quando oramos – Venha o teu Reino estamos pedindo que:
Mas, se Deus governa, porque as pessoas não se curvam perante ele, não lhe obedecem e não lhe rendem culto? Porque, mesmo cristãos, aqueles que supostamente deveriam estar vivendo de acordo com as leis e padrões do Reino não vivem de tal forma? A resposta é o pecado. Pecadores são atraídos por outro reino que faz parte do Reino de Deus, mas se opõe à ele – que é o Reino das Trevas. O Diabo é quem governa neste reino, que é um reino que faz parte do Reino de Deus. O Reino das Trevas não é igual em poder ao Reino de Deus. O Deus soberano é soberano até sobre o “senhor do reino das trevas” e também é Senhor sobre os súditos do Reino das Trevas. Deus governa até as sombras.
Colossenses 1.12-14 - dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz. 13 Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, 14 no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.
Mas o governo de Deus no mundo se torna real na vida daqueles que foram comprados pela morte de Cristo na cruz.
*Deus reina onde os homens, tanto pela negação de si mesmos, quanto pelo desprezo do mundo e da vida terrena, se submetam à sua justiça, a fim de aspirarem à vida celestial – Calvino

Desde que Jesus morreu na cruz, o reino de Deus passa a se tornar o Reino de seu Filho (Sl 2 e 110). O Evangelho é o instrumento de conquista do Reino.
Orar – Venha o Teu Reino – é orar pelo avanço do Evangelho no mundo.
Há diferenças no entendimento sobre o que seja o Reino.
Na visão pré-milenista – O Reino de Deus se concretizará em um governo futuro de Cristo na Terra. Cristo governará politicamente por mil anos na Terra.
Na Visão Amilenista – Cristo governa agora por na igreja, governa na vida daqueles que já estão com o Senhor e governará definitivamente na sua Vinda Futura, quando estabelecerá seu governo eterno. Cristo já governa, mas ainda não plenamente, o que só acontecerá no futuro.
Na Visão Pós-Milenista – Deus governa o mundo e a igreja é seu instrumento de conquista por meio do Evangelho. O Evangelho cresce de forma progressiva até que em todas as nações pessoas reconheçam a soberania de Deus e este conhecimento de Deus por meio de Cristo afetará positivamente as nações do mundo levando-as a transformação em todas as áreas.
Este avanço do Evangelho se dará até que Cristo Venha e estabeleça uma Nova Terra onde habitará a Justiça, a retidão e a perfeição total dos santos.
Deve-se almejar que aconteça cada dia que de todos os rincões do mundo, Deus junte a si suas igrejas, as propague e as faça aumentar em número, as sature de suas dádivas, estabeleça nelas ordem legitima. Em contraposição, que prostre a todos os inimigos da são doutrina e religião, lhes disse os conselhos, lança abaixo deus planos. Calvino
Aquele que ora – Venha o Teu Reino – deve também saber as implicações do que é o Reino, do que é viver os padrões do Reino.  Os crentes não têm noção do que isto significa.

Esta segunda petição deve retrair-nos das corrupções do mundo, as quais nos separam de Deus, de sorte que dentro de nós não cresça seu reino; ao mesmo tempo, deve inflamar-se o zelo pela mortificação da carne; finalmente, nos ensina a suportar a cruz, quando, deste modo, Deus quer que seu reino seja propagado. Calvino
Vive os padrões do Reino de Deus e pode orar – Venha o Teu Reino – aqueles que vivem para a glória de Deus, se submetendo aos padrões do Reino.
Esta é a condição do Reino de Deus: que enquanto nos submetemos à sua justiça, nos tornemos participantes de sua glória.  Calvino
Portanto esta petição tem pelo menos quatro aspectos;
1 – VENHA O TEU REINO – É o Desejo dos Santos.
“Assim como o nome de Deus é santo em si mesmo e assim mesmo pedimos que seja santo entre nós, da mesma forma também o seu reino vem por sim mesmo, sem as nossas petições, e contudo pedimos  que venha a nós, isto é, que atue entre nós e junto a nós, de sorte que também sejamos parte daqueles entre os quais o seu nome é santificado e seu reino está em vigor. Lutero
2 – VENHA O TEU REINO – Que o Evangelho seja pregado ao mundo.
Quando oramos Venha o Teu Reino, estamos em primeiro lugar reconhecendo que o Filho de Deus Veio ao mundo. “O que significa o Reino de Deus? Resposta: outra coisa não é senão o que ouvimos no Credo: que Deus enviou ao mundo a Cristo, seu Filho, nosso Senhor, para que redimisse e libertasse do poder do Diabo e nos levasse a ele e nos governasse como rei da justiça, da vida, da bem-aventurança, contra o pecado, a morte e a má consciência.” Lutero
“Quando oramos Venha o Teu Reino, estamos orando pelo sucesso do Evangelho, em sua amplitude e poder; estamos orando pela conversão de homens e mulheres; estamos orando para que o reino de Deus tome conta da Europa, das Américas, da Ásia, da África e da Oceania, ou seja, do mundo inteiro. Venha o Teu Reino é uma oração missionária toda-inclusiva.” Martyn Lloyd Jones
3 – VENHA O TEU REINO – Que a igreja ocupe seu lugar no mundo.
É uma oração para que haja mais cristãos bíblicos no mundo.
"O reino avançará principalmente pela operação do Espírito na vida de cristãos crescentemente santificados, que guardam a lei, que praticam sua fé na família, trabalho, escola, igreja e em todas as áreas de suas vidas.
Os pais inculcam a fé cristã ortodoxa em suas famílias. Os pastores conduzem o seu rebanho à maior obediência. Os educadores instruem seus alunos em termos de um sistema de vida cristão abrangente. As igrejas revivem o diaconato e cuidam dos doentes, dos necessitados, das viúvas e dos órfãos. Os médicos cristãos praticam o ofício divino de cura natural (algumas vezes, talvez, sobrenatural) ao seguir a lei de Deus e os produtos da graça comum de Deus. Os empresários produzem riqueza começando novos negócios que beneficiam a outros. E assim por diante em todas as esferas." P.Andrew Sandlin 
Imagine se os cristãos começassem a viver a vida cristã verdadeira. A ensinar e a viver os Dez Mandamentos, a observar o dia Senhor, a ensinar o Credo, a viver os preceitos bíblicos. O reino de Deus se estenderia das famílias cristãs para outras famílias.
4 – VENHA O TEU REINO –  Desejo pela Vinda Futura do Senhor em glória e a ressurreição dos mortos.
Credo Apostólico - Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao inferno; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na santa igreja católica, na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
Credo Niceno
“...se fez homem, e por nossa causa foi crucificado, e ressurgiu de novo ao terceiro dia segundo as Escrituras, e subiu ao Céu e está sentado à mão direita do Pai, e virá de novo em sua glória para julgar os vivos e os mortos, e cujo Reino não terá fim; E no Espírito Santo, Senhor que dá vida, que procede do Pai e do Filho, e que com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, e que falou pelos profetas; e numa igreja una, santa, católica e apostólica. Confesso um só batismo para a remissão dos pecados; e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo por vir. Amém"
Duas coisas movem os cristãos e a igreja – O desejo pelo avanço do Evangelho e o desejo pela Segunda Vinda de Cristo.
O cristão é movido pela paixão pelo Evangelho e pela esperança da Vinda do Senhor.
Oremos – Venha o Teu Reino – vamos viver para a glória de Deus em todas as áreas da nossa vida.
Oremos – Venha o Teu Reino – Vamos pregar o Evangelho com toda a paixão possível.
Oremos – Venha o Teu Reino – Vamos viver a igreja como fomos chamados a fazer.
Oremos – Venha o Teu Reino – Vamos aguardar a Vinda do Senhor, vivendo a graça de Deus hoje.
Na segunda petição, que é: "Venha o Teu reino", pedimos que o reino de Satanás seja destruído e que o reino da graça seja adiantado; que nós e os outros a ele sejamos guiados e nele guardados, e que cedo venha o reino da glória.

Série sobre o Pai Nosso - 3º Sermão - Santificado seja o Teu Nome - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 101

Pregado em 27 de maio de 2018 na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre.




PERGUNTA 101. Pelo que oramos na primeira petição?
R. Na primeira petição que é: "Santificado seja o Teu nome" pedimos que Deus nos habilite a nós e aos outros a glorificá-lo em tudo aquilo em que se dá a conhecer; e que disponha tudo para sua glória.

A PRIMEIRA PETIÇÃO - SANTIFICADO SEJA O TEU NOME.
Mateus 6.9-13 - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;  o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém

Aquele que é santo em si mesmo e de si mesmo, deve ser santificado pelos pecadores para que seu nome não seja usado de forma profana.

A santidade de Deus é o tema da primeira petição. Santificado seja o teu nome.
Esta petição tem a ver com o Terceiro Mandamento. O nome de Deus era tão reverenciado que passou a ser impronunciável.
No Antigo Testamento o termo era – Kadosh ou Kodesh e o principal significado é separação. Deus é o totalmente separado. O sublime. O Altíssimo. Aquele é Santo.
No Novo Testamento o termo é – Hagios, e o principal significado é pureza. Deus é o ser puro por excelência.
Deus é chamado de Santo inúmeras vezes no Antigo Testamento. Jesus não estava inventando palavras para orar, ele estava simplesmente orando o que estava na Palavra.
Temos insistido que a verdadeira oração é o uso da Palavra de Deus para falarmos com ele. Ele nos ensina a orar por meio de sua Palavra.
Nesta oração do Senhor, que é para nós a oração modelo e o modelo de oração, temos apresentados de forma concreta, os ensinamentos da Bíblia acerca da oração. É uma oração que incorpora aquilo que a Bíblia ensina sobre a oração.
Já vimos sobre a importância de praticarmos continua e sistematicamente a oração que o Senhor nos ensinou. Ela é um modelo para moldar nossa oração.
A oração do Pai Nosso é a expressão da misericórdia divina em prover-nos uma forma modelar de oração (Calvino).
Esta oração deve nos conduzir nas palavras de nossa oração..
O que Jesus quer nos ensinar além da própria oração que ele fez é a linguagem da nossa oração e conteúdo da nossa oração.
Jesus ensinou aos seus discípulos não somente como orar, mas também o que orar (Bonhoeffer).
O Pai Nosso não é um exemplo de oração para os discípulos. Jesus quer que orem como ele ensinou. O Pai Nosso é a oração. Bonhoeffer.
 Os limites da oração estão na oração do Pai nosso. Ela é a oração, porque não há mais nada que podemos ou precisamos orar além do que está prescrito na oração do Senhor.
Vimos no primeiro sermão que * a primeira parte é sobre Deus. - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;  venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;  
- Reconhecimento de quem é nosso Deus – Pai nosso.
- A glória de Deus – que estás nos céus.
- A sublimidade de Deus - Santificado seja o teu nome
Estamos aqui.
O que podemos entender – qual a essência desta petição.
"Assim, diz-se santo o nome de Deus onde se pronuncia com veneração e reverência e com temor de ofendê-lo." Agostinho
"Aqui se ordena não apenas pedir que Deus defenda esse sacro nome de todo desprezo e ignomínia, como também que todo o gênero humano se sujeite à sua reverência." Calvino
O nome de Deus não pode ser usado de qualquer forma. Deus é Santo. Seu nome é santo.
"Esta petição também se propõe que pereça e seja aniquilada toda a impiedade que macule seu santo nome, tudo que obscureça esta santificação, ou a diminuem, que injúrias ou zombarias, para longe se vão, e, enquanto Deus reprime todos os sacrilégios, mais e mais lhe resplenda a majestade." Calvino

O que significa a expressão – Santificado seja o teu Nome.
1 – Santificado Seja o Teu Nome – Reconhecimento da Sublimidade de Deus.
Este é o significado primeiro desta petição.
Aquele que conheceu a Deus em primeiro lugar fica encantado com o ser de Deus.
A santidade é a glória de Deus é a grandeza e a glória de Deus em todas as suas manifestações.
Que por meio da pregação do Evangelho as pessoas reconheçam ao Deus verdadeiro. Que as pessoas aprendam sobre a sublimidade de Deus e que não adorem um Deus falso e nem conheçam a Deus de forma distorcida.
"A síntese desta petição consiste em que ansiemos por que seja dada a Deus sua honra, da qual é digno, de sorte que as pessoas nunca falem ou pensem dele senão com reverência."  Calvino

2 – Santificado seja o Teu Nome – Desejo de que todos conheçam a Deus.
Aquele que conheceu a Deus deseja também que outros o conheçam. Que o mundo todo o reconheça. Mesmo os cristãos em muitos e muitos casos e lugares não conhecem a Deus como deveriam. Não o reconhecem como santo. Não o reconhecem como Pai. Não o reconhecem como Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
"Não o pedimos como se não fosse o santo o nome de Deus, mas antes que seja tido por santo pelos homens, ou seja, que de tal modo estes o conheçam, que não tenham nada mais por santo, nem a nada temam mais ofender." Agostinho

3 – Santificado seja o Teu Nome – Desejo de que o Evangelho não seja deturpado.
Uma maneira de santificar o nome de Deus é zelar pelo Evangelho. Defender o Evangelho e se ofender com os falsos evangelhos. Combater o falso evangelho e os pregadores que não pregam o Evangelho com pureza.
"Este nome encerra todo o Evangelho. Deus não queira permitir que seu santo Evangelho seja obscurecido e corrompido por doutrina falsa e vida impiedosa." Bonhoeffer
"Queira Deus continuamente, revelar seu santo nome em Jesus Cristo. Que ilumine a todos os pregadores a pregarem o Evangelho salvífico em toda a pureza." Bonhoeffer
4 – Santificado seja o Teu Nome – Manifestação de alma satisfeita e plena no Senhor.
Santidade é felicidade. O santo é feliz. A santidade traz paz. Não somos santos. Deus é santo. Quando estamos em Cristo. Quando a Palavra de Deus age em nós. Quando o Espírito Santo habita em nós, trabalha em nós – encontramos satisfação em Deus. Encontramos paz em Deus. Quando santificamos o nome de Deus, ficamos satisfeitos. Alma satisfeita se santifica. Deseja o santo. Deseja a comunhão com Deus.
A obra de Cristo na cruz nos leva à salvação. A salvação é a manifestação da santidade de Deus. A obra de Cristo na cruz nos santifica. Por isso, oramos, santificado seja o teu nome.
A igreja precisa orar na cidade – santificado seja o teu nome.

Devemos santificar o nome do nosso Deus – o uso deste nome entre nós deve ser santificado.
"O nome de Deus, é santo por si mesmo. Mas suplicamos nesta petição que se torne santo entre nós." Lutero
Devemos zelar pelo ensino da Palavra de Deus, assim estaremos santificando o nome do Senhor a começar em nós.
"Quando a Palavra de Deus é ensinada genuinamente, e puramente, e nós, como filhos de Deus, também vivemos uma vida santa em conformidade com ela, o nome de Deus é santificado. Aquele, porém, que ensina e vive de modo diverso do que ensina a Palavra de Deus, profana o nome de Deus entre nós."
Lutero

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Série sobre o Pai Nosso - 2º Sermão - Deus é nosso Pai - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 100


Pregado em 20 de maio de 2018 - na Capela Missional - Igreja de Confissão Reformada, em Porto Alegre.



PERGUNTA 100. Que nos ensina o prefácio da Oração Dominical?

R. O prefácio da Oração Dominical, que é: "Pai nosso que estás no Céu", ensina-nos que nos devemos aproximar de Deus com toda a santa reverência e confiança, como filhos a um pai poderoso e pronto para nos ajudar, e também nos ensina a orar com os outros e por eles.


O DEUS DA GLÓRIA É NOSSO PAI     - Efésios 1.1-3
 1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus, 

2 graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo,



Estamos falando sobre a Oração do Senhor. Vamos lembrá-la – como está em Mateus 6.9-13 - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;  o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém

O Deus da glória é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e por adoção, nosso Pai.

Para explicar melhor o ensino de Jesus como Pai, vamos hoje usar o texto de Efésios 1 que foi lido.
A grande benção de crer em Jesus como salvador é se tornar um filho de Deus. É saber que nos tornamos filhos de Deus por adoção. Deus nos adota como filho pelos méritos da obra de Seu único filho na Cruz. Todos são filhos de Deus no sentido de que são criados por Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo é o único filho de Deus, no sentido de ser o herdeiro de Deus, aquele que a quem tudo pertence. Ao crermos em Cristo, somos adotados como filhos, na mesma condição de Cristo.
"Todas as demais bênçãos que recebemos decorrem da graciosa adoção divina como causa primeira.” Calvino (comentário aos Romanos).
“A todos os que são justificados, Deus se digna fazer participantes da graça da adoção” – Confissão de Fé XII,I
Pergunta 34 – O que é Adoção? Adoção é um ato da livre graça de Deus, pelo qual somos recebidos no número dos filhos de Deus, e temos o direito a todos os seus privilégios.” O Breve Catecismo de Westminster
Romanos 8.14 - todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15 Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, temorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. 16 O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. 17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.
Isto significa um novo conceito de relacionamento com Deus.
O nosso conceito de Deus – tanto os que são ou foram católicos ou mesmo evangélicos – é um conceito ainda nos moldes do Antigo Testamento.
Deus ainda é o Todo-Poderoso. O onisciente, onipresente e onipotente. Deus ainda é visto como alguém a quem devemos agradar com uma oferta ou sacrifício para que nos ouça.  Alguém que é tão separado de nós que não sente amor por nós.
Este é o conceito bíblico, mas não cristão.
Jesus é a oferta oferecida de uma vez por todas. O sacrifício de Jesus é o mérito para nos aproximar de Deus.
O Senhor Jesus veio ao mundo e morreu na cruz – para que nele Deus se tornasse acessível a nós.
O Senhor Jesus trouxe uma nova forma de relacionamento com Deus – que mesmo os cristãos têm muito dificuldade de entender.
Deus não só se denomina nosso Pai, mas também quer ser assim chamado por nós, com essa doçura tão imensa de um nome que elimina de nós toda a incerteza, uma vez que nenhum afeto maior de amor se pode achar em outra parte que não seja no Pai"
Ao dizermos “Pai Nosso”, Deus nos assegura seu amor paterno e sua acolhida graciosa a despeito de nosso pecado e vileza.
Em Jesus – Deus não é mais Deus – mas é Pai!
Sim, ele continua sendo Deus, o Todo-Poderoso, o Único, o Majestoso, o Poderoso – mas agora é antes de tudo – é relacionalmente Pai.
Jesus quando ensinou a orar – não ensinou a gente a orar como a gente ouve o pessoal nas igrejas orar – gritando, clamando como que desesperados – Ó Deus. Ó Todo-Poderoso.
Mas ele sempre ensinou que orar é falar com Deus como? Pai....
Então ele é:
1 – ELE É O PAI GLORIOSO – vs. 1,2 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus, 2 graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai,
Neste pequeno texto, somente há declarações gloriosas sobre Deus. Fala de sua Soberania (vontade de Deus). Ele é o Deus da graça. Ele é Deus da Paz. Ele é nosso Pai.
O Deus a quem oramos é o Deus glorioso, aquele que habita nos céus. A glória de Deus é tão eterna quanto ele o é. O Deus a quem oramos é eternamente o Deus da glória.  Quando oramos ao nosso Pai, devemos ter sempre presente em nossas mentes que estamos. A glória de Deus deve nos encher de admiração e reverente temor. O nosso Deus, a quem oramos é nosso Pai, e também o Deus da glória.
A Paternidade de Deus nos aproxima dele. A sua gloria nos traz admiração e reverência.  Chamamos ele de Pai, porque em sua glória, nos salvou.
Nossa oração deve vir acompanhada deste senso de admiração e reverência. Ele é o pai nosso que está nos céus.  Ele é o Deus da glória. Nossa oração é por sua glória e para sua glória.
2 – ELE É O BENDITO PAI – v.3 “Bendito o Deus e Pai...”
Ele é Bem aventurado por sua natureza e essência. Ele habita na eternidade. Ele é Bendito em suas perfeições. Ele é Deus de todas as perfeições.
Nada se compara à ele. Ele é cheio amor, misericórdia, bondade, benignidade, benevolência. Nada há nele que lembre trevas ou imperfeições.
Ele está nos céus. Ele é perfeito. Quando nos aproximamos dele devemos ter esta consciência. Ele é santo, nós somos pecadores. Há uma distância qualitativa intransponível entre Deus e nós; no entanto, por sua misericórdia e por causa dos méritos de Cristo, podemos nos aproximar dele, chamando-o de Pai.
3  – PAI QUE É DEUS E DEUS QUE É PAI. V.3 “..o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo...”
Ele é o pai eterno do Filho eterno de Deus. Esta afirmação mostra o relacionamento amoroso do Pai e do Filho. Jesus é o amado do Pai. A pessoa que o apóstolo chama de pai é o grande Deus do Antigo Testamento. O Todo Poderoso. Deus que no Antigo Testamento era conhecido como o Altissimo (El Elyon), como o Todo-Poderoso (El Shadday), agora se revela como um Pai Santo, justo e amoroso.
Aqui ele diz que este Deus é Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Foi Jesus quem nos ensinou que Deus é Pai.
4 – ELE É  PAI QUE É PODEROSO E ETERNO E SE APROXIMOU DE SEUS FILHOS v. 3 “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nos tem abençoado”
Ele é o Deus totalmente soberano. Ele é o Totalmente separado da criação por sua natureza santa e bem aventurada. Ele é Deus . Ele é Iahweh, mas não é um Deus distante. É também o seu Deus, e Deus é seu Pai. Pai que se aproxima. Pai que ama. Pai que cuida. Pai que protege. Pai que se relaciona. Ele é Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele, o Pai enviou seu filho eterno para morrer em nosso lugar para nos tornar seus filhos. Para nos adotar como filhos. Somos filhos de Deus.
"Deus não só se denomina nosso Pai, mas também quer ser assim chamado por nós, com essa doçura tão imensa de um nome que elimina de nós toda a incerteza, uma vez que nenhum afeto maior de amor se pode achar em outra parte que não seja no Pai" Calvino.
"Ao dizermos “Pai Nosso”, Deus nos assegura seu amor paterno e sua acolhida graciosa a despeito de nosso pecado e vileza." Calvino
APLICAÇÕES
1 – Nossa relação com Deus Pai é de filhos, é preciso afirmar, reafirmar e viver esta verdade grandiosa.
2 – Ser um cristão é afirmar que é filho de Deus. Um cristão é alguém que chama Deus de Pai. A suprema honra, a maior dádiva da graça de Deus a nós, é que nos tornamos “filhos de Deus”. Pela graça, por causa da graça e somos por isso herdeiros da graça por meio de Cristo.
3 – O Cristão é alguém que tem a alegria de ter um Pai que é Deus e Um Deus que é Pai.
Um Pai que é Todo-Poderoso. Um Todo-Poderoso que é seu pai. Deus, pai Todo-Poderoso. Todo-Poderoso, Pai e Deus. Deus, Pai Todo-Poderoso.


Série sobre O Pai Nosso - 1º Sermão - A oração - Exposição do Breve Catecismo - pergunta 99


Pregado em 13 de maio de 2018 - na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre



PERGUNTA 99. Qual é a regra que Deus nos deu para nos dirigir em oração?
R. Toda palavra de Deus é útil para nos dirigir em oração, mas a regra especial de direção é aquela forma de oração que Cristo ensinou aos seus discípulos, e que geralmente se chama a Oração Dominical.

         O PAI NOSSO, A ORAÇÃO COMO ENSINADA PELO SENHOR.
Mateus 6.9-13 - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;  o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém

A oração verdadeira vem de Deus para nos dirigir a Deus.

A oração verdadeira é prescrita pelo próprio Deus. Ele mesmo nos ensina como orar. A Bíblia é a Palavra de Deus, onde ele revela a si mesmo a nós. Revela tudo sobre nós mesmos. Revela também sua vontade a nós.  É na sua Palavra que aprendemos que podemos orar. Então é uma revelação de Deus a nós. É na sua Palavra que ele nos ensina sobre o que é a oração e como devemos orar.
O texto de Lucas nos dá detalhes sobre como se originou a oração do Senhor. Os discípulos  vendo Jesus orar, pedem que lhes ensinem.
Lucas 11.1 – De uma certa feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar ..” Jesus então, lhes ensina-os com a oração que conhecemos como a oração dominical, ou oração do Senhor.
Jesus não inventou nada nesta oração – mas usou somente conceitos que estavam na Palavra. Deus sempre foi Pai para seu povo.
Deuteronômio 32.6 - É assim que recompensas ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?
Deus é chamado de Santo inúmeras vezes no Antigo Testamento. O Reino de Deus, sua vontade, a provisão de pão, o perdão, o livramento – todos são conceitos da Palavra de Deus no Antigo Testamento.
Jesus não estava inventando palavras para orar, ele estava simplesmente orando o que estava na Palavra.
Temos insistido que a verdadeira oração é o uso da Palavra de Deus para falarmos com ele. Ele nos ensina a orar por meio de sua Palavra.
Nesta oração do Senhor, que é para nós a oração modelo e o modelo de oração, temos apresentados de forma concreta, os ensinamentos da Bíblia acerca da oração. É uma oração que incorpora aquilo que a Bíblia ensina sobre a oração.
Podemos e devemos repetir sempre a oração que o Senhor nos ensinou, mas não é a única oração que podemos fazer. Ela é um modelo para moldar nossa oração.
A oração do Pai Nosso é a expressão da misericórdia divina em prover-nos uma forma modelar de oração (Calvino).
Mais uma vez afirmo que podemos e devemos orar o Pai nosso todos os dias, isso não é errado, pelo contrário, é verdadeira oração e oração verdadeira. Mas ela deve ir além, ela deve nos conduzir nas palavras de nossa oração. Temos muitas outras orações no Novo Testamento. Temos mais orações do próprio Senhor, temos orações de Pedro e de Paulo em Atos. Temos orações de Paulo nas Cartas. Temos orações em Apocalipse.
O que Jesus quer nos ensinar além da própria oração que ele fez é a linguagem da nossa oração e conteúdo da nossa oração.
"Deus, demonstrando sua imensa bondade e benevolência, além de nos advertir que devemos o buscar em todas as nossas necessidades, como filhos se refugiam na proteção dos pais e vendo que não podíamos sequer entender a profundidade de nossas necessidades e misérias, deu à nossa ignorância o que faltava à nossa capacidade. De si mesmo supriu tudo o que nos faltava, pois prescreveu-nos uma fórmula, pela qual nos propôs tudo quanto dele é lícito buscar, tudo quanto conduz ao nosso bem e tudo quanto é necessário suplicar. "(Calvino)
"Por meio da oração do Pai Nosso – compreendemos que não lhe suplicamos nada que seja ilícito, nada que seja estranho ou inoportuno, enfim, nada que não lhe seja aceitável, porquanto estamos rogando quase que de sua própria boca e com suas próprias palavras. "(Calvino)
Jesus ensinou aos seus discípulos não somente como orar, mas também o que orar (Bonhoeffer).
O Pai Nosso não é um exemplo de oração para os discípulos. Jesus quer que orem como ele ensinou. O Pai Nosso é a oração. Os limites da oração estão na oração do Pai nosso. Ela é a oração, porque não há mais nada que podemos ou precisamos orar além do que está prescrito na oração do Senhor.

A oração do Pai Nosso pode ser dividida em três partes:

 A PRIMEIRA PARTE É SOBRE DEUS - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;  venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;  
1 – Reconhecimento de quem é nosso Deus – Pai nosso.
2 -  A glória de Deus – que estás nos céus.
3 – A sublimidade de Deus - Santificado seja o teu nome
4 – O desejo pelo Reino de Deus – Venha o teu reino.
5 – O desejo pela vontade de Deus – seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.

A SEGUNDA PARTE É SOBRE NOSSA CONDIÇÃO E NECESSIDADES - o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.
 1- Necessidades presentes a ordinárias – O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje.
2 – O perdão de nossas dívidas com Deus – Perdoa-nos as nossas dívidas.
3 – A declaração de um dever de imitar a Deus – assim como temos perdoados aos nossos devedores.
4 – O pedido de vitória contra o pecado – não nos deixes cair em tentação.
5 – O pedido de vitória contra o mal e o maligno – mas livra-nos do mal.

A TERCEIRA PARTE É DOXOLOGIA – PALAVRAS LITÚRGICAS OU PALAVRAS DE CULTO - Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém
1 – A soberania de Deus – Teu é o Reino.
2 – A grandeza de Deus – Teu é o poder
3 – A sublimidade de Deus – Tua é a glória.
4 – A eternidade de Deus – Para sempre.
5 – A certeza de tudo o que foi dito – Amém.
Que perfeita oração. Que oração perfeita. Tudo está incluído nestas declarações e petições. Este é o padrão perfeito para as nossas orações.
Por tudo isso podemos declarar como é sublime a oração.
A oração não é uma demonstração de espiritualidade ou piedade. É totalmente oposta à publicidade. Ela é a ação anti-demonstração (Bonhoeffer).  A oração é a Deus e entre quem ora e Deus. Não é um teatro. Não é para exibição. Não é uma exortação aos outros. Não é uma arma para conseguirmos coisas, um artifício para Deus nos dar coisas, um método para convencermos a Deus ou uma chantagem a Deus.
Não é uma chave que aciona milagres. Não é uma alavanca que move a mão imóvel de um Deus impassível. Não é um recurso para fazermos Deus agir.
Não meus irmãos. A oração é nosso reconhecimento de quem é nosso Deus.
A oração é nossa declaração de dependência de Deus.
A oração é a declaração de nossa falta de redenção própria, de nossa pecaminosidade radical.
A oração é a declaração de  nosso anseio pelo reino e vontade de Deus.
A oração é a revelação da intensidade de nosso desejo por Deus.
A oração é  o termômetro de nossa satisfação em Deus.

É isso que vamos aprender com esta exposição do Pai Nosso.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sermão sobre a Oração - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 98


Pregado em 13 de maio de 2018 - na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre




PERGUNTA 98. O que é Oração?
R. A Oração é um santo oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados, e um agradecido reconhecimento das suas misericórdias.

APRENDENDO COM A ORAÇÃO DE NEEMIAS - Ne 1.1-11
1 As palavras de Neemias, filho de Hacalias. No mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu na cidadela de Susã, 2 veio Hanani, um de meus irmãos, com alguns de Judá; então, lhes perguntei pelos judeus que escaparam e que não foram levados para o exílio e acerca de Jerusalém. 3 Disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas, queimadas. 4 Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus. 5 E disse: ah! SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos! 6 Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado. 7 Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo. 8 Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos; 9 mas, se vos converterdes a mim, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, então, ainda que os vossos rejeitados estejam pelas extremidades do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome. 10 Estes ainda são teus servos e o teu povo que resgataste com teu grande poder e com tua mão poderosa. 11 Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu servo e à dos teus servos que se agradam de temer o teu nome; concede que seja bem sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercê perante este homem. Nesse tempo eu era copeiro do rei.




A oração é nosso principal exercício devocional, pois revela o quanto conhecemos a Deus e dependemos dele.

Devemos orar sempre e sempre devemos orar.
A atitude de orar não se encontra entre as principais atividades das pessoas. Muitos acham que é uma atitude ultrapassada.
Existem pessoas, porém que estão descobrindo que a oração os sustenta quando os problemas que enfrentam parecem maiores que elas.
A oração é um decreto divino. A oração foi "inventada" por Deus. Não é uma criação da criatividade humana. Como vem de Deus, Ele escuta a oração. Ele escuta a oração de quem ora a "sua" oração.
Sl 10.17 - Tens ouvido, SENHOR, o desejo dos humildes; tu lhes fortalecerás o coração e lhes acudirás,
Sl 145.19 - Ele acode à vontade dos que o temem; atende-lhes o clamor e os salva.
 1Jo 5.14 - E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.
1 Jo 1.9 - Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Jo 16.23-24 - Naquele dia, nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. 24 Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.
Fp 4.6 -  Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças
Neste texto Neemias nos conta sua experiência com a oração. Ele soube noticias que seu povo e que a cidade de Jerusalém encontrava-se em miséria. Ele estava em outro país e sentia-se impossibilitado de ajudar. O que ele fez. Voltou-se para Deus em oração. Esta história se passa cerca de 80 anos depois do fim do Cativeiro Babilônico.
Do seu exemplo na oração podemos aprender como a oração pode tornar-se um fator decisivo em nossa vida.
Ao analisarmos a experiência da oração de Neemias chegamos a algumas conclusões que são lições práticas para nossa vida.
I - A ORAÇÃO DE NEEMIAS NASCEU DE UMA NECESSIDADE URGENTE E ESPECÍFICA – A SITUAÇÃO DE JERUSALÉM E DO POVO. VS 1-4
Muitas de nossas orações são vagas, vazias. São apenas pedidos a Deus que abençoe a alguém ou a nós mesmos. Quando oramos por alguém geralmente não procuramos saber a real situação e necessidade da pessoa. Quando quisermos orar por alguém devemos entender que devemos nos concentrar numa luta por aquela pessoa. A oração disse Jesus, não é mera tagarelice, é uma guerra. O relato de Hanani era um relato preocupante. E o conhecimento das condições daquelas pessoas leva Neemias a orar. Ele passa dias orando e jejuando. Ele não soltou apenas algumas palavras. Ele lutou em oração.
Primeira lição – a oração deve proceder do conhecimento de uma necessidade especifica.
II - A ORAÇÃO DE NEEMIAS REVELA QUE ELE CONHECIA A DEUS E O REVENRECIAVA PROFUNDAMENTE – V.5
Neemias começa sua oração exaltando ao Senhor. “Ó Senhor, Deus dos céus, Deus grande e Temível...”.
Ele focaliza sua oração sobre a grandeza daquele de quem se aproxima. Ele está diante da majestade do Senhor, reconhece e declara isso. Quanto mais ele declara a grandeza do Senhor, menor se torna seu problema. Menos medo da vida ele tem. O Senhor Jesus nos ensinou este tipo de oração, na oração do Pai Nosso.
Segunda lição – a oração deve ser fruto da reverência a Deus
III - A ORAÇÃO DE NEEMIAS REVELA QUE ELE TINHA CONHECIMENTO DA SITUAÇÃO ESPIRITUAL DO POVO – VS 6-7
Neemias reconhece que é um pecador. Ele não está ali para fazer nem uma exigência a Deus. Ele não diz que tem algum direito. Ele não está em uma posição de colocar Deus contra a parede. Ele se confessa um pecador.
Terceira lição – a oração deve ser fruto de um coração arrependido
IV - A ORAÇÃO DE NEEMIAS REVELA QUE ELE TINHA CONHECIMENTO DO PACTO DE DEUS COM SEUS POVO. VS 8-9
Muitas de nossas orações são ocasionais, descompromissadas. A oração de Neemias demonstra que ele conhecia as promessas do Senhor, ele conhecia a Palavra de Deus. Demonstra também como a Palavra controlava sua vida.
Quarta lição – a oração deve se basear numa aliança com Deus.
V - A ORAÇÃO DE NEEMIAS REVELA QUE ELE TINHA UMA PRATICA DEVOCICIONAL DE LOUVOR A DEUS. V.10
Muitas pessoas oram, mas só pedem. Pedir é muito importante, mas não esqueça de agradecer a Deus, reconhecendo que ele tem agido na sua vida.
Quinta lição – a oração deve também louvar a Deus.
VI -  A ORAÇÃO DE NEEMIAS, REVELA QUE MANTERIA UMA ATITUDE DE PERSEVERANÇA NA ORAÇÃO. V.11
Suas palavras finais neste texto revelam que ele seguirá orando. Na continuação do texto chegamos a conclusão que ele orou quatro meses até que a resposta viesse. Há muitas pessoas que oram, seguem o mesmo exemplo da oração de Neemias, mas não obtém o resultado que ele obteve, mas falham em perseverar. Ele continuou orando. Muitas vezes começamos a orar e depois não perseveramos. Ele poderia orar uma ou duas vezes e depois deixar tudo como estava.
Sexta lição – a oração deve ser perseverante
A oração nos prepara para receber a resposta.
Não podemos orar como se estivéssemos apertando um botão de um micro-ondas ou uma sineta que chama um atendente.
Não podemos orar como se o Senhor fosse um garoto de recados que saltasse sempre que ocasionalmente soltamos nossas palavras. Não podemos orar apenas uma ou duas vezes e já cobrarmos uma resposta. A oração coloca nossa vida em conformidade com a vontade de Deus.
A oração nos prepara para receber a resposta.
A oração fortalece nosso propósito de vida. estabelece e firma nossos planos. A oração nos eleva da desconfiança para a confiança. Da incredulidade para a fé. Da independência para a dependência de Deus. Os autossuficientes não oram, apenas falam consigo mesmos. Os autossatisfeitos não tem conhecimento de sua necessidade.
A oração também tem o poder de colocar os problemas no lugar deles. Todos eles são menos do que o Senhor.
A oração nos dá novas perspectivas. Abre nossos olhos para coisas nunca vistas antes. A oração também não é fruto nem reflexos de mentes e corações egoístas.
A oração torna Deus maior para nós e quanto maior o Senhor se torna para nós, menor é nossa visão dos problemas.
Para concluir: nossas orações diárias diminuem nossas preocupações diárias. Jesus orava sempre. Devemos orar sempre. Neemias era um homem de grandes orações e foi um homem de grandes ações.
Vamos analisar:
Você tem vida devocional e quão intensa é sua prática devocional?
Qual sua posição quanto à oração?
O quanto você acha importante orar?
Você ora? Como você ora? Com quem aprendeu? 
Lembrando que a verdadeira oração é de acordo com a revelação de Deus - sua oração é bíblica? É de acordo com a vontade de Deus?

VIVER COM PACIÊNCIA, ESPERANÇA E PERSEVERANÇA – Romanos 8.18-25

  Pregado em 03 de maio de 2020 sexto sermão na Pademia                                                                                     ...