quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Série sobre O Pai Nosso - 1º Sermão - A oração - Exposição do Breve Catecismo - pergunta 99


Pregado em 13 de maio de 2018 - na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre



PERGUNTA 99. Qual é a regra que Deus nos deu para nos dirigir em oração?
R. Toda palavra de Deus é útil para nos dirigir em oração, mas a regra especial de direção é aquela forma de oração que Cristo ensinou aos seus discípulos, e que geralmente se chama a Oração Dominical.

         O PAI NOSSO, A ORAÇÃO COMO ENSINADA PELO SENHOR.
Mateus 6.9-13 - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;  o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém

A oração verdadeira vem de Deus para nos dirigir a Deus.

A oração verdadeira é prescrita pelo próprio Deus. Ele mesmo nos ensina como orar. A Bíblia é a Palavra de Deus, onde ele revela a si mesmo a nós. Revela tudo sobre nós mesmos. Revela também sua vontade a nós.  É na sua Palavra que aprendemos que podemos orar. Então é uma revelação de Deus a nós. É na sua Palavra que ele nos ensina sobre o que é a oração e como devemos orar.
O texto de Lucas nos dá detalhes sobre como se originou a oração do Senhor. Os discípulos  vendo Jesus orar, pedem que lhes ensinem.
Lucas 11.1 – De uma certa feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar ..” Jesus então, lhes ensina-os com a oração que conhecemos como a oração dominical, ou oração do Senhor.
Jesus não inventou nada nesta oração – mas usou somente conceitos que estavam na Palavra. Deus sempre foi Pai para seu povo.
Deuteronômio 32.6 - É assim que recompensas ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?
Deus é chamado de Santo inúmeras vezes no Antigo Testamento. O Reino de Deus, sua vontade, a provisão de pão, o perdão, o livramento – todos são conceitos da Palavra de Deus no Antigo Testamento.
Jesus não estava inventando palavras para orar, ele estava simplesmente orando o que estava na Palavra.
Temos insistido que a verdadeira oração é o uso da Palavra de Deus para falarmos com ele. Ele nos ensina a orar por meio de sua Palavra.
Nesta oração do Senhor, que é para nós a oração modelo e o modelo de oração, temos apresentados de forma concreta, os ensinamentos da Bíblia acerca da oração. É uma oração que incorpora aquilo que a Bíblia ensina sobre a oração.
Podemos e devemos repetir sempre a oração que o Senhor nos ensinou, mas não é a única oração que podemos fazer. Ela é um modelo para moldar nossa oração.
A oração do Pai Nosso é a expressão da misericórdia divina em prover-nos uma forma modelar de oração (Calvino).
Mais uma vez afirmo que podemos e devemos orar o Pai nosso todos os dias, isso não é errado, pelo contrário, é verdadeira oração e oração verdadeira. Mas ela deve ir além, ela deve nos conduzir nas palavras de nossa oração. Temos muitas outras orações no Novo Testamento. Temos mais orações do próprio Senhor, temos orações de Pedro e de Paulo em Atos. Temos orações de Paulo nas Cartas. Temos orações em Apocalipse.
O que Jesus quer nos ensinar além da própria oração que ele fez é a linguagem da nossa oração e conteúdo da nossa oração.
"Deus, demonstrando sua imensa bondade e benevolência, além de nos advertir que devemos o buscar em todas as nossas necessidades, como filhos se refugiam na proteção dos pais e vendo que não podíamos sequer entender a profundidade de nossas necessidades e misérias, deu à nossa ignorância o que faltava à nossa capacidade. De si mesmo supriu tudo o que nos faltava, pois prescreveu-nos uma fórmula, pela qual nos propôs tudo quanto dele é lícito buscar, tudo quanto conduz ao nosso bem e tudo quanto é necessário suplicar. "(Calvino)
"Por meio da oração do Pai Nosso – compreendemos que não lhe suplicamos nada que seja ilícito, nada que seja estranho ou inoportuno, enfim, nada que não lhe seja aceitável, porquanto estamos rogando quase que de sua própria boca e com suas próprias palavras. "(Calvino)
Jesus ensinou aos seus discípulos não somente como orar, mas também o que orar (Bonhoeffer).
O Pai Nosso não é um exemplo de oração para os discípulos. Jesus quer que orem como ele ensinou. O Pai Nosso é a oração. Os limites da oração estão na oração do Pai nosso. Ela é a oração, porque não há mais nada que podemos ou precisamos orar além do que está prescrito na oração do Senhor.

A oração do Pai Nosso pode ser dividida em três partes:

 A PRIMEIRA PARTE É SOBRE DEUS - Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;  venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;  
1 – Reconhecimento de quem é nosso Deus – Pai nosso.
2 -  A glória de Deus – que estás nos céus.
3 – A sublimidade de Deus - Santificado seja o teu nome
4 – O desejo pelo Reino de Deus – Venha o teu reino.
5 – O desejo pela vontade de Deus – seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.

A SEGUNDA PARTE É SOBRE NOSSA CONDIÇÃO E NECESSIDADES - o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;  e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.
 1- Necessidades presentes a ordinárias – O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje.
2 – O perdão de nossas dívidas com Deus – Perdoa-nos as nossas dívidas.
3 – A declaração de um dever de imitar a Deus – assim como temos perdoados aos nossos devedores.
4 – O pedido de vitória contra o pecado – não nos deixes cair em tentação.
5 – O pedido de vitória contra o mal e o maligno – mas livra-nos do mal.

A TERCEIRA PARTE É DOXOLOGIA – PALAVRAS LITÚRGICAS OU PALAVRAS DE CULTO - Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, para sempre. Amém
1 – A soberania de Deus – Teu é o Reino.
2 – A grandeza de Deus – Teu é o poder
3 – A sublimidade de Deus – Tua é a glória.
4 – A eternidade de Deus – Para sempre.
5 – A certeza de tudo o que foi dito – Amém.
Que perfeita oração. Que oração perfeita. Tudo está incluído nestas declarações e petições. Este é o padrão perfeito para as nossas orações.
Por tudo isso podemos declarar como é sublime a oração.
A oração não é uma demonstração de espiritualidade ou piedade. É totalmente oposta à publicidade. Ela é a ação anti-demonstração (Bonhoeffer).  A oração é a Deus e entre quem ora e Deus. Não é um teatro. Não é para exibição. Não é uma exortação aos outros. Não é uma arma para conseguirmos coisas, um artifício para Deus nos dar coisas, um método para convencermos a Deus ou uma chantagem a Deus.
Não é uma chave que aciona milagres. Não é uma alavanca que move a mão imóvel de um Deus impassível. Não é um recurso para fazermos Deus agir.
Não meus irmãos. A oração é nosso reconhecimento de quem é nosso Deus.
A oração é nossa declaração de dependência de Deus.
A oração é a declaração de nossa falta de redenção própria, de nossa pecaminosidade radical.
A oração é a declaração de  nosso anseio pelo reino e vontade de Deus.
A oração é a revelação da intensidade de nosso desejo por Deus.
A oração é  o termômetro de nossa satisfação em Deus.

É isso que vamos aprender com esta exposição do Pai Nosso.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sermão sobre a Oração - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 98


Pregado em 13 de maio de 2018 - na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre




PERGUNTA 98. O que é Oração?
R. A Oração é um santo oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados, e um agradecido reconhecimento das suas misericórdias.

APRENDENDO COM A ORAÇÃO DE NEEMIAS - Ne 1.1-11
1 As palavras de Neemias, filho de Hacalias. No mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu na cidadela de Susã, 2 veio Hanani, um de meus irmãos, com alguns de Judá; então, lhes perguntei pelos judeus que escaparam e que não foram levados para o exílio e acerca de Jerusalém. 3 Disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas, queimadas. 4 Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus. 5 E disse: ah! SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos! 6 Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado. 7 Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo. 8 Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos; 9 mas, se vos converterdes a mim, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, então, ainda que os vossos rejeitados estejam pelas extremidades do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome. 10 Estes ainda são teus servos e o teu povo que resgataste com teu grande poder e com tua mão poderosa. 11 Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu servo e à dos teus servos que se agradam de temer o teu nome; concede que seja bem sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercê perante este homem. Nesse tempo eu era copeiro do rei.




A oração é nosso principal exercício devocional, pois revela o quanto conhecemos a Deus e dependemos dele.

Devemos orar sempre e sempre devemos orar.
A atitude de orar não se encontra entre as principais atividades das pessoas. Muitos acham que é uma atitude ultrapassada.
Existem pessoas, porém que estão descobrindo que a oração os sustenta quando os problemas que enfrentam parecem maiores que elas.
A oração é um decreto divino. A oração foi "inventada" por Deus. Não é uma criação da criatividade humana. Como vem de Deus, Ele escuta a oração. Ele escuta a oração de quem ora a "sua" oração.
Sl 10.17 - Tens ouvido, SENHOR, o desejo dos humildes; tu lhes fortalecerás o coração e lhes acudirás,
Sl 145.19 - Ele acode à vontade dos que o temem; atende-lhes o clamor e os salva.
 1Jo 5.14 - E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.
1 Jo 1.9 - Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Jo 16.23-24 - Naquele dia, nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. 24 Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.
Fp 4.6 -  Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças
Neste texto Neemias nos conta sua experiência com a oração. Ele soube noticias que seu povo e que a cidade de Jerusalém encontrava-se em miséria. Ele estava em outro país e sentia-se impossibilitado de ajudar. O que ele fez. Voltou-se para Deus em oração. Esta história se passa cerca de 80 anos depois do fim do Cativeiro Babilônico.
Do seu exemplo na oração podemos aprender como a oração pode tornar-se um fator decisivo em nossa vida.
Ao analisarmos a experiência da oração de Neemias chegamos a algumas conclusões que são lições práticas para nossa vida.
I - A ORAÇÃO DE NEEMIAS NASCEU DE UMA NECESSIDADE URGENTE E ESPECÍFICA – A SITUAÇÃO DE JERUSALÉM E DO POVO. VS 1-4
Muitas de nossas orações são vagas, vazias. São apenas pedidos a Deus que abençoe a alguém ou a nós mesmos. Quando oramos por alguém geralmente não procuramos saber a real situação e necessidade da pessoa. Quando quisermos orar por alguém devemos entender que devemos nos concentrar numa luta por aquela pessoa. A oração disse Jesus, não é mera tagarelice, é uma guerra. O relato de Hanani era um relato preocupante. E o conhecimento das condições daquelas pessoas leva Neemias a orar. Ele passa dias orando e jejuando. Ele não soltou apenas algumas palavras. Ele lutou em oração.
Primeira lição – a oração deve proceder do conhecimento de uma necessidade especifica.
II - A ORAÇÃO DE NEEMIAS REVELA QUE ELE CONHECIA A DEUS E O REVENRECIAVA PROFUNDAMENTE – V.5
Neemias começa sua oração exaltando ao Senhor. “Ó Senhor, Deus dos céus, Deus grande e Temível...”.
Ele focaliza sua oração sobre a grandeza daquele de quem se aproxima. Ele está diante da majestade do Senhor, reconhece e declara isso. Quanto mais ele declara a grandeza do Senhor, menor se torna seu problema. Menos medo da vida ele tem. O Senhor Jesus nos ensinou este tipo de oração, na oração do Pai Nosso.
Segunda lição – a oração deve ser fruto da reverência a Deus
III - A ORAÇÃO DE NEEMIAS REVELA QUE ELE TINHA CONHECIMENTO DA SITUAÇÃO ESPIRITUAL DO POVO – VS 6-7
Neemias reconhece que é um pecador. Ele não está ali para fazer nem uma exigência a Deus. Ele não diz que tem algum direito. Ele não está em uma posição de colocar Deus contra a parede. Ele se confessa um pecador.
Terceira lição – a oração deve ser fruto de um coração arrependido
IV - A ORAÇÃO DE NEEMIAS REVELA QUE ELE TINHA CONHECIMENTO DO PACTO DE DEUS COM SEUS POVO. VS 8-9
Muitas de nossas orações são ocasionais, descompromissadas. A oração de Neemias demonstra que ele conhecia as promessas do Senhor, ele conhecia a Palavra de Deus. Demonstra também como a Palavra controlava sua vida.
Quarta lição – a oração deve se basear numa aliança com Deus.
V - A ORAÇÃO DE NEEMIAS REVELA QUE ELE TINHA UMA PRATICA DEVOCICIONAL DE LOUVOR A DEUS. V.10
Muitas pessoas oram, mas só pedem. Pedir é muito importante, mas não esqueça de agradecer a Deus, reconhecendo que ele tem agido na sua vida.
Quinta lição – a oração deve também louvar a Deus.
VI -  A ORAÇÃO DE NEEMIAS, REVELA QUE MANTERIA UMA ATITUDE DE PERSEVERANÇA NA ORAÇÃO. V.11
Suas palavras finais neste texto revelam que ele seguirá orando. Na continuação do texto chegamos a conclusão que ele orou quatro meses até que a resposta viesse. Há muitas pessoas que oram, seguem o mesmo exemplo da oração de Neemias, mas não obtém o resultado que ele obteve, mas falham em perseverar. Ele continuou orando. Muitas vezes começamos a orar e depois não perseveramos. Ele poderia orar uma ou duas vezes e depois deixar tudo como estava.
Sexta lição – a oração deve ser perseverante
A oração nos prepara para receber a resposta.
Não podemos orar como se estivéssemos apertando um botão de um micro-ondas ou uma sineta que chama um atendente.
Não podemos orar como se o Senhor fosse um garoto de recados que saltasse sempre que ocasionalmente soltamos nossas palavras. Não podemos orar apenas uma ou duas vezes e já cobrarmos uma resposta. A oração coloca nossa vida em conformidade com a vontade de Deus.
A oração nos prepara para receber a resposta.
A oração fortalece nosso propósito de vida. estabelece e firma nossos planos. A oração nos eleva da desconfiança para a confiança. Da incredulidade para a fé. Da independência para a dependência de Deus. Os autossuficientes não oram, apenas falam consigo mesmos. Os autossatisfeitos não tem conhecimento de sua necessidade.
A oração também tem o poder de colocar os problemas no lugar deles. Todos eles são menos do que o Senhor.
A oração nos dá novas perspectivas. Abre nossos olhos para coisas nunca vistas antes. A oração também não é fruto nem reflexos de mentes e corações egoístas.
A oração torna Deus maior para nós e quanto maior o Senhor se torna para nós, menor é nossa visão dos problemas.
Para concluir: nossas orações diárias diminuem nossas preocupações diárias. Jesus orava sempre. Devemos orar sempre. Neemias era um homem de grandes orações e foi um homem de grandes ações.
Vamos analisar:
Você tem vida devocional e quão intensa é sua prática devocional?
Qual sua posição quanto à oração?
O quanto você acha importante orar?
Você ora? Como você ora? Com quem aprendeu? 
Lembrando que a verdadeira oração é de acordo com a revelação de Deus - sua oração é bíblica? É de acordo com a vontade de Deus?

Sermão sobre a Ceia do Senhor - Exposição do Breve Catecismo - Perguntas 96 e 97


Pregado em 06 de maio de 2018 - Na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada em Porto Alegre.





PERGUNTA 96. O que é a Ceia do Senhor?
R. A Ceia do Senhor é o sacramento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Cristo, se anuncia a sua morte, e aqueles que participam dignamente tornam-se, não de uma maneira corporal e carnal, mas pela fé, participantes do seu corpo e do seu sangue, com todas as suas bênçãos para o seu alimento espiritual e crescimento em graça.
PERGUNTA 97. Que se exige para participar dignamente da Ceia do Senhor?
R. Exige-se daqueles que desejam participar dignamente da Ceia do Senhor que se examine sobre o seu conhecimento em discernir o corpo do Senhor, sobre a sua fé para se alimentarem dele, sobre o seu arrependimento, amor e nova obediência; para não suceder que, vindo indignamente, comam e bebam para si a condenação.

O SEGUNDO SACRAMENTO – A CEIA DO SENHOR
1Coríntios 11.23-34
23 Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; 24 e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. 25 Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. 26 Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. 27 Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. 28 Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; 29 pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. 30 Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. 
31 Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32 Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. 33 Assim, pois, irmãos meus, quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros. 34 Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo. Quanto às demais coisas, eu as ordenarei quando for ter convosco.


Ao participarmos da Ceia do Senhor, participamos da obra de Cristo na Cruz e recebemos os seus benefícios.
A Santa Ceia, foi instituída pelo próprio Senhor, por isso chamamos de “Ceia do Senhor”. É a mesa de comunhão dos santos.
Assim como o batismo tem sua origem na circuncisão, a Ceia tem sua origem doutrinária e cerimonial na Páscoa.
A ceia é um memorial, porque é uma cerimônia de lembrança de sua morte. Quando participamos da Ceia, estamos confessando nossa fé na morte de Cristo. Confessamos nossa fé na sua ressurreição e também manifestamos nossa fé na sua vinda futura.
A ceia não é a transformação dos elementos no corpo e no sangue de Cristo. O pão não se transforma no corpo do Senhor e o vinho não se transforma no sangue do Senhor. Transubstanciação.
Na ceia o Senhor não se faz presente no pão e no vinho – consubstanciação.
A Ceia também não é apenas uma cerimônia de lembrança – um memorial – da morte do Senhor. Mas o Senhor está presente espiritualmente na Ceia nos comunicando as bênçãos adquiridas por sua obra na Cruz.
Ao participarmos da Ceia, participamos de sua obra e recebemos os benefícios de tudo o que ele conquistou na Cruz. Recebemos todas as bênçãos da salvação. Por isso, a Ceia é um meio de graça onde somos abençoados ao participarmos dela.
Os Coríntios estavam participando desta mesa sem discernimento. Veja os versos anteriores em 11.17 – 22 - não vos louvo, porquanto vos ajuntais não para melhor, e sim para pior. 18 Porque, antes de tudo, estou informado haver divisões entre vós quando vos reunis na igreja; e eu, em parte, o creio. 19 Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio. 20 Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis. 21 Porque, ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague. 22 Não tendes, porventura, casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto, certamente, não vos louvo.
Não havia comunhão. Não havia unidade. Havia egoísmo. Não havia temor e mínima formalidade. Havia até quem ficasse bêbado. Havia um total desprezo pela igreja, pela ordem e pela reverência. Eles não estavam “discernindo” o corpo do Senhor. Eles não estavam dando a importância, a seriedade, a reverência  e não estavam santificando a mesa do Senhor.
O apóstolo então, dentro deste cenário triste e vergonhoso, transmite solenemente suas instruções.

                            I - O SIGNIFICADO DA  CEIA DO SENHOR – VS 23 a 26
1 - A morte do Senhor é representada e comunicada no sacramento – VS 23 e 24 Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; 24 e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.
Isto é o meu corpo – nos mostra que a Ceia é mais do que um memorial. É uma cerimônia que nos torna participantes do corpo do Senhor. Isto é, nos faz participantes de sua morte.  O corpo e o sangue do Senhor são recebidos de uma maneira espiritual.
Façam isso em memória de mim – Aqui está a importância declarada da cerimônia. Uma ordenança. É uma ordem sagrada. É preciso participar da Ceia. É mais do que uma recordação, é um memorial sagrado. A participação na Ceia nos traz a presença do Senhor. É pecado não participar da Ceia. A santa ceia é uma recordação da sua obra e uma comunhão com ele ao mesmo tempo.
2 – O pacto da graça é declarado e renovado no sacramento – VS 25 e 26 - 25 Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. 26 Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.
Assim como ele diz – Isto é o meu corpo – Ele afirma – Este cálice é a nova aliança no meu sangue.
A ceia é a celebração do pacto da graça. A Nova Aliança é testificada e representada na Ceia. A morte do Senhor na cruz, estabeleceu a Nova Aliança, onde a graça de Deus justifica o pecador por meio do substituo na cruz. O cristão celebra a morte do Senhor por meio da Ceia até sua vinda. É o cerimonial cristão que celebra o pacto com o Senhor.

    II - A MANEIRA APROPRIADA DE PARTICIPAR DA CEIA DO SENHOR – VS 27 a 34
1 – A ceia do Senhor exige comportamento adequado para participar dela. Vs 27 e 29
27 Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. 28 Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; 29 pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.
Não podemos entender que podemos nos tornar dignos de participarmos da ceia por algum degrau de santidade. Não é isso que o texto está comunicando.
A igreja de Corinto não discernia, não dava a importância correta. Não faziam o cerimonial, nem participavam com temor e reverência.
2 – A Ceia do Senhor é uma ordenança que deve nos levar à um comportamento santificado na vida.
 Vs 30-34 -  Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. 31 Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32 Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. 33 Assim, pois, irmãos meus, quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros. 34 Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo. Quanto às demais coisas, eu as ordenarei quando for ter convosco.
Uma igreja que não leva a serio aquilo que o Senhor ordena, gera crentes fracos e doentes. Uma igreja que não leva à serio sua missão, é uma igreja fraca de crentes fracos.  De crentes que aos poucos passam à relativizar tudo. Quem relativiza o culto, onde o Senhor se faz se presente para comunicar graça ao seu povo – é porque relativiza todo o resto da vida.
Portanto, meus irmãos a participação da Ceia é um imperativo na vida – pois é um meio de graça. Assim como toda a casa participa da Aliança e recebe seus benefícios, toda a casa deve participar da Ceia. A Ceia é o memorial da Nova Aliança que comunica graça ao povo da Aliança.
As crianças devem participar da ceia.  Os filhos dos cristãos são possuidores do Reino dos Céus, portanto, membros da Igreja de Cristo. Eles devem ser criados distinguidos dos filhos dos ímpios.. Os filhos dos cristãos são batizados, para dar significado e selar o seu real relacionamento com Jesus Cristo, como as crianças eram circuncidadas na Antiga Aliança. Se são batizados em Cristo possuem todos os direitos da herança da Nova Aliança e são, por isso, incluídos em todos os privilégios da Aliança.
O sacramento da Ceia do Senhor é um privilégio aos  pertencem ao Corpo de Cristo. Sacramentos são sinais e selos que descrevem realidades espirituais, e não devem ser separados dessa realidade.
A mesa do Senhor, o pão e o corpo são partes da mesma realidade. Somente os excluídos da igreja podem ser impedidos de participar da Ceia.
As crianças são advertidas também dentre de suas realidades e idades sobre o comportamento correto na Ceia. Os sacramentos da Antiga Aliança admitiam a participação de crianças.
Êxodo 12.26 -  “Quando vossos filhos vos perguntarem: Que rito é este? Respondereis: É o sacrifício da Páscoa ao SENHOR, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou.”
Quando Paulo transmite a necessidade do autoexame  seu objetivo é prevenir os cristãos de não participarem da Mesa do Senhor de forma como a mencionada em relação aos coríntios. Negar a Mesa do Senhor para os filhos da aliança, portanto, é uma prática que exclui nossos filhos do melhor da aliança.  Divide as crianças dos membros “maduros” e implicitamente faz das crianças cidadãos de segunda classe no Reino de Deus. Não apenas as crianças, mas todos os incapazes.
Parece obvio que assim como as crianças participavam da ceia da páscoa, A igreja primitiva permitia a Ceia do Senhor para os filhos dos cristãos. Esta descontinuação das práticas primitivas foi um erro e deve ser abandonada pelas igrejas biblicamente reformadas.
É um dever imperativo, que o cristão não pode negligenciar a participação da Ceia do Senhor.
É um privilégio de cada cristão participar da Ceia.
A não participação da Ceia é uma autoexclusão dos benefícios que ela traz.





Sermão sobre os Sacramentos - O Batismo - Exposição do Breve Catecismo - perguntas 92 a 95


Pregado na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada - Porto Alegre.
Em 29 de abril de 2018



PERGUNTA 92. Que é um sacramento?
R. Um sacramento é uma santa ordenança, instituída por Cristo, na qual, por sinais sensíveis, Cristo e as bênçãos do novo pacto são representadas, seladas e aplicadas aos crentes.
PERGUNTA 93. Quais são os sacramentos do Novo Testamento?
R. Os sacramentos do Novo Testamento são o Batismo e a Ceia do Senhor.
PERGUNTA 94. Que é o Batismo?
R. O Batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça, e a promessa de pertencermos ao Senhor.
PERGUNTA 95. A quem deve ser ministrado o Batismo?
R. O Batismo não deve ser ministrado àqueles que estão fora da igreja visível, enquanto não professarem sua fé em Cristo e obediência a Ele; mas os filhos daqueles que são membros da igreja visível devem ser batizados.

O PRIMEIRO SACRAMENTO  -  O BATISMO.- Colossenses 2.11-13
Colossenses 2.11 Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo,
12 tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. 13 E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos;

Assim como a circuncisão era o sinal do pacto na antiga Dispensação, o batismo é o sinal do pacto na nova Dispensação do Pacto, a Nova Aliança.

A circuncisão foi instituída por Deus  como um selo da aliança entre Deus e seu povo (Gn 17.9-14).
A circuncisão era o sinal do Pacto Antigo com os israelitas. Simbolizava a inclusão na comunidade da aliança pela iniciativa da graça de Deus. Todos os recém nascidos deveriam ser circuncidados e se algum adulto, não israelita desejasse fazer parte do povo da aliança, deveria ser circuncidado também. Cada menino recém nascido que era circuncidado, a aliança sendo crida e praticada.
I - O BATISMO, SUBSTITUI A CIRCUNCISÃO
No início do cristianismo, os primeiros cristãos eram israelitas e o batismo passou a ser o sinal de inclusão na fé. A circuncisão era tipo do que seria cumprido na Nova Aliança. Ela representava a necessidade de purificação e a pureza.  A circuncisão não era mais necessária, porque na Nova Aliança, esta purificação seria por meio da aplicação da obra de Cristo pelo Espírito Santo, que operaria no novo nascimento.
Tudo o que a circuncisão tipificava, o batismo cumpre.
Alguns mestres cristãos vindos do judaísmo não entendiam isso e continuavam insistindo que a circuncisão era necessária para a salvação. É neste e por esta situação que o apóstolo Paulo esclarece que o batismo tomou o lugar da circuncisão como sinal da aliança – por que o batismo cumpre os propósitos da circuncisão e aumenta sua inclusão para todos os povos.
Ele diz – vocês já foram circuncidados. Quando?  No novo nascimento. Em que ocasião? Na circuncisão de Cristo. Em que situação, qual o sinal visível? No batismo.
Vamos ler novamente o texto - Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, 12 tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos
Ele está dizendo que houve uma circuncisão que foi obra do Espírito – “Não por intermédio de mãos” – A anterior era uma pequena circurgia.
Ela é interna, no coração, no interior – “despojamento do corpo da carne” – a anterior era remoção de pele.
Ela é por meio de Cristo, para inclusão na igreja - é a circuncisão de Cristo – a anterior era inclusão numa nação.

II - O BATISMO É O NOVO SINAL DO PACTO
A clara indicação é que a circuncisão tomou o lugar da circuncisão.
O capítulo 4 de Romanos diz que Abraão recebeu a justificação pela fé e o sinal da justificação era circuncisão - "recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que crêem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça" (Rm 4.11)
O capitulo 5 de Romanos é uma defesa da justificação pela fé, para no Capítulo 6 ele afirmar que agora esta justiça tem no batismo o seu sinal do pacto. Vejamos o texto mais completo sobre o significado do batismo em Rm 6.3-8 -  3 porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? 4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. 5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, 6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; 7 porquanto quem morreu está justificado do pecado. 8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos
Assim, o que é dito em Romanos 4.11 como sendo um sinal e selo do Pacto  para Abraão, é válido também para o batismo em Rm 6 – pois é o texto da sequência do raciocínio e do argumento. No texto de Colossenses, o batismo é especificamente um sinal e selo de ter sido sepultado e ressuscitado com Cristo. É um sinal e selo da união com Cristo, da entrada no seu pacto, da inclusão no corpo de Cristo, a igreja.
O que o Apóstolo Paulo está dizendo é – Na experiência do batismo, vocês receberam o sinal e o selo desta maravilhosa transformação produzida pelo Espírito no coração.  

III - O BATISMO É O NOVO  SINAL DE INCLUSÃO NO PACTO
A conversão é a nova vida, pois antes da conversão o estado espiritual é de morte – v.13 - E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos;
A conversão é a nova vida em Cristo. A “incircuncisão da carne” v.13 ou “o corpo da carne” v.11, é o estado de culpa e condenação, a condição pecaminosa do pecador.
O batismo, é portanto o sinal do pacto na  Nova Aliança. A implicação disso é clara. Todos os que pertencem ao Novo Pacto devem ser batizados.
Jesus disse: Ide por todo o mundo, fazei discípulos de todas as nações. Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado.
O batismo era para incluir as pessoas no pacto.
Outra implicação é que como no Antigo Pacto, toda a família era incluída como sinal da graça de Deus – muito mais graça há na Nova Aliança. Se os filhos eram incluídos na Antiga Aliança, obviamente, na Aliança da graça os filhos devem ser incluídos.
A casa toda deve fazer parte da Aliança. Josué 24.15 - se vos parece mal servir ao SENHOR, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR.
Salmos 115.10 - A casa de Arão confia no SENHOR; ele é o seu amparo e o seu escudo.
Atos 16.31 Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. 32 E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. 33 Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus.
Atos 18.8 - Mas Crispo, o principal da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa; também muitos dos coríntios, ouvindo, criam e eram batizados.
Eu e minha casa no Antigo Testamento ou no Novo tem o mesmo sentido, as mesmas implicações e as mesmas consequências, pois é um Bíblia só. Josué incluiu sua casa e isso incluía os filhos necessariamente. Não podemos mudar este sentido no Novo Testamento.
CATECISMO DE HEIDELBERG
Pergunta 74. As crianças pequenas devem ser batizadas?
R. Devem, sim, porque tanto as crianças como os adultos pertencem à aliança de Deus e à sua igreja. Também a elas como aos adultos são prometidos, no sangue de Cristo, a salvação do pecado e o Espírito Santo que produz a fé.
Por isso, as crianças, pelo batismo como sinal da aliança, devem ser incorporadas à igreja cristã e distinguidas dos filhos dos incrédulos. Na época do Antigo Testamento se fazia isto pela circuncisão. No Novo Testamento foi instituído o batismo, no lugar da circuncisão.
Quando Deus fez seu pacto com Abraão, os filhos foram incluídos. Nos seus aspectos espirituais, esse pacto continuou e continua na Nova Aliança. Este é o tema de Gálatas. Somos herdeiros da bênção de Abraão por causa do pacto que Deus fez com ele.  Portanto, os filhos ainda estão incluídos e ainda devem receber o sinal que na presente dispensação do Pacto é o batismo. É certo que Deus não é menos generoso com os filhos agora do que foi na antiga dispensação do Pacto. É certo que a Nova Aliança é ainda mais generosa com os filhos do que a Antiga. É certo que a família da Aliança agora, está muito mais plena de graça e benefícios do que na Antiga Aliança.
Tão maiores são os benefícios da Nova Aliança que o sinal do Pacto era apenas para os homens, na Nova Aliança, ele se estende à toda todos os povo e à toda a família de cada povo.
Gálatas 3 24 De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.
25 Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio.
26 Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus;
27 porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.
28 Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.
29 E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.

IV - O  BATISMO COMO SINAL DO NOVO PACTO, SINALIZA OS MAIORES BENEFÍCIOS DO NOVO PACTO.
A família é a família da aliança e toda a família pertence a Deus. Se a família era incluída na Antiga Aliança, onde está o fundamento para dizer o contrário na Nova Aliança?
 O que fundamenta a administração do batismo às crianças é sua instituição divina, pois os benefícios da Aliança são destinadas aos crentes e aos seus filhos também.
É um grande ranço doutrinário negar o batismo das crianças por textos que supostamente provariam isto como – quem crer e for batizado – uma vez no anuncio do Evangelho a pessoa ainda não crê e tem necessidade de professar a fé para tornar-se cristã. Uma vez que a pessoa crê e é batizada, ela se torna cristã. Seus filhos já nascem na família da fé. Já pertencem à aliança, logo este texto não se aplica mais à eles – pois desde bebês serão ensinados sobre a fé.
E quem não tem condições de professar a fé – como filhos deficientes ou incapazes – será negado o batismo e seus benefícios que ele tipifica à eles?
O texto usado diz – quem crer e for batizado será salvo e quem não crer será condenado. As crianças  são incapazes de exercer tanto fé como arrependimento, eles não são sujeitos apropriados do batismo. Elas não têm condições de serem batizadas, dizem.
Mas isso é um grande sofisma, veja,  a  Escritura requer fé e arrependimento de adultos para o batismo; mas como as crianças  não podem exercer nenhum dos dois, eles não podem ser batizados. A falácia reside no fato que a premissa é sobre adultos, mas a conclusão é sobre as crianças.
Ora, com este argumento se a Escritura requer fé e batismo de adultos para que sejam salvos,  como as crianças não podem exercer essas coisas, eles serão condenadas?
E o texto que diz – quem não trabalhe, não coma – se aplica também às crianças e aos incapazes?
Os filhos são presentes de Deus, herança do Senhor.
Elas são formadas por Deus no ventre da mãe.
Deus nos confia filhos, para que façamos deles discípulos do Senhor.
Batizemos nossos filhos incluindo eles no sacramento que é o selo de inclusão na Aliança.



VIVER COM PACIÊNCIA, ESPERANÇA E PERSEVERANÇA – Romanos 8.18-25

  Pregado em 03 de maio de 2020 sexto sermão na Pademia                                                                                     ...