segunda-feira, 25 de abril de 2022

SEM TERCEIRA VIA - SALMOS 01

 

Pregado em 16 de junho de 2019




HÁ APENAS DOIS CAMINHOS - DA JUSTIÇA E O CAMINHO DO JUÍZO -
SEM TERCEIRA VIA.

 SALMOS l 

1Bem-aventurado o homem
que não anda no conselho dos ímpios,
não se detém no caminho dos pecadores,
nem se assenta na roda dos escarnecedores.
2Antes, o seu prazer está na lei do Senhor,
e na sua lei medita de dia e de noite.
3Ele é como árvore
plantada junto a corrente de águas,
que, no devido tempo, dá o seu fruto,
e cuja folhagem não murcha;
e tudo quanto ele faz será bem-sucedido.
4Os ímpios não são assim;
são, porém, como a palha que o vento dispersa.
5Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo,
nem os pecadores, na congregação dos justos.
6Pois o Senhor conhece o caminho dos justos,
mas o caminho dos ímpios perecerá.

Os dois caminhos, o da vida e o da morte são vias separadas para sempre, sem síntese ou convergência.

O Salmo 1 é um dos mais conhecidos, citados e comentados. É conhecido como o Salmo dos dois caminhos. O Salmo mostra a diferença radical entre o justo e o ímpio desde o estilo de vida até o final, um sendo contemplado com a bem-aventurança eterna e o outro com a condenação eterna. Não há meio termo. Não há síntese nem convergência, mas separação. Não são linhas paralelas que se unem no final.

No Salmo destacam-se três tipos de pessoas:

O Justo – aquele que ama a Lei de Deus e tem seu prazer nela.

O Ímpio  – Aquele que não reconhece a autoridade divina. Aquele que pensa ser autônomo – vivendo sua própria lei.

O pecador – Aqueles que não se preocupam nem com a observância, nem em transgredir a lei. São aqueles que consideram que é debilidade e fraqueza os sentimentos religiosos.

O Escarnecedor – São aqueles que zombam da leis de Deus e zombam daqueles que amam a Lei de Deus.

- I – 

O CAMINHO DA VIDA É ENCONTRADO POR QUEM AMA A LEI DO SENHOR.

 VS 1-3 - 1Bem-aventurado o homem

que não anda no conselho dos ímpios,
não se detém no caminho dos pecadores,
nem se assenta na roda dos escarnecedores.
2Antes, o seu prazer está na lei do Senhor,
e na sua lei medita de dia e de noite.
3Ele é como árvore
plantada junto a corrente de águas,
que, no devido tempo, dá o seu fruto,
e cuja folhagem não murcha;
e tudo quanto ele faz será bem-sucedido.

Há pessoas que escolhem caminhos negativos, a procura da felicidade. Começam por “andar no conselho dos ímpios” – ou seja aceitando o seu modo de pensar. É uma maneira sutil de tentação em que a pessoa é atraída pelas ideias bonitas e convidativas e passa a achá-las naturais e normais. Uma cultura se forma quando as pessoas passam a pensar como as outras.

Agostinho - Entrou no conselho dos ímpios, quem de Deus se afastou; deteve-se quem se deleitou no pecado; sentou-se o obstinado na soberba.

 O que começa com uma simples ideia se aprofunda quando a pessoa “se detém no caminho dos pecadores”. Pecadores aqui, são aqueles que vivem em rebeldia contra Deus. Deter-se, é agir da mesma forma, praticar atos que os pecadores praticam sem qualquer arrependimento.  A pessoa antes temente a Deus, agora se molda, primeiro ao pensamento, depois às ações. Aquele que aceita o padrão da vida dos outros, acaba praticando as mesmas ações e à pertencer ao mesmo grupo.

Calvino – poucos há que se protegem contra as fascinações do pecado.

Todas as pessoas com a mesma determinação que desejam e correm atrás da felicidade, com a mesma determinação se entregam a seus pecados.

Os que servem a Deus devem cuidar o máximo por cultivar aversão ao estilo de vida dos ímpios. O caminho dos ímpios é seu modo de andar. Assentar-se, designa a obstinação produzida pelo hábito de uma vida pecaminosa.

Esta vigilância é oportuna e necessária, porque o caminho do pecado, é gradual. “mesmo que uma pessoa não tenha ainda contraído todo o aviltamento provindo dos maus exemplos, no entanto é possível que se assemelhe aos perversos, ao imitar espontaneamente seus hábitos corruptos.”

É neste ponto que o texto diz sobre – assentar-se na roda dos escarnecedores – Os escarnecedores são os piores tipos de pessoas com relação à fé, pois são os que são mais distantes do arrependimento. Ele não têm temor de Deus. Eles zombam da fé. Eles desafiam a Deus com palavras, gestos e atitudes deliberadas. Eles sentem prazer nisso.

- II – 

O CAMINHO DA FELICIDADE É O PRAZER NA MEDITAÇÃO DA LEI DO SENHOR.

 VS 2,3 - 2 Antes, o seu prazer está na lei do Senhor,

e na sua lei medita de dia e de noite.
3Ele é como árvore
plantada junto a corrente de águas,
que, no devido tempo, dá o seu fruto,
e cuja folhagem não murcha;
e tudo quanto ele faz será bem-sucedido.

O que faz este caminho ser marcado pela bem-aventurança é o fator Lei de Deus. Mais especificamente, o amor pela Lei de Deus. O caminho da bem-aventurança não é moldado pelo próprio esforço, com moralidade, com uma filosofia de vida, mas é segundo a Palavra de Deus.  - O  seu prazer está na lei do Senhor – a prova deste prazer é o apego à Lei, à Palavra – medita nela de dia e de noite. A palavra prazer aqui – quer dizer uma satisfação máxima. Aquilo que traz felicidade. O bem mais desejável da vida. O prazer da alma satisfeita. A prática de meditar na Palavra dia e noite, de apegar-se à Palavra, molda o pensamento e a vida. Molda a cultura pessoal em todos os aspectos.

 Calvino - O caráter geral da vida humana nada mais é senão um perene afastar-se da lei de Deus.  O amor à lei de Deus é a única maneira de não nos deixar levar pela impiedade que nos cerca.

O resultado é apresentado na símile da árvore frutífera. Vida equilibrada, vida definida no termo “bem-sucedido”. Esta vida, não é a vida próspera no sentido de prosperidade material apenas – mas no sentido de vida realizada – que cumpre os propósitos de Deus.

- III – 

QUEM VIVE NA IMPIEDADE ESTÁ NO CAMINHO DO JUÍZO.

 VS 4,5 - 4 Os ímpios não são assim;

são, porém, como a palha que o vento dispersa.
5Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo,
nem os pecadores, na congregação dos justos.

O caminho dos ímpios é totalmente o oposto ao do justo. O caminho do ímpio é um caminho debaixo do juízo de Deus e termina no Juízo.  Se o caminho da vida é de bem-aventurança, o caminho do Juízo é calamidade. A ideia é um monte de palha de trigo quando atingida por um pé de vento. Esta figura, mostra que toda a vida do ímpio, é como nada. Palha é aquilo que não tem peso, que o vento leva.

Calvino – Os ímpios não desfrutam de bênçãos, porque não conhecem a bênção. Os filhos de Deus são nutridos com a secretas influências da graça divina, de modo que tudo quanto lhes sucede é proveitoso para a salvação. Embora os ímpios aparentem precoce fecundidade, contudo nada produzem que conduza à perfeição.

os perversos não prevalecerão no juízo – não há como escapar do julgamento e no julgamento não há justificação. Aqueles que foram enfrentar o juízo, não terão como escapar, pois não haverá argumento, nem defensor -  nem os pecadores, na congregação dos justos – a congregação dos justos é a reunião de todos os salvos. De todos os justificados, de todos aqueles a quem o substituto, o filho de Deus, o verdadeiro justo – que é o bem-aventurado por excelência, que não andou no caminho dos ímpios, não de deteve no caminho dos pecadores, não se assentou na roda dos escarnecedores, que teve na sua vida os propósitos do Pai realizados. Aquele que foi bem-sucedido na sua vida-missão. Ele é o defensor dos justos que formarão a última congregação, a dos glorificados – onde os perversos não participarão.

- IV – A SEPARAÇÃO DOS CAMINHOS ESTÁ NA ESFERA DA SOBERANIA DO SENHOR. 

V. 6  - Pois o Senhor conhece o caminho dos justos,

mas o caminho dos ímpios perecerá.

 O Senhor – conhece – o caminho dos justos – o termo conhecer é mais do que ter informações, mais do que saber – é identificar-se. Ele participa do caminho.

Por outro lado, o caminho dos ímpios – perecerá – ou seja, vai ser nada no fim. Vai ser a ruína fatal de definitiva.

A separação definitiva dos caminhos será demonstrada no Juízo do Último dia.

É verdade que o Senhor exerce juízo diariamente, quando faz distinção entre os justos e os perversos; visto, porém, que isso é feito parcialmente nesta vida, devemos olhar mais alto se desejamos ver a assembleia dos justos.

Calvino - Visto, porém, que isso nem sempre se concretiza em relação a todos os homens , no presente estado, devemos pacientemente esperar o dia da revelação final, quando Cristo separará as ovelhas dos cabritos.  Os ímpios estão destinados à miséria; pois suas próprias consciências os condenam em virtude de sua perversidade.

Aqui se demonstra que os dois caminhos são separados. Para sempre. Sem  síntese. Sem convergência.

 Não cultuemos e não nos apeguemos a nenhuma cultura que não seja reflexo da Lei de Deus.

Não tenhamos inveja dos Ímpios – de sua cultura, de sua aparência, de suas liberdades, de suas felicidades – sem a Lei de Deus como padrão de aprovação – são apenas aparências que o Juízo vai provar.

Não adotemos a cultura que se distanciou de Deus como padrão – é triste ver crentes vivendo como ímpios – adotando seus padrões seja em que nível for.

O Verdadeiro justo é Jesus que é o retrato deste salmo, é a ele que devemos ter como padrão em tudo – que ele seja o nosso padrão de cultura, de ação, de pensamento e de vida.

 

domingo, 24 de abril de 2022

Cristãos em comunhão - A terceira carta de João - parte 04

 Pregado em 12 de maio de 2019


CRISTÃO MISSIONAL

EXPOSIÇÃO DA TERCEIRA CARTA DE JOÃO - IV

1 O presbítero ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade. 2 Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. 3 Pois fiquei sobremodo alegre pela vinda de irmãos e pelo seu testemunho da tua verdade, como tu andas na verdade. 4 Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade. 5 Amado, procedes fielmente naquilo que praticas para com os irmãos, e isto fazes mesmo quando são estrangeiros, 6 os quais, perante a igreja, deram testemunho do teu amor. Bem farás encaminhando-os em sua jornada por modo digno de Deus; 7 pois por causa do Nome foi que saíram, nada recebendo dos gentios. 8 Portanto, devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade. 9 Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. 10 Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja. 11 Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus. 12 Quanto a Demétrio, todos lhe dão testemunho, até a própria verdade, e nós também damos testemunho; e sabes que o nosso testemunho é verdadeiro. 13 Muitas coisas tinha que te escrever; todavia, não quis fazê-lo com tinta e pena, 14 pois, em breve, espero ver-te. Então, conversaremos de viva voz. 15 A paz seja contigo. Os amigos te saúdam. Saúda os amigos, nome por nome.

A paz de Cristo, é vivida na comunhão dos santos, que é possível somente na igreja.

Este final da carta é um retrato de como a igreja apostólica era na sua funcionalidade prática.

Vimos que a igreja tinha problemas sérios com falsas doutrinas sendo espalhadas e por pastores sem misericórdia e sem testemunho cristão.

Esta carta e o final dela nos ensina sobre a Comunhão dos santos.

Em primeiro lugar a saudação PAZ SEJA CONTIGO – era uma saudação judaica normal – Shalom – a paz de Deus e ao mesmo tempo um desejo por bem estar, saúde, proteção e prosperidade. Mas ela ganha um novo significado em Jesus, após a sua ressurreição. Ele havia dito que haveria de deixar a sua paz como estilo de vida dos discípulos para com Deus. Eles haveriam de viver a paz, mais do que uma saudação judaica.

João 14. 27 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. 

João 20.19 Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! 20 E, dizendo isto, lhes mostrou as mãos e o lado. Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor. 21 Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. 

Efésios 6.23 - Paz seja com os irmãos e amor com fé, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. 

2 Tess. 3. 16 Ora, o Senhor da paz, ele mesmo, vos dê continuamente a paz em todas as circunstâncias.

1 Pedro 5.14 Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor. Paz a todos vós que vos achais em Cristo.

Em segundo lugar o termo amigo – Os amigos te saúdam e saúda os amigos – Esta designação dos cristãos é única nas cartas e aparece somente aqui no Novo Testamento quando se trata de da igreja. Os cristãos em comunidade preferiam se tratar como irmãos e irmãs. João aqui usa a fórmula de Jesus que chamou os discípulos de amigos.

João 15.12 O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.14 Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. 15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. 

Quando ele diz – os amigos aqui te saúdam e saúda os amigos aí – ele dá um toque de pessoalidade única e demonstra extrema comunhão íntima que algumas comunidades viviam.

Em terceiro lugar devemos notar que João fala para Gaio saudar – os amigos “nome por nome”. É como se ele estivesse dizendo – saúda eles, nome por nome, um a um, cada um deles.

Isso é muito significativo para a comunhão da igreja. O cristão não deve perder a sua identidade e importância individual na comunidade.

O Credo Apostólico afirma a – “Comunhão dos Santos” – e sobre esta comunhão que esta saudação final fala.

A partir disso e baseado nos termos usados por João desejo fazer algumas considerações sobre a Comunhão dos Santos.

I – A COMUNHÃO DOS SANTOS É GRAÇA EXTRAORDINÁRIA DE DEUS

É no contexto da vida em comunidade que João faz esta saudação. É no contexto de que esta paz vem de Deus.

Bonhoeffer – “É graça de Deus uma comunidade poder reunir-se neste mundo, de maneira visível, em torno da Palavra de Deus e dos Sacramentos.”

A paz que os cristãos compartilham uns com os outros é uma comunhão celestial. É uma antecipação da vida glorificada.  Para o cristão, a presença física  de outros cristãos, que creem no mesmo Senhor, que participam juntos dos sacramentos é fonte de alegria e fortalecimento incomparáveis. É graça, nada mais do que graça o fato de podermos desfrutar a comunhão entre irmãos crentes.

Martinho Lutero dizia que a comunhão entre os irmãos era – Graça extraordinária, as rosas e lírios da vida cristã.

II – A COMUNHÃO DOS SANTOS É VIVIDA UNICAMENTE POR MEIO DE JESUS CRISTO.

A comunhão dos santos é comunhão por meio de Jesus Cristo e em Jesus Cristo. Não há comunhão cristã que seja mais ou menos do que isto.

A comunhão cristã é isso, que pertencemos uns aos outros tão somente mediante e em Jesus Cristo. Um cristão somente pode chegar a outro cristão por meio de Jesus Cristo. Sem Cristo não reconheceríamos o irmão como irmão nem poderíamos ir ter com ele, conviver com ele. O caminho para o irmão está desbloqueado do eu. Cristo desbloqueou o caminho para Deus e para o irmão.

Recebem a bênção um do outro como se fosse do próprio Senhor, pois um e outro estão em Cristo. É isto que os une, que os torna iguais. Mas somente somos um por intermédio dele. Sem ele somos egoístas perdidos em nossos pecados e autoperdição. Cada um cuidando de seus próprios pecados, dos pecados dos outros, condenando e condenando-se.

III – A COMUNHÃO DOS SANTOS É VIVIVA PLENAMENTE NA IGREJA LOCAL.

Tendo sido unidos e reunidos por meio de Jesus e em Jesus, os crentes podem viver em paz uns com outros, podem amar e servir-se mutuamente.

A comunhão cristã é a comunhão da comunidade dos salvos. É a comunidade,  reunião e a união daqueles que foram eleitos desde a eternidade, aceitos no tempo e unidos para a eternidade. A Igreja local é a reunião daqueles que são unidos por Jesus Cristo para a eternidade. É a comunidade dos salvos. É a Nova Jerusalém, a Nova Cidade, a Cidade de Deus que se forma em torno no nome de Jesus Cristo, da Santa Palavra e dos Sacramentos.

A Escritura nos chama de Corpo de Cristo. Isso significa na prática que fomos eleitos e aceitos em Jesus Cristo com toda a comunidade, que também lhe pertencemos por toda a eternidade. Os que aqui vivemos em sua comunhão, estaremos um dia com ele e com os irmãos em comunhão eterna. Quem olha para seu irmão saiba que estará unido com ele em Jesus Cristo na eternidade.

IV – OPORTUNIDADE DE IMITAR O SENHOR NO EXERCÍCIO DA GRAÇA, MISERICÓRDIA E BENVOLÊNCIA.

O cristão precisa do outro por amor de Jesus Cristo. A comunhão dos santos nos lembra não apenas que precisamos do irmão, mas que o irmão precisa e depende de nós.

Não podemos esquecer a importância de compartilhar  o que temos materialmente com os irmãos.

 Veja o que diz  a CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER. Capitulo XXVI – DA COMUNHÃO DOS SANTOS

 II. Os santos são, pela sua profissão, obrigados a manter uma santa sociedade e comunhão no culto de Deus e na observância de outros serviços espirituais que tendam à sua mútua edificação, bem como a socorrer uns aos outros em coisas materiais, segundo as suas respectivas necessidades e meios; esta comunhão, conforme Deus oferecer ocasião, deve estender-se a todos aqueles que em qualquer lugar, invocam o nome do Senhor Jesus.

Heb.10.24-25 Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.

I João 3.17;” Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?”

At. 11.29-30. “ Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia; O que eles, com efeito, fizeram, enviando-o aos presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo.

III. Esta comunhão que os santos têm com Cristo não os torna de modo algum participantes da substância da sua Divindade, nem iguais a Cristo em qualquer respeito; afirmar uma ou outra coisa, é ímpio e blasfemo. A sua comunhão de uns com os outros não destrói, nem de modo algum enfraquece o título ou domínio que cada homem tem sobre os seus bens e possessões.

Isto não significa dar o que temos aos outros. Não significa também que devemos repartir o que temos com os outros – mas compartilhar – isto é atender às necessidades dos outros, se necessário repartindo o que temos.

A vontade de compartilhar nossos bens é um bom teste da veracidade de nossa comunhão. De fato, isso deve ser algo natural e espontâneo, porque estamos preocupados com todos os membros do corpo de Cristo.

2 Coríntios 8.13-14 – “Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade,  suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade,”

Os primeiros crentes deram muito valor à comunhão. Não era uma comunidade de cada um por si. Do “vire-se”. Não havia necessitados entre eles. Assim era com os puritanos. Eles formavam comunidades e todos compartilhavam do que tinham para o bem da comunidade.

O nosso texto nos mostra como é ser uma igreja. Precisamos ser amigos de cada um. Precisamos saber o nome de cada. As necessidades de cada. Os problemas e os pecados de cada. E viver a Paz de Cristo de verdade, em profundidade, em realidade na vida – no dia a dia com os outros – para a glória de Deus.

 

 

 

 

 

DEMÉTRIO - UM CRISTÃO MISSIONAL - Terceira Carta de João - Parte 03

 Pregado em 05 de maio de 2019



           

EXPOSIÇÃO DA TERCEIRA CARTA DE JOÃO - III

1 O presbítero ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade. 2 Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. 3 Pois fiquei sobremodo alegre pela vinda de irmãos e pelo seu testemunho da tua verdade, como tu andas na verdade. 4 Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade. 5 Amado, procedes fielmente naquilo que praticas para com os irmãos, e isto fazes mesmo quando são estrangeiros, 6 os quais, perante a igreja, deram testemunho do teu amor. Bem farás encaminhando-os em sua jornada por modo digno de Deus; 7 pois por causa do Nome foi que saíram, nada recebendo dos gentios. 8 Portanto, devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade. 9 Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. 10 Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja. 11 Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus. 12 Quanto a Demétrio, todos lhe dão testemunho, até a própria verdade, e nós também damos testemunho; e sabes que o nosso testemunho é verdadeiro. 13 Muitas coisas tinha que te escrever; todavia, não quis fazê-lo com tinta e pena, 14 pois, em breve, espero ver-te. Então, conversaremos de viva voz. 15 A paz seja contigo. Os amigos te saúdam. Saúda os amigos, nome por nome.

 Demétrio era um cristão digno de ser chamado cristão, pois honrava o nome de Jesus Cristo na doutrina e na vida.

 O presbítero esta escrevendo uma mensagem para Gaio e dando testemunho de sua piedade pessoal e seu amor para com os irmãos, exercendo com excelência a hospitalidade cristã.

Ao mesmo tempo, condena um outro irmão, provavelmente um líder da igreja que não era uma referência quanto à piedade pessoal, não acolhia os irmãos e ainda excomungava, expulsava da igreja os que praticam a hospitalidade.

Diótrefes é denunciado por seu sentimento e postura de superioridade. Seu amor à primazia e domínio sobre os irmãos.

Diótrefes também é denunciado por que aliava palavras más, com obras más, espalhando notícias maliciosas para desqualificar o presbítero diante dos irmãos.

Outro pecado que Diótrefes cometia, é que agindo assim, com postura egoísta, ele agia intencionalmente contra o evangelho. Ele se tornava um obstáculo para a pregação do Evangelho, logo ele que deveria contribuir para a propagação no nome de Jesus. Por fim, João deixa claro que Gaio não deveria imitar as obras más de Diótrefes, porque, ele ao não praticar o bem aos irmãos, praticava mesmo era o mal.

O grande problema de Diótrefes, era o seu amor próprio. Ele tinhas suas afeições centradas em si mesmo.

O amor próprio exagerado vicia todas as relações. Diótrefes difamou a João, tratou com pouco caso os missionários e excomungou os crentes leais porque em seu egoísmo, vaidade e ambição queria ter a preeminência. A vaidade pessoal está na raiz da maioria das dissensões em toda a igreja local hoje.

O cristão centrado em si mesmo não colabora com a igreja.

O cristão centrado em si mesmo é um empecilho, um obstáculo para o crescimento da igreja e do evangelho que não precisa ter.

O cristão centrado em si mesmo, não se compromete com a missão, mas faz apenas o que lhe convém.

O cristão centrado em si mesmo, não compromete com a missão e com a igreja, mas usa a igreja para sentir-se religioso.

O cristão centrado em si mesmo, é um consumidor do evangelho e não um missionário no mundo.

O cristão centrado em si mesmo, não vive em missão, mas satisfaz a si mesmo, vivendo uma religiosidade enganosa, que supre limitadamente apenas a si mesmo.

Por isso, João faz um elogio teológico a um outro irmão, chamado Demétrio.

Uma ideia bem aceita é que Demétrio seria o mensageiro que estava levando a carta a Gaio. Outra ideia bem aceita é eram três pastores. Gaio um que estava começando e Diótrefes e Demétrio, pastores mais antigos. João então, mostra a diferença entre os dois, e quem ele deveria imitar. De acordo com uma famosa obra do final do século IV – As Constituições Apostólicas, que tentava rastrear o ministério dos Apóstolos, João nomearia Demétrio como bispo de Filadélfia, e seria ele o pastor na época da Carta escrita no Apocalipse.

Vejamos os elogios à Demétrio.

I – DEMÉTRIO POSSUIA UM PIEDADE PESSOAL NOTÓRIA - v.12 Quanto a Demétrio, todos lhe dão testemunho

Esta é uma constatação grandiosa. O termo usado “lhe dão testemunho” traduz – memarturetai – que comunica a ideia de um testemunho constante e contundente.

Ele era um cristão que tinha um testemunho de vida reconhecido e admirado. Se ele realmente era um pastor – presbítero ou bispo, ele possuía uma estatura espiritual reconhecida na igreja da época. Precisamos de pastores assim, de cristãos assim.

Precisamos de gente com estatura espiritual que honrem o nome de Jesus. Que sejam dignos de serem chamados de cristãos.

II – DEMÉTRIO ENCARNAVA A DOUTRINA QUE PROFESSA NA SUA VIDA PÚBLICA - v. 12 Quanto a Demétrio, todos lhe dão testemunho, até a própria verdade

Seguramente significa que a genuidade cristã, a vida piedosa de Demétrio não precisava da prova dos outros, apesar do testemunho de todos. Ela provava-se por si mesma. A verdade que ele professava estava encarnada nele. A doutrina crida e confessada por ele, se ajustava perfeitamente à sua vida na prática.

Como temos falta disto. Cristãos que confessem a doutrina verdadeira. Que sejam creiam na doutrina correta, mas que também tenha a vida correta.

Um dos grandes problemas para o cristianismo hoje é o mal testemunho dos cristãos. Cristãos que não amam. Cristãos que mentem. Cristãos que odeiam, cristãos que ofendem, que não perdoam, que não possuem graça e misericórdia. Cristãos que são péssimos maridos, péssimas esposas. Cristãos que são péssimos filhos. Cristãos que adulteram. Cristãos que não praticam o cristianismo.

III – A VIDA PIEDOSA DE DEMÉTRIO IMPRESSIONAVA ATÉ MESMO O APÓSTOLO JOÃO - v.12 e nós também damos testemunho; e sabes que o nosso testemunho é verdadeiro.

Esta afirmação “nós” refere-se ao próprio João que dá testemunho de Demétrio. Eu também dou testemunho dele. Isto seria o bastante para Gaio porque, mesmo que ele não conhecesse nenhum de todos os que tinham dado testemunho de Demétrio – ele poderia confiar no testemunho de João, que era verdadeiro. O fato de João, um apóstolo que andou com Jesus, dar testemunho de uma pessoa com tanta ênfase, não deixa de ser impressionante. Demétrio era um cristão que honrava o nome de Jesus. Era um cristão digno de ser chamado cristão. Boa parte dos cristãos nem sequer imaginam como era um cristão dos primeiros séculos. Não imaginam os desafios que eles tinham que enfrentar. Não imaginam as renúncias  que carregavam por amor de Jesus.

Não imagina o comprometimento com a causa. Principalmente isso, o amor por Jesus, o amor pelo Evangelho, o amor pela causa. Eles, todos eles eram mártires em potencial. A palavra – testemunho ou testemunha – é no original o termo mártir. Todo o cristão sabia que era um mártir.

Os  cristãos hoje não fazem ideia do que seja isso.

IV – DEMÉTRIO ERA UM CRISTÃO DIGNO DE SER CHAMADO CRISTÃO - 

v.12 Quanto a Demétrio, todos lhe dão testemunho, até a própria verdade, e nós também damos testemunho; e sabes que o nosso testemunho é verdadeiro.

Não há outro testemunho igual no Novo Testamento. Todos lhe dão testemunho – Demétrio havia conquistado o respeito, a admiração de toda a comunidade cristã, por sua vida piedosa. Sua vida impactava as outras pessoas, porque vivia o Evangelho na prática.

Até a própria verdade – Disso inferimos que Demétrio vivia de acordo com os mandamentos da Palavra de Deus. Ele não apenas confessava a verdadeira doutrina, mas vivia, praticava.

Nós também, damos testemunho dele – O próprio apóstolo testemunhava sobre a integridade cristã de Demétrio. Todos, a Verdade e eu. Esta é a tríade usada para falar dele.

Sobre Abraão, é dito que era amigo de Deus.

Sobre Jó, é dito que era íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.

Sobre Davi, que era um homem segundo o coração de Deus.

Sobre Cornélio, é dito que era piedoso e temente a Deus com toda a sua casa.

Estes são alguns notáveis testemunhos das Escrituras sobre alguns personagens. Demétrio, que não se sabe nada sobre ele, é incluído entre estes testemunhos.

Esta deveria ser a vida normal do cristão.

Hebreus 11. 35 Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; 36 outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. 37 Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados 38 (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. 39 Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé 

Hebreus 12. 1 Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, 2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. 3 Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.

O cristão é uma testemunha de Jesus. Os cristãos eram chamados assim pelo testemunho que davam. Eles eram chamados no Império Romano também de nazarenos. Eles  mostram Cristo ao mundo. Demétrio era um deles. Era digno de ser chamado seguidor de Jesus.

A pergunta hoje é se grande parte dos cristãos hoje não são fracos, com testemunhos fracos?

A conclusão deste sermão é uma via contrária ao encerramento do anterior.

Demétrio não era um cristão centrado em si mesmo – mas era um cristão comprometido ao contrário de Diótrefes.

O cristão comprometido tem paixão pela igreja e tem amor em colaborar com a igreja e com os irmãos.

O cristão comprometido trabalha para o avanço do Evangelho.

O cristão comprometido vive em missão e é um missionário no mundo

 

Diótrefes, um cristão não missional - Terceira Carta de João - parte 02

 

Pregado em 28 de abril de 2019


CRISTÃO MISSIONAL

EXPOSIÇÃO DA TERCEIRA CARTA DE JOÃO - II

UM EXEMPLO DE UM CRISTÃO NÃO MISSIONAL

1 O presbítero ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade. 2 Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. 3 Pois fiquei sobremodo alegre pela vinda de irmãos e pelo seu testemunho da tua verdade, como tu andas na verdade. 4 Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade.5 Amado, procedes fielmente naquilo que praticas para com os irmãos, e isto fazes mesmo quando são estrangeiros, 6 os quais, perante a igreja, deram testemunho do teu amor. Bem farás encaminhando-os em sua jornada por modo digno de Deus; 7 pois por causa do Nome foi que saíram, nada recebendo dos gentios. 8 Portanto, devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade.9 Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. 10 Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja. 11 Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus. 12 Quanto a Demétrio, todos lhe dão testemunho, até a própria verdade, e nós também damos testemunho; e sabes que o nosso testemunho é verdadeiro.13 Muitas coisas tinha que te escrever; todavia, não quis fazê-lo com tinta e pena, 14 pois, em breve, espero ver-te. Então, conversaremos de viva voz.15 A paz seja contigo. Os amigos te saúdam. Saúda os amigos, nome por nome.

Vamos destacar os seguintes versos: v.9 Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. 10 Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja. 11 Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus. 

Diótrefes é o retrato do cristão comprometido apenas consigo mesmo e não com a missão.

Aqui o presbítero apresenta o problema criado por Diótrefes. Ele era totalmente diferente de Gaio quanto ao caráter e postura quanto à missão.

Gaio é retratado como alguém que anda na verdade, ama os irmãos, hospeda os missionários. Diótrefes, por outro lado, é visto como alguém que se compromete apenas consigo mesmo, e que se recusa a acolher os irmãos e ainda não permite que outros irmãos façam.

Aqui nós vemos que a igreja primitiva tinha muitos problemas. As igrejas locais não eram perfeitas.

 Hoje nem consideradas “boas” por muitos irmãos exigentes com os outros.

Na igreja de Roma havia discriminação entre os carnívoros e os vegetarianos. Na igreja de Corinto, havia muitos problemas morais e espirituais. Na igreja de Colossos, havia aqueles que misturavam Cristianismo, judaísmo e pensamento grego. Nas igrejas da Gálacia, haviam os judaizantes e assim por diante.

Havia até mesmo pastores maus. O artigo 26 contido nos 39 artigos da religião (documento anglicano) faz uma afirmação precisa sobre isso.

Ainda que na Igreja visível os maus sempre estejam misturados com os bons, e às vezes os maus tenham a principal autoridade na Administração da Palavra e dos Sacramentos; todavia, como o não fazem em seu próprio nome, mas no de Cristo, e em comissão e por autoridade dele administram, podemos usar do seu Ministério, tanto em ouvir a Palavra de Deus, como em receber os Sacramentos. Nem o efeito da ordenança de Cristo é tirado pela sua iniqüidade, nem a graça dos dons de Deus diminui para as pessoas que com fé e devidamente recebem os Sacramentos que se lhe administram; os quais são eficazes por causa da instituição e promessa de Cristo, apesar de serem administrados por homens maus.”

O fato é que Diótrefes causava muitos problemas. Ele não era comprometido com a missão, mas consigo mesmo.

I –  DIÓTREFES TINHA UM SENTIMENTO DE SUPERIORIDADE

v.9 Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. 

Este era um problema moral e não teológico. Tem-se defendido pelos comentaristas, que ele não era um herege nem um apóstata. Ele era um ortodoxo em termos de doutrina. Ele possuía a doutrina correta – mas sua prática cristã era contrária à sua doutrina. 

O texto afirma que ele gostava de exercer a primazia – Philo-proteuon – amor por si mesmo. Amor por posição. Amor por títulos – amor por ser reconhecido – honrado. Gosta de se colocar em primeiro lugar. Gosta de ter a preeminência.  O termo sugere dois temperamentos ou posturas que perturbam e são contra a vida cristã – a arrogância intelectual o e engrandecimento pessoal.

Irmãos, algumas coisas não combinam com o cristianismo bíblico. A arrogância, o orgulho, o vaidade pessoal, a achar-se melhor do que os outros, as ambições pessoais, o amor por reconhecimento, o amor por cargos, a exaltação, a insubmissão, o espírito de rebelião, de contendas, de disputas – nada disso combina com a vida cristã. Nada disso combina com aquilo que Jesus ensinou. O cristão missional não é como Diótrefes. Ele não pensa primeiro em si. Ele não está em busca de satisfação própria em detrimento dos outros. O cristão missional não é comprometido apenas consigo mesmo. Ele não dá prioridade a si mesmo em relação à igreja. Ele é comprometido com a missão. Com a visão da sua igreja local.

II – DIÓTREFES ALIAVA PALAVRAS MÁS COM OBRAS MÁS

v.10 Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas.

Este irmão era o avesso de um cristão piedoso. João declara que quando fosse até aquela igreja local, iria lembrar – expor, fazer aparecer, denunciar, tornar públicas – as obras e palavras de Diótrefes. O texto fala de “obras praticadas” e “palavras faladas”. Estas atitudes eram contra a autoridade do presbítero.

A gravidade da conduta de Diótrefes é exposta em três sentenças. Primeiro ele “profere palavras maliciosas”. O original dá a ideia de palavras absurdas -  Dá a ideia também de que ele “Fala loucuras”. Suas palavras não eram somente ímpias, mas também absurdas, disparatadas, sem noção.

O termo maliciosas- phluarron -  no original dá o sentido de tagarelice, palavras sem sentido. Ele provavelmente fazia acusações maldosas, apenas para desqualificar o presbítero.

Como ele amava ter a autoridade, a primazia, ele não aceitava a autoridade do presbítero e ainda minava sua pessoa diante dos outros. Um dos ataques contra João era justamente a visão sobre a prática do amor cristão e o acolhimento entre os irmãos. A visão de Diótrefes sobres a missão era extremamente egoísta.

III – DIÓTREFES EM SEU EGOÍSMO AGIA INTENCIONALMENTE CONTRA O EVANGELHO

v.10b E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja.

Aqui estão as outras duas sentenças que demonstram a gravidade da conduta de Diótrefes. Ele não acolhe os irmãos e ainda impede e expulsa quem acolhe.

Ele não ficou satisfeito com uma campanha de palavras maliciosas contra João, mas foi adiante e deliberadamente desafiou os presbítero recusando-se a acolher os irmãos.

Ele intencionalmente contrariava as regras de hospitalidade cristã ao se recusar a receber missionários enviados para proclamar o evangelho. Ao negar-lhes abrigo e comida, ele impede o avanço da Palavra de Deus. Diótrefes está servindo de obstáculo aos propósitos divinos. Ele com isso fica sujeito à ira divina. Ele não impedia os propósitos divinos, como não impediu, o Evangelho avançou – mas ele foi um dos empecilhos, um dos obstáculos que o Evangelho enfrentou. De alguém que deveria ser entusiasmado colaborador.

O crente não comprometido, de alguma forma é um empecilho ao avanço do Evangelho, ao crescimento da igreja e à missão. De alguma forma, o crente não comprometido trava os outros irmãos.

IV – DIÓTREFES, AO NÃO PRATICAR O BEM AOS IRMÃOS, PRATICA O MAL.

v.11 Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus. 

Aquele que pratica o bem procede de Deus, o que pratica o mal não procede. No caso aqui, a conduta de Diótrefes era o mesmo que praticar o mal. O verdadeiro cristão pode ser descrito como sendo de Deus. João está questionando se Diótrefes é um cristão verdadeiro. O verdadeiro cristão obedece os mandamentos de Deus. Na sua primeira carta, João apresenta a norma para determinar a diferença entre os filhos de Deus e os filhos do diabo.

1 João 3.10 – Aquele que não faz o que é certo não é um filho de Deus.

Assim, qualquer um que continua a praticar o mal, de forma intencional e deliberada, como Diótrefes, ainda não viu ou não conhece a Deus.

1 João 3.6 - Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.

O cristão verdadeiro vê Deus em Jesus Cristo.

O grande problema de Diótrefes, era o seu amor próprio. Ele tinhas suas afeições centradas em si mesmo.

O amor próprio exagerado vicia todas as relações. Diótrefes difamou a João, tratou com pouco caso os missionários e excomungou os crentes leais porque em seu egoísmo, vaidade e ambição queria ter a preeminência. A vaidade pessoal está na raiz da maioria das dissensões em toda a igreja local hoje.

O cristão centrado em si mesmo não colabora com a igreja.

O cristão centrado em si mesmo é um empecilho, um obstáculo para o crescimento da igreja e do evangelho, um problema que a igreja não precisava ter.

O cristão centrado em si mesmo, não se compromete com a missão, mas faz apenas o que lhe convém.

O cristão centrado em si mesmo, não compromete com a missão e com a igreja, mas usa a igreja para sentir-se religioso.

O cristão centrado em si mesmo, é um consumidor do evangelho e não um missionário no mundo.

O cristão centrado em si mesmo, não vive em missão, mas satisfaz a si mesmo, vivendo uma religiosidade enganosa, que supre limitadamente apenas a si mesmo.

 

VIVER COM PACIÊNCIA, ESPERANÇA E PERSEVERANÇA – Romanos 8.18-25

  Pregado em 03 de maio de 2020 sexto sermão na Pademia                                                                                     ...