quarta-feira, 20 de abril de 2022

O SENHOR É DEUS LIBERTADOR - A PÁSCOA - lEVÍTICO 23.4-8 - Sermão 27

Pregado em 03 de fevereiro de 2019 



                                                   LEVÍTICO 23.4-8

4São estas as festas fixas do Senhor, as santas convocações, que proclamareis no seu tempo determinado: 5no mês primeiro, aos catorze do mês, no crepúsculo da tarde, é a Páscoa do Senhor6E aos quinze dias deste mês é a Festa dos Pães Asmos do Senhor; sete dias comereis pães asmos. 7No primeiro dia, tereis santa convocação; nenhuma obra servil fareis; 8mas sete dias oferecereis oferta queimada ao Senhor; ao sétimo dia, haverá santa convocação; nenhuma obra servil fareis.

 

A páscoa era uma celebração ao Deus libertador.

O termo original é “Pessach’ e significa, passagem, em referência à passagem do anjo da morte por ocasião da noite da Décima Praga no Egito. Foi a noite onde os primogênitos morreriam, a não ser que o sangue de um cordeiro fosse colocado na porta. Se houvesse na porta o sangue de um cordeiro, o anjo da morte passaria por cima daquela casa e o primogênito seria salvo. Foi também o que motivou a saída do povo de Israel do Egito depois de mais de 400 anos. Estas duas coisas, a salvação dos primogênitos e a saída do Egíto, seriam lembrados pela comemoração da Páscoa. A celebração ocorreria no décimo quarto dia do mês de Nisã ou Abibe, que corresponde a março e abril do nosso calendário. 

Os elementos da Páscoa era um cordeiro que seria morto e que seria comido com ervas amargas e pão sem fermento. O cordeiro era chamado de “cordeiro pascal”, porque aquele cordeiro havia sido morto em lugar dos primogênitos de Israel e também havia sido o motivo da libertação do povo do Egito. 

A Páscoa israelita ou judaica passou a ser a festa mais importante porque lembrava que Deus os havia libertado do Egito. Ela é comemorada até hoje pelos israelitas. Ela, comemorava um fato real, histórico para o povo, tinha um dia específico e era um memorial, pois lembrava de algo específico. Mas também e acima de tudo, do ponto de vista divino, ela apontava para a verdadeira páscoa, que era a salvação eterna, provida pelo verdadeiro cordeiro, que era Jesus. A Páscoa era sombra, tipo ou representação da obra de Jesus na cruz.

Jesus comemorou a Páscoa junto com os discípulos e durante a refeição, durante a Ceia, ele instituiu o que chamamos de “A Ceia do Senhor” ou “Santa Ceia”.  

Marcos 14. 22 E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo.

23 A seguir, tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele.

24 Então, lhes disse: Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos.

Neste momento Jesus cumpre a Ceia Israelita, dá sentido pra ela e a suplanta, porque ele era o verdadeiro cordeiro que aquele representava. O sangue daquele cordeiro representava o sangue de Jesus e as ervas amargas representava todo o sofrimento que ele teria que passar. Naquele momento a Páscoa judaica foi substituída pela Ceia do Senhor que era a cerimônia que inaugurava a Nova Aliança cumprindo a Antiga. 

João Batista, o último profeta quando viu Jesus já havia declarado - “Eis o crodeiro de Deus que tira o pecado do mundo” - João 1.29

Na refeição da Páscoa, Jesus tomou pão e mergulhou no recipiente onde estavam as ervas amargas - que representavam a ira de Deus e o sofrimento do cordeiro e disse - “tomai, comei, isto é o meu corpo”. Depois de comer o pão, ele toma a taça com vinho, que representava o sangue do cordeiro e diz - “Isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos.”

Jesus estava cumprindo a Páscoa e ele mesmo estava se transformando na Páscoa. A verdadeira Páscoa era ele. O verdadeiro cordeiro era ele. O verdadeiro sangue era o dele. As ervas amargas era o seu sofrimento. A verdadeira libertação e salvação era devido a ele. Era ele. Era ele.

A Páscoa, quatro ações divinas:

1 - Na Páscoa, a morte do cordeiro substituiu quem deveria morrer - A primeira ação - Expiação.

Na noite da Pessach, o cordeiro foi morto em lugar dos primogênitos. Houver ali a substituição. O cordeiro morreu para que os primogênitos israelitas que Deus desejava preservar não morressem. Aqui está resumida toda a doutrina cristã, tudo o que um cristão mais crê. Sendo Jesus o cordeiro de Deus ele morreu em lugar dos pecadores a quem Deus queria salvar. O cordeiro foi o substituto. Sendo Jesus o verdadeiro cordeiro, ele nos substituiu. Ele morreu para que tenhamos a vida. Ele sofreu o juízo divino para que nós fiquemos livres desta juízo. Ele sofreu a condenação, para que nós não fossemos julgados e condenados.

2 - Na Páscoa, a morte do cordeiro eliminava o medo da morte - A segunda ação - Justificação.

Na noite da Pessach, o anjo da morte passaria de casa em casa. Havia medo da morte. Pais e filhos viveriam uma noite de terror. Mas o sangue do cordeiro na porta era a libertação para este medo. Quando o anjo da morte visse o sangue, ele passaria por cima. Aqui está a grande lição da justificação. Deus nos justifica, nos salva pela morte de seu cordeiro. Somos livres da condenação do pecado, somos declarados não condenados pelos méritos de Jesus. Justificados pela morte substitutiva de Jesus, os cristãos são livres da culpa e do medo e vivem uma vida alegre e satisfeita diante de Deus. 

3 - Na Páscoa, a morte do cordeiro libertava da morte e foi a causa da libertação da escravidão -  A terceira ação - Redenção.

Na noite da Pessach, as casas israelitas ficaram livres da morte e no dia seguinte ficariam livres também da escravidão. Aqui mais uma vez vemos representada a fundamental doutrina cristã da redenção que é síntese da salvação. Somos salvos da morte eterna e ficamos livres do pecado. O cristão vive a verdadeira liberdade. Não se trata apenas de liberdade da condenação do pecado, mas também vida livre, com liberdade para uma vida nova. 

4 - Na Páscoa, a morte do cordeiro, deu  nova vida aos filhos dos israelitas e tornou os israelitas filhos de Deus - A quarta ação - Adoção.

Na noite da Pessach, os primogênitos foram livres da morte e Israel passou a ser chamado de “meu primogênito.”

Oséias, o profeta, séculos mais tarde, ele vai interpretar a Páscoa da seguinte forma: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho.” Oséias 11.1

Quando Moisés é enviado por Deus para falar com Faraó para deixar o povo ir ele o instruiu da seguinte forma:

Êxodo 4 - 21 Disse o SENHOR a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo.

22 Dirás a Faraó: Assim diz o SENHOR: Israel é meu filho, meu primogênito.

23 Digo-te, pois: deixa ir meu filho, para que me sirva; mas, se recusares deixá-lo ir, eis que eu matarei teu filho, teu primogênito.

Isto se tornou pleno em Jesus e anuncia a doutrina da Adoção ou Filiação - como está declarado em João 1.12 - “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos Filhos de Deus”.

Romanos 8.14-17 - Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15 Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. 16 O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. 17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.

Esta identidade jubilosos de todos os que crêem em Cristo no presente. Somos filhos de Deus e deveríamos viver como filhos. Como herdeiros. Sabendo que somos amados por Deus.

5 - Na Páscoa, a morte do cordeiro foi uma provisão divina para as famílias - A quarta ação - A graça.

Na noite da Pessach, as famílias experimentaram a maravilhosa graça de Deus. Os filhos foram livres por que Deus providenciou a substituição. No outro dia, os israelitas foram livres, porque Deus providenciou esta libertação. A redenção não se baseou nos esforços dos escravos, mas mediante uma solução divina. A graça de Deus foi revelada plenamente em Jesus. Ele é a graça de Deus. Ele quem perdoa nossos pecados. Ele quem nos livra do juízo divino. Ele quem nos leva a Deus. Ele quem nos faz ser aceitos por Deus. A graça de Deus é Jesus. Estávamos condenados à morte, ele nos livrou. Estávamos condenados pelo juízo, ele nos libertou.

Hoje, não celebramos mais a Páscoa Judaica, porque ela era Cristo.

Hoje, celebramos a Ceia do Senhor, que nos identifica com a obra de Jesus.

Hoje, somos salvos, justificados, libertos da condenação, adotados por Deus como filhos e desfrutamos da graça de Deus.

Hoje, temos Jesus, que é a provisão de Deus para tudo e deveríamos não apenas exercer uma fé fria, intelectual, teológica, formal nele - mas deveríamos desfrutar dele como o maior prazer da vida, a maior realização da vida. A maior dádiva para a nossa alma.




O SENHOR É O DEUS DA CRIAÇÃO E DA REDENÇÃO – O SÁBADO, DESCANSO SOLENE. Levítico 23.1-3 - Sermão 26

 Pregado em 27 de janeiro de 2019


Levítico 23.1-3

1Disse o Senhor a Moisés: 2Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As festas fixas do Senhor, que proclamareis, serão santas convocações; são estas as minhas festas. 3 Seis dias trabalhareis, mas o sétimo será o sábado do descanso solene, santa convocação; nenhuma obra fareis; é sábado do Senhor em todas as vossas moradas.


O sábado era sombra do descanso da salvação por meio de Jesus.

O sábado era o dia mais importante para o Israelita. Era um sinal da aliança de Deus com seu povo. Não observar o sábado era uma afronta à soberania de Deus sobre a vida e sobre, o tempo e sobre a providência divina. O sábado era o sinal da benevolência de Deus. O sábado era um dia para Deus, em que Deus beneficiava os seus filhos. Era um dia para descansar. Descansar de todo o trabalho. O descanso do trabalho era uma bênção de Deus porque as pessoas poderiam desfrutar do que o Senhor lhes havia dado como Deus da Aliança.

O sábado fornecia um alivio benevolente das durezas do labor diário. Este dia era um prenúncio do descanso futuro que Deus havia prometido aos seus filhos. Se Deus não pedisse um dia, seus próprios filhos não lhe dariam, como até hoje não dão. Ver Ecl. 3.22-23 

A dádiva do Sábado lembrava dois acontecimentos para o povo de Israel: O primeiro era a criação do mundo. O sábado era um memorial que celebrava o Senhor, como Deus da criação. O segundo era redenção de Israel. “Eu sou o Senhor de que te tirou da terra do Egito.” O sábado, portanto, também era um memorial que lembrava que Deus havia libertado o seu povo da opressão do Egito. O sábado era um memorial que celebrava, Deus como o Senhor da redenção. 

1 – O SENHOR DO SÁBADO É O DEUS DA  CRIAÇÃO

O sábado foi o dia mais importante da criação, pois foi o dia em que Deus proclamou que a criação estava completa em todas as suas perfeições.  É o único dia da criação que diz que Deus “santificou” (Gn 2.1-3). O sétimo dia era santo porque era o dia da semana reservado para o reconhecimento de Deus como criador e provedor de tudo o que era desfrutado por seus filhos. O dia de sábado era contado a cada sete dias, isso mostrava que o Deus era o Senhor do tempo. 

2 – O SENHOR DO SÁBADO É O DEUS  DA REDENÇÃO

O segundo memorial era a libertação do povo da opressão do Egito – Dt 5.14-15 

O sábado, portanto, trazia à memória essas duas características da graça de Deus como criador e redentor. Quando os israelitas faziam esta pausa semanal para se lembrarem do Senhor, eles estavam reconhecendo que eram o povo de Deus; do criador e redentor de seu povo.  Além disso, o sábado como memorial da criação indicava que o a celebração do Deus criador era uma dádiva para a toda criação. Aquele que celebrava o descanso do sábado incluía toda a criação à sua volta. A família se incluía na ordem do cosmos, da criação, do Deus criador por meio da observância do sábado.  Havia o sábado semanal para a família, para os estrangeiros da casa e também para os animais e havia um sábado para a terra também.   Êxodo 23. 10 -12

O sábado era exclusivo de Israel, não era praticado por nenhum outro povo da antiguidade. O sábado era uma identificação com o Deus criador. Fazia parte da identidade do povo de Israel. 

3 – O SENHOR DO SÁBADO É O DEUS DO PACTO

A Expressão “descanso solene”, nos leva a um sentido de devoção extrema e máxima. A solenidade do descanso nos leva a um sentido maior, ao plano divino, ao pacto eterno. Todos os que faziam parte do povo da aliança e todos os estrangeiros da terra deveriam desfrutar como dádiva, como graça esse tempo de regozijo por causa do relacionamento de Israel com Deus como Criador e redentor. O sábado, sendo o sinal principal da lealdade pactual ao Senhor, era um chamado para outras nações ao Senhor. O descanso do sábado, dentro da perspectiva do pacto era uma sobra do descanso eterno que seria provido por Cristo. Na carta aos Hebreus é desvendado este descanso que o sábado representava. Hebreus 4.4 -11

Aqui está sendo interpretado o significado do sábado. O que sábado representava e como ele foi cumprido em Jesus. O descanso sábado apontava para o descanso que é desfrutado em Cristo. O descanso no deserto representava a entrada na terra prometida, quando o povo iria descansar. Josué 21.44  

Mas este descanso não foi perfeito, porque o perfeito ainda estava por vir. O descanso sabático era uma esperança.  Aqueles que não obedeceram a Deus morreram no deserto e não entraram na terra. Aqueles que entraram na terra, entraram na terra simbólica, que representava a terra verdadeira, a salvação.

O escritor aos hebreus lembrou aos cristãos da infidelidade de Israel, que impediu a muitos de entraram no descanso, e insistiu que não hesitemos em nossa fé, mas que confiemos em Deus que nos dará um descanso eterno. Esse descanso já desfrutamos agora por meio do perdão dos pecados, da justificação, da salvação.

4 – O SENHOR DO SÁBADO É O SENHOR DA NOVA CRIAÇÃO.

A antiga aliança foi cumprida com a inauguração da Nova Aliança. Hebreus 7.11-12,18-19 Uma vez que a antiga aliança foi cumprida pela inauguração da nova, a importância simbólica dos dias santos não mais existia. As sombras foram substituídas pela realidade que é Jesus.

Os cristãos desde o início, entenderam que o dia da ressurreição de Jesus era fim do sábado, no sentido que ele foi cumprido e um novo dia começou. O descanso simbólico deu lugar ao verdadeiro descanso que é Jesus. O sabath apontava para o descanso completo que é Cristo, a salvação. O primeiro descanso que recebemos é que não necessitamos mais trabalhar por nossa salvação. Não há obra para realizar para a salvação, pois toda a obra já cessou, foi realizada plenamente em Cristo.

A obra da salvação transformou o descanso semanal. Já não é o sétimo dia da semana, mas o primeiro. Já não mais chamado de sábado, mas de Dia do Senhor.

Os apóstolos entenderam e praticaram isso. A igreja cristã sempre praticou isso.

Veja o que Inácio, no segundo século afirmou sobre a igreja: “já não observam o sábado, mas direcionam a vida para o dia do Senhor, no qual a vida é renovada por Ele e por sua morte.”

Benjamin Warfield – “Cristo levou o sábado à sepultura consigo e trouxe o dia do Senhor da sepultura consigo na manhã da ressurreição.”

Portanto, o sábado cerimonial passou, porque ele representava a salvação em Cristo. O sábado civil passou, porque não somos israelitas – mas o sábado como mandamento é perpétuo. Santificar o sábado é “um preceito positivo, moral e perpétuo” CFW XXI.7

Desfrute o refrigério da alma, o descanso que Jesus proporciona.

Não seja ingrato e profano, desprezando este descanso,  deixando que o mundo e as coisas do mundo te faça cansado o tempo todo por causa dos fardos que lança sobre ti.

Priorize o dia do Senhor para agradecer sua benevolência, sua salvação, o perdão dos pecados e a certeza do descanso eterno.



terça-feira, 19 de abril de 2022

O SACERDOTE COMO MODELO DE VERDADEIRA ADORAÇÃO A DEUS. Levítico 22 - Sermão 25

 Pregado em 20 de janeiro de 2019


                                           Levítico 22
1Disse o Senhor a Moisés: 2Dize a Arão e aos seus filhos que se abstenham das coisas sagradas, dedicadas a mim pelos filhos de Israel, para que não profanem o meu santo nome. Eu sou o Senhor. 3Dize-lhes: Todo homem, que entre as vossas gerações, de toda a vossa descendência, se chegar às coisas sagradas que os filhos de Israel dedicam ao Senhor, tendo sobre si a sua imundícia, aquela alma será eliminada de diante de mim. Eu sou o Senhor. 4Ninguém da descendência de Arão que for leproso ou tiver fluxo comerá das coisas sagradas, até que seja limpo; como também o que tocar alguma coisa imunda por causa de um morto ou aquele com quem se der a emissão do sêmen; 5ou qualquer que tocar algum réptil, com o que se faz imundo, ou a algum homem, com o que se faz imundo, seja qual for a sua imundícia. 6O homem que o tocar será imundo até à tarde e não comerá das coisas sagradas sem primeiro banhar o seu corpo em água. 7Posto o sol, então, será limpo e, depois, comerá das coisas sagradas, porque isto é o seu pão. 8Do animal que morre por si mesmo ou é dilacerado não comerá, para, com isso, não contaminar-se. Eu sou o Senhor. 9Guardarão, pois, a obrigação que têm para comigo, para que, por isso, não levem sobre si pecado e morram, havendo-o profanado. Eu sou o Senhor, que os santifico.
10Nenhum estrangeiro comerá das coisas sagradas; o hóspede do sacerdote nem o seu jornaleiro comerão das coisas sagradas. 11Mas, se o sacerdote comprar algum escravo com o seu dinheiro, este comerá delas; os que nascerem na sua casa, estes comerão do seu pão. 12Quando a filha do sacerdote se casar com estrangeiro, ela não comerá da oferta das coisas sagradas. 13Mas, se a filha do sacerdote for viúva ou repudiada, e não tiver filhos, e se houver tornado à casa de seu pai, como na sua mocidade, do pão de seu pai comerá; mas nenhum estrangeiro comerá dele. 14Se alguém, por ignorância, comer a coisa sagrada, ajuntar-se-lhe-á a sua quinta parte e a dará ao sacerdote com a coisa sagrada. 15Não profanarão as coisas sagradas que os filhos de Israel oferecem ao Senhor, 16pois assim os fariam levar sobre si a culpa da iniquidade, comendo as coisas sagradas; porque eu sou o Senhor, que os santifico.
17Disse mais o Senhor a Moisés: 18Fala a Arão, e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel e dize-lhes: Qualquer que, da casa de Israel ou dos estrangeiros em Israel, apresentar a sua oferta, quer em cumprimento de seus votos ou como ofertas voluntárias, que apresentar ao Senhor em holocausto, 19para que seja aceitável, oferecerá macho sem defeito, ou do gado, ou do rebanho de ovelhas, ou de cabras. 20Porém todo o que tiver defeito, esse não oferecereis; porque não seria aceito a vosso favor. 21Quando alguém oferecer sacrifício pacífico ao Senhor, quer em cumprimento de voto ou como oferta voluntária, do gado ou do rebanho, o animal deve ser sem defeito para ser aceitável; nele, não haverá defeito nenhum. 22O cego, ou aleijado, ou mutilado, ou ulceroso, ou sarnoso, ou cheio de impigens, não os oferecereis ao Senhor e deles não poreis oferta queimada ao Senhor sobre o altar. 23Porém novilho ou cordeiro desproporcionados poderás oferecer por oferta voluntária, mas, por voto, não será aceito. 24Não oferecereis ao Senhor animal que tiver os testículos machucados, ou moídos, ou arrancados, ou cortados; nem fareis isso na vossa terra. 25Também da mão do estrangeiro nenhum desses animais oferecereis como pão do vosso Deus, porque são corrompidos pelo defeito que há neles; não serão aceitos a vosso favor.
26Disse mais o Senhor a Moisés: 27Quando nascer o boi, ou cordeiro, ou cabra, sete dias estará com a mãe; do oitavo dia em diante, será aceito por oferta queimada ao Senhor. 28Ou seja vaca, ou seja ovelha, não imolarás a ela e seu filho, ambos no mesmo dia. 29Quando oferecerdes sacrifício de louvores ao Senhor, fá-lo-eis para que sejais aceitos. 30No mesmo dia, será comido; e, dele, nada deixareis ficar até pela manhã. Eu sou o Senhor. 31Pelo que guardareis os meus mandamentos e os cumprireis. Eu sou o Senhor. 32Não profanareis o meu santo nome, mas serei santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o Senhor, que vos santifico, 33que vos tirei da terra do Egito, para ser o vosso Deus. Eu sou o Senhor.

 

O Sacerdote era símbolo, tipo, sombra ou representação de Jesus.

Este capítulo é uma continuação, uma sequência do capítulo anterior. Uma continuidade nos mandamentos para os sacerdotes ordenados no texto anterior. Lembrando que o livro no original não foi dividido em capítulos e versículos. 

No capitulo anterior vimos ordenanças sobre o zelo que sacerdote deveria ter em algumas áreas importantes.

Em primeiro lugar em deveria zelar pela pureza religiosa – vs 1-6

Em segundo lugar, ele deveria zelar pela pureza moral da sua família – vs 7-15

Em terceiro lugar, deveria zelar pela pureza de si mesmo – vs 16-21

Em quarto lugar, deveria zelar pela pureza dos rituais do culto – vs 22-24

Nesta continuação as ordenanças  são na mesma ordem e nas mesmas áreas, mas focando no cuidado com as coisas mencionadas em relação à aceitação divina. No texto anterior o foco era a pessoa dos sacerdotes e seu zelo, agora o foco é no serviço e na aceitação divina.

O sacerdote, falamos na exposição anterior, representava o próprio Senhor Jesus. Falamos que o sacerdócio não está mais em validade hoje, pois Jesus foi o cumprimento do sacerdócio. Ele é o verdadeiro sacerdote que estes do texto representavam, simbolizavam, eram sombras ou eram tipos. Falamos também que Jesus cumpriu este texto. Falamos também que estas ordenanças , nas suas proposições, no espírito do seu significado, tem a ver conosco, pois hoje não existe mais o sacerdócio mediador, mas que somos um reino de sacerdotes. 1 Pedro 2.5 também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.

Apocalipse  1.5 Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, 6 e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!

Somos reis e sacerdotes e somos chamados a viver isso em santidade.

E nos santificamos na medida em que conhecemos e seguimos as ordenanças do Senhor.

Nas ordenanças aos sacerdotes temos uma clareza sobre o ministério sacerdotal de Jesus e temos também o exemplo de como devemos nos comportar e viver diante das coisas sagradas.

1 – O SACERDOTE DEVERIA ZELAR POR APRESENTAR-SE ADEQUADO AO SERVIÇO SAGRADO – Vs 1-9

Como sacerdotes eles tinham que cuidar para não ter contado com nada que fosse considerado impuro. Como eles foram escolhidos para oferecer sacrifícios a Deus, eles deveriam ter o cuidado de viver de acordo com a responsabilidade, missão e ofício que tinham. Também, Deus exigia tal postura e compostura, pois eles eram tipos, sombras ou representavam Jesus.

Eles deveriam obedecer ao Senhor no manuseio das coisas sagradas, ou então seriam mortos. 

v.9 - Guardarão, pois, a obrigação que têm para comigo, para que, por isso, não levem sobre si pecado e morram, havendo-o profanado. Eu sou o SENHOR, que os santifico.

Vejam como a graça e a misericórdia do Senhor de multiplicaram sobre a igreja. Hoje a pena de morte por causa do pecado é adiada até o dia Juízo. Deus demonstra sobre a igreja toda a sua longanimidade. Não que a bondade, graça, misericórdia e benevolência não estivessem sobre o povo de Israel, tanto que existem poucos casos de mortes imediatas em Israel, a não ser pecados graves e coletivos.

Os sacerdotes carregavam um fardo especial de responsabilidade e dever, mas aqueles que amavam o ofício, faziam as coisas e viviam com prazer diante de tudo e acima de tudo. 

Não era esperado que os sacerdotes fossem perfeitos, já que a purificação ritual é descrita nesta passagem.  É esperado ainda hoje na igreja que as pessoas deem bom testemunho, pois professam a fé cristã. No caso de obreiros da igreja, cuja vida não corresponda à pureza requerida pelo ofício, vai, cedo ou tarde, demonstrar isso, e poderá prejudicar o testemunho da igreja e a saúde espiritual dos membros sob seus cuidados. 

2 – O SACERDOTE DEVERIA ZELAR PELA SANTIDADE DE SUA FAMÍLIA – vs 10-20

No texto anterior vimos que o sacerdote deveria zelar pela pureza moral de sua família, incluindo seus filhos e filhas. Não era admissível que um sacerdote praticasse ou permitisse imoralidade na sua família.  As famílias dos sacerdotes eram beneficiadas pelo ofício deles. Eles comiam bem, pois eles recebiam porções das ofertas apresentadas. Além disso, Deus ordenou que todas as famílias das outras tribos dessem dízimos e primícias a eles. Sobre as porções das ofertas, apenas o sacerdotes e seus dependentes, no caso filhos solteiros poderiam comer, e os demais familiares, servos, visitantes deveriam ser atendidos com o que era doado em forma de dízimos e primícias aos sacerdotes. A igreja herdou este cuidado da Lei de Deus. A Igreja, desde seu início, sempre foi solícita com as necessidades de seus obreiros e de cada família necessitada. 

3 – O SACERDOTE DEVERIA ZELAR PELA FORMA, OU EM COMO TUDO SERIA APRESENTADO A DEUS. vs21-25

Vimos na exposição anterior que o sacerdote deveria zelar pela pureza ritual. Aquilo que era apresentado a Deus, deveria ser apresentado da forma correta. A forma também era ordenada por Deus e não apenas a essência. Não apenas o que era apresentado era importante, mas também a forma como seria apresentado seria importante.  Eles não poderiam oferecer nada de uma forma inventada, adaptada ou improvisada.

A tradição reformada calvinista adota esta postura no culto. O culto deve ser prescrito por Deus ou ser de acordo com aquilo que está prescrito nas Escrituras.

 

4 – O SACERDOTE DEVERIA ZELAR POR AQUILO QUE SERIA APRESENTADO A DEUS. vs 26-33

As ofertas eram consideradas especiais. No caso dos animais, somente os domésticos, as criações, eram aceitos. Veja que havia cuidados especiais. Também os alimentos, quando oferecidos, deveriam ser comidos no mesmo dia, para evitar que mofassem ou ficassem podres.  A carne não poderia passar de dois dias.

Todas estas coisas, o autor aos Hebreus vai dizer – eram sombras – da nova aliança. A Nova Aliança e seu Mediador, Jesus são o Plano Perfeito de Deus. É coisa santa. Por isso, aqueles sacerdotes e aquelas ofertas precisavam serem dignos daquilo que representavam, o perfeito e santo Filho de Deus. 

Hoje precisamos entender que tudo foi obra da misericórdia e graça de Deus. A Bíblia fala a linguagem da misericórdia e da graça de Deus. Tudo o que se refere à nossa salvação é misericórdia e graça. Tudo o que se refere à Igreja é misericórdia e graça. Somo salvos pela graça. Vivemos pela graça. 

CONSIDERAÇÕES PARA A PRÁTICA DE NOSSA DEVOÇÃO A DEUS

1 - Deveríamos transbordar graça em cada detalhe de nossa vida. Ao mesmo tempo em que deveríamos transbordar santidade em todos os detalhes da nossa vida.

2 - O custo da morte do nosso Senhor Jesus Cristo foi incomparável. Assim sendo, nós que recebemos perdão dos nossos pecados, deveríamos viver uma vida correspondente a esta graça. 

3 -  Assim como os sacerdotes ofereciam a vida ao Senhor de forma completa, somos chamados a oferecer-nos complemente ao serviço do Senhor, sejamos obreiros ou leigos na igreja.

O Apóstolo Paulo fez este apelo aos irmãos, que corresponde ao mesmo apelo à santidade em Levítico.  Romanos 12.1-2 

O SACERDOTE E O EXEMPLO DA VERDADEIRA APLICAÇÃO DOS MANDAMENTOS - Levítico 21 - Sermão 26

 Pregado em 13 de janeiro de 2019


 Levítico 21

1Disse o Senhor a Moisés: Fala aos sacerdotes, filhos de Arão, e dize-lhes: O sacerdote não se contaminará por causa de um morto entre o seu povo, 2salvo por seu parente mais chegado: por sua mãe, e por seu pai, e por seu filho, e por sua filha, e por seu irmão; 3e também por sua irmã virgem, chegada a ele, que ainda não teve marido, pode contaminar-se. 4Ele, sendo homem principal entre o seu povo, não se contaminará, pois que se profanaria. 5Não farão calva na sua cabeça e não cortarão as extremidades da barba, nem ferirão a sua carne. 6Santos serão a seu Deus e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do Senhor, o pão de seu Deus; portanto, serão santos. 7Não tomarão mulher prostituta ou desonrada, nem tomarão mulher repudiada de seu marido, pois o sacerdote é santo a seu Deus. 8Portanto, o consagrarás, porque oferece o pão do teu Deus. Ele vos será santo, pois eu, o Senhor que vos santifico, sou santo. 9Se a filha de um sacerdote se desonra, prostituindo-se, profana a seu pai; será queimada.
10O sumo sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi derramado o óleo da unção, e que for consagrado para vestir as vestes sagradas, não desgrenhará os cabelos, nem rasgará as suas vestes. 11Não se chegará a cadáver algum, nem se contaminará por causa de seu pai ou de sua mãe. 12Não sairá do santuário, nem profanará o santuário do seu Deus, pois a consagração do óleo da unção do seu Deus está sobre ele. Eu sou o Senhor. 13Ele tomará por mulher uma virgem. 14Viúva, ou repudiada, ou desonrada, ou prostituta, estas não tomará, mas virgem do seu povo tomará por mulher. 15E não profanará a sua descendência entre o seu povo, porque eu sou o Senhor, que o santifico.
16Disse mais o Senhor a Moisés: 17Fala a Arão, dizendo: Ninguém dos teus descendentes, nas suas gerações, em quem houver algum defeito se chegará para oferecer o pão do seu Deus. 18Pois nenhum homem em quem houver defeito se chegará: como homem cego, ou coxo, ou de rosto mutilado, ou desproporcionado, 19ou homem que tiver o pé quebrado ou mão quebrada, 20ou corcovado, ou anão, ou que tiver belida no olho, ou sarna, ou impigens, ou que tiver testículo quebrado. 21Nenhum homem da descendência de Arão, o sacerdote, em quem houver algum defeito se chegará para oferecer as ofertas queimadas do Senhor; ele tem defeito; não se chegará para oferecer o pão do seu Deus. 22Comerá o pão do seu Deus, tanto do santíssimo como do santo. 23Porém até ao véu não entrará, nem se chegará ao altar, porque tem defeito, para que não profane os meus santuários, porque eu sou o Senhor, que os santifico. 24Assim falou Moisés a Arão, aos filhos deste e a todos os filhos de Israel.


O sacerdote era o símbolo da Antiga Aliança.

 Ele era o representante de Deus para o povo e o representante do povo para Deus. Ele era, portanto, um mediador. Ele era separado e ungido para tal ofício. Deveria pertencer à tribo de Levi e ser descendente de Arão.

Ele faria os ofícios dos sacrifícios. O povo deveria ir até ele para oferecer seu culto a Deus e ele seria o mediador do culto.

O sacerdote, como já vimos, tinha uma razão de ser. Ele representava Cristo. Jesus é o verdadeiro sacerdote que o sacerdócio israelita representava. O livro de Hebreus é o espelho do Levítico e vai mostrar que o sacerdote israelita era imperfeito, Cristo era perfeito. O sacerdote israelita oferecia um sacrifício temporário, Cristo um sacrifício permanente e eterno.

O sacerdócio israelita teria validade até que Jesus viesse.

Sendo o sacerdote um tipo de Cristo e a congregação israelita um tipo da igreja – os princípios dos mandamentos para o sacerdócio, tem a ver com Cristo e com a igreja. Ou seja conosco. Tudo o que foi ensinado aos sacerdotes, deve ser observado por nós como princípios de santidade.

I - O SACERDOTE DEVERIA ZELAR PELA PUREZA RELIGIOSA – vs 1 - 6

As religiões pagãs da época cultuavam a morte e os mortos. Era comum uma veneração à morte, pois geralmente se cultuava os antepassados.

Os sacerdotes eram proibidos de comparecer a cerimônias fúnebres a não ser de parentes próximos. As religiões do oriente próximo, e a maioria das religiões do mundo todo, costumavam promover o uso de santuários familiares e cultuar os mortos. As religiões pagãs também valorizavam as moças virgens, das famílias sacerdotais por que criam que a pureza delas interessava aos deuses. A virgindade em Israel, era valorizada em função do casamento e de fidelidade ao pai e depois ao futuro noivo.

Em nossa aplicação devemos reafirmar a pureza da nossa fé.

Não deveríamos acrescentar nenhum resquício de paganismo ao nosso cristianismo. A cultura de cada época obviamente influencia a fé cristã, no sentido que o cristianismo sempre se adequou à cultura, até o ponto de não relativizar seus padrões, princípios e pressuposições essenciais.

II - O SACERDOTE DEVERIA ZELAR PELA PUREZA MORAL DA SUA FAMÍLIA – vs 7-15

O mandamento de que o sacerdote não deveria casar-se com uma mulher que havia sido prostituta ou divorciada, é porque ele representava Jesus e a igreja. A família do sacerdote deveria ser a primeira a observar os mandamentos, por causa do que ela representava.

III - O SACERDOTE DEVERIA ZELAR PELA PUREZA DE SI MESMO – vs 16 -21

Um sacerdote não poderia ter nenhum defeito físico. Aqui também era porque ele representava a perfeição de Jesus. Os defeitos físicos eram o defeitos aparentes, indicando que esta perfeição deveria atingir as áreas mais profundas da vida. Veja que não envolvia os ofícios mais básicos, mas as funções principais e o oficio de sumo sacerdote.

Obviamente, isso tem a ver com o tipo que ele representava e não tem a ver com os ofícios de hoje. Um pastor, por exemplo, pode não ter um olho, um braço etc. Não é disto que o texto está falando, mas sobre Jesus.

Ele é o sacerdote perfeito. E por ser um sacerdote perfeito, oferece o sacrifício perfeito.

IV - O SACERDOTE DEVERIA ZELAR PELA PUREZA DOS RITUAIS DO CULTO – vs 22 -24

Veja que o texto fala aqui da santidade do ritual. Ele poderia fazer determinados rituais, mas outros não eram permitidos.

Tudo deveria ser de acordo com as ordens divinas.

O que precisamos aprender aqui é que a verdadeira religião se pratica com aquilo que é verdadeiro e aceito por Deus. Isso devemos levar muito a sério. 

Mas o que fica mesmo para nós hoje, é sabermos que o perfeito já veio.

Os rituais da Antiga Aliança eram imperfeitos, temporários e ineficazes para a salvação. O sacerdote perfeito já veio e é nosso perfeito mediador.

O sacrifício perfeito já foi oferecido e já nossos pecados são perdoados. A nossa salvação foi alcançada.

Temos um sacerdote perfeito a quem podemos recorrer para nos socorrer. Ele pode nos salvar e nos manter salvos. Ele pode nos perdoar e nos manter perdoados. 

Hebreus 7.18-28 -18Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade 19(pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus. 20E, visto que não é sem prestar juramento (porque aqueles, sem juramento, são feitos sacerdotes, 21mas este, com juramento, por aquele que lhe disse: O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre); 22por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança.

23Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; 24este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. 25Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. 26Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, 27que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu. 28Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre.

  Hebreus 4.14-16 - 14Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. 15Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. 16Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.


OS FUNDAMENTOS QUE SUSTENTAM A FORMA DE VIDA DO POVO DE DEUS. Levítico 20 - Sermão 25

pregado em 06 de janeiro de 2019



                                                              Levítico 20  

1Disse mais o Senhor a Moisés: 2Também dirás aos filhos de Israel: Qualquer dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam em Israel, que der de seus filhos a Moloque será morto; o povo da terra o apedrejará. 3Voltar-me-ei contra esse homem, e o eliminarei do meio do seu povo, porquanto deu de seus filhos a Moloque, contaminando, assim, o meu santuário e profanando o meu santo nome. 4Se o povo da terra fechar os olhos para não ver esse homem, quando der de seus filhos a Moloque, e o não matar, 5então, eu me voltarei contra esse homem e contra a sua família e o eliminarei do meio do seu povo, com todos os que após ele se prostituem com Moloque.
6Quando alguém se virar para os necromantes e feiticeiros, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra ele e o eliminarei do meio do seu povo. 7Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o Senhor, vosso Deus. 8Guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o Senhor, que vos santifico. 9Se um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue cairá sobre ele.
10Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera. 11O homem que se deitar com a mulher de seu pai terá descoberto a nudez de seu pai; ambos serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles. 12Se um homem se deitar com a nora, ambos serão mortos; fizeram confusão; o seu sangue cairá sobre eles. 13Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles. 14Se um homem tomar uma mulher e sua mãe, maldade é; a ele e a elas queimarão, para que não haja maldade no meio de vós. 15Se também um homem se ajuntar com um animal, será morto; e matarás o animal. 16Se uma mulher se achegar a algum animal e se ajuntar com ele, matarás tanto a mulher como o animal; o seu sangue cairá sobre eles.
17Se um homem tomar a sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe, e vir a nudez dela, e ela vir a dele, torpeza é; portanto, serão eliminados na presença dos filhos do seu povo; descobriu a nudez de sua irmã; levará sobre si a sua iniquidade. 18Se um homem se deitar com mulher no tempo da enfermidade dela e lhe descobrir a nudez, descobrindo a sua fonte, e ela descobrir a fonte do seu sangue, ambos serão eliminados do meio do seu povo. 19Também a nudez da irmã de tua mãe ou da irmã de teu pai não descobrirás; porquanto descobriu a nudez da sua parenta, sobre si levarão a sua iniquidade. 20Também se um homem se deitar com a sua tia, descobriu a nudez de seu tio; seu pecado sobre si levarão; morrerão sem filhos. 21Se um homem tomar a mulher de seu irmão, imundícia é; descobriu a nudez de seu irmão; ficarão sem filhos.
22Guardai, pois, todos os meus estatutos e todos os meus juízos e cumpri-os, para que vos não vomite a terra para a qual vos levo para habitardes nela. 23Não andeis nos costumes da gente que eu lanço de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; por isso, me aborreci deles. 24Mas a vós outros vos tenho dito: em herança possuireis a sua terra, e eu vo-la darei para a possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos separei dos povos. 25Fareis, pois, distinção entre os animais limpos e os imundos e entre as aves imundas e as limpas; não vos façais abomináveis por causa dos animais, ou das aves, ou de tudo o que se arrasta sobre a terra, as quais coisas apartei de vós, para tê-las por imundas. 26Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus. 27O homem ou mulher que sejam necromantes ou sejam feiticeiros serão mortos; serão apedrejados; o seu sangue cairá sobre eles.


A observância e o amor aos mandamentos, identifica a cultura verdadeiramente cristã.

Como cultura, queremos dizer o modo de vida, de pensamento e de expressão de uma comunidade ou povo.

Como vimos anteriormente, o propósito imediato da Lei era a identificação do povo com o Senhor em sua santidade. Uma vez que a perversidade do paganismo era uma conformação com seus deuses que eles mesmos criaram – por isso, os deuses refletiam a cultura pagã, e a cultura pagã refletia seus deuses – o povo de Deus deveria refletir sua santidade e seu caráter.

A cultura sem Deus, na verdade é uma cultura anti-Deus e que afronta a Deus.

Vejam os padrões do mundo a nossa volta. Estes padrões não são apenas sem Deus, eles são padrões e costumes que afrontam a Deus.  Três pilares sustentam a santidade: A religião, a moralidade e os costumes que cercam a família.

Por isso, três coisas principalmente identificariam a santidade do povo.

Em primeiro lugar, o culto a Deus. Em segundo lugar a moralidade como padrão de santidade. Em terceiro lugar a obediência aos demais mandamentos como padrão cultural.

Estes três caminhos identificaria o povo de Israel, identificou a igreja dos Apóstolos e depois o cristianismo bíblico. O texto de hoje expressa exatamente isso:

1 – A RELIGÃO QUE NÃO OBSERVA OS MANDAMENTOS DIVINOS É PAGÃ. VS 1-8

O povo de Israel servia ao Deus verdadeiro e único. Os outros povos criaram deuses para si que se pareciam com eles em perversões. Não há uma única divindade nas religiões pagãs que reivindicasse santidade e pureza. Não há uma única divindade que não fosse parecida com a humanidade em seus pecados. Quando uma religião apresentava uma divindade semelhante, esta divindade não era conhecida, como em muitas religiões africanas, onde há o pai de todos – mas este não é conhecido e não tem um nome e nenhum culto. Ou vejam os casos de religiões morais como o Budismo, o Confucionismo e o Taoísmo; elas não têm um deus.

O primeiro sinal do povo de Deus é o culto ao Deus vivo e verdadeiro. Crer em Deus significa cultuar a Deus. A pratica de qualquer religião pagã, era digna de morte, porque, o juízo divino era antecipado na vida daquela pessoa. 

Na vida cristã muito mais o culto a Deus deve ser honrado e colocado acima de tudo, pois é o primeiro pilar da sustentação do cristianismo. Jesus disse que o Pai procura por seus adoradores – João 4.23 - Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. 24 Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.

2 –A SANTIDADE É PROVADA POR MEIO DE PADRÕES MORAIS ELEVADOS -  VS 8-21

A moralidade é o que prova se uma determinado cultura está em decadência ou não. O comportamento sexual de uma cultura, naquilo que ela aprova ou reprova estabelece o seu padrão. A cultura a nossa volta enfrenta justamente esta crise moral. 

Os limites morais que antes delimitavam alguns comportamentos morais tidos como essenciais, foram comprometidos na nossa cultura popular. Cada vez mais os limites são considerados ameaças à liberdade e ao bem estar. Esta ideia de que o bem estar e a liberdade são bem maiores do que os padrões morais ganhou as pessoas para o dano de todos.  Deus mesmo estabeleceu limites morais para o seu povo e também para o mundo, pois o mundo também pertence a Deus.         

Mas porque a Bíblia sempre coloca este tópico como medida de moralidade? Pecados sexuais são piores? A resposta é sim, são. Vamos explicar porque.

Veja que o texto começa com Eu sou o Senhor, Vosso Deus. Dizer vosso Deus declara que o Senhor redimiu um povo para si mesmo. Desde sempre a religiosidade tem a ver com a sexualidade. Todos os deuses antigos eram perversos e depravados. Por um motivo, porque eles foram criados à imagem e semelhança de seus adoradores. O fato de que o Senhor Deus de Israel não possuía esposas ou consortes distinguia a religião de Israel de todas as outras. Essa característica deu às instruções a respeito de comportamentos sexuais uma perspectiva diferente da que era comumente aceita. O que Deus está tratando aqui é que sendo que ele é Deus de seu povo, eles não devem praticar os que as outras nações praticam, porque os pecados das nações são justificados pelos deuses que adoram. Mas, uma vez que o povo foi estabelecido na terra prometida, dedicou-se às práticas pecaminosas naturais daquela terra. 

Este texto então tem a ver conosco, porque temos o mesmo Deus deste texto, e a cultura a nossa volta expressa o paganismo próprio de uma cultura que adora um deus depravado.

Esta lista de proibições sexuais do texto – expressa onde a cultura do pecado se expressa na sua forma mais destrutiva.

A Lei de Deus, e por isso o nosso cristianismo não deve aceitar nada menos do a luta contra os pecados sexuais.

O adultério é ofensivo a Deus.

O sexo entre solteiros ou fora do casamento é ofensivo a Deus.

 

3 – A OBEDIÊNCIA AOS MANDAMENTOS DEVE SER O FUNDAMENTO PARA UMA CULTURA QUE GLORIFICA A DEUS. VS. 22-25

Foram os mandamentos dados por Deus que salvou o povo Israel do paganismo. Sem os mandamentos, eles seriam tão pagãos como os outros povos. Os mandamentos começam com a afirmação – Eu sou o Senhor que te tirou da terra do Egito -  Eles deveriam lembrar que o Senhor havia os tirado da terra do Egito. Eles não eram melhores do que ninguém, mas eles foram chamados pela graça de Deus. Tal somos nós. Somos capazes dos piores pecados tanto quanto qualquer pagão. Foi a graça de Deus que nos tirou do paganismo, logo se não fosse a graça de Deus, o pagão seria eu. O pior pagão, quem sabe.

Devemos entender que só temos o pensamento que temos em relação a Deus, porque ele revelou o seu caráter e sua santidade por meio de seus mandamentos.  Somente temos padrões morais elevados. Lutamos por santidade e pureza, porque a graça de Deus nos faz assim. Sem a graça de Deus pensaríamos como pagãos e agiríamos como pagãos e praticaríamos os mesmos pecados grosseiros que um pagão pratica.

Porque as pessoas acham que cultuar a Deus é irrelevante? Porque não conhecem, ignoram ou desobedecem os Mandamentos de Deus.

Porque as pessoas praticam a idolatria? Porque as pessoas acham que adultério e sexo fora do casamento é relativo? Porque relativizam os mandamentos de Deus.

4 – O POVO QUE PERTENCE A DEUS, DEVE SE PARECER COM ELE. 26-27

Os atos dos israelitas deviam refletir o fato de que o Senhor era o seu Deus. Eles eram chamados para se comportarem em conduta como convinha a um povo com o qual se havia Deus havia se dignado a relacionar seu nome. Este é o verdadeiro princípio de santidade para o povo de Deus em todos os tempos e lugares. 

Esta é a verdade que vemos nas Escrituras. A cultura dos egípcios e dos cananeus eram perversas e pervertidaS – mas quando o próprio povo de Deus se rendia e praticava as mesmas perversões e depravações o caos se estabelecia.

Quando perversões são praticadas pelo povo Deus até o mundo pagão fica admirado. 

O mesmo mandamento que Deus deu a Israel, ele dá a cada um de nós – “Sejam santos” 

(ver Mt 5.48 –  Hb 12.14; 1 Pe 1.13-16).

 

Por isso, meus irmãos – se diz que o cristianismo bíblico quando vivido e transformado em cultura, se torna uma contracultura. Historicamente o cristianismo transformou as culturas onde chegou. Vejam os casos dos Nórdicos, dos celtas, do Japão. Vejam os casos de boa parte da África. Não nego que houve casos também em que esta cultura cristã se degenerou em pecados – como já falei – e gerou decadências graves. 

Por também, sendo o cristianismo (nascido dos Israelitas) maior do que qualquer sistema – não deveria haver um cristão comunista. Um cristão capitalista. Um cristão feminista. Um cristão fascista etc. Não deveria haver cristãos amantes incondicionais da pátria. Somos peregrinos no mundo. Nossa pátria é Deus. Nossa cultura é Jesus. Deveríamos desenvolver em nossa igreja, em nossa família, em nossa vida pessoal uma cultura – costumes – centrada nos mandamentos de Deus – centrada no Evangelho – centrada na vida de Jesus – na morte de Jesus – centrada na cruz – centrada na ressurreição de Jesus.

VIVER COM PACIÊNCIA, ESPERANÇA E PERSEVERANÇA – Romanos 8.18-25

  Pregado em 03 de maio de 2020 sexto sermão na Pademia                                                                                     ...