domingo, 17 de abril de 2022

MANUAL MÍNIMO PARA VIVER E GORIFICAR A DEUS. LEVÍTICO 19 - Sermão 24

Pregado em 30 de dezembro de 2018                                               





                                                         Levítico 19

1Disse o Senhor a Moisés: 2Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo. 3Cada um respeitará a sua mãe e o seu pai e guardará os meus sábados. Eu sou o Senhor, vosso Deus. 4Não vos virareis para os ídolos, nem vos fareis deuses de fundição. Eu sou o Senhor, vosso Deus.5Quando oferecerdes sacrifício pacífico ao Senhor, oferecê-lo-eis para que sejais aceitos. 6No dia em que o oferecerdes e no dia seguinte, se comerá; mas o que sobejar, ao terceiro dia, será queimado. 7Se alguma coisa dele for comida ao terceiro dia, é abominação; não será aceita. 8Qualquer que o comer levará a sua iniquidade, porquanto profanou coisa santa do Senhor; por isso, será eliminado do seu povo.9Quando também segares a messe da tua terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua messe. 10Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o Senhor, vosso Deus.11Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo; 12nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o Senhor.13Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã.14Não amaldiçoarás o surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor.15Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo.16Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor.17Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado.18Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.19Guardarás os meus estatutos; não permitirás que os teus animais se ajuntem com os de espécie diversa; no teu campo, não semearás semente de duas espécies; nem usarás roupa de dois estofos misturados.20Se alguém se deitar com uma mulher, se for escrava desposada com outro homem e não for resgatada, nem se lhe houver dado liberdade, então, serão açoitados; não serão mortos, pois não foi libertada. 21O homem, como oferta pela sua culpa, trará um carneiro ao Senhor, à porta da tenda da congregação. 22Com o carneiro da oferta pela culpa, o sacerdote fará expiação, por ele, perante o Senhor, pelo pecado que cometeu, e ser-lhe-á perdoado o pecado que cometeu.23Quando entrardes na terra e plantardes toda sorte de árvore de comer, ser-vos-á vedado o seu fruto; três anos vos será vedado; dele não se comerá. 24Porém, no quarto ano, todo o seu fruto será santo, será oferta de louvores ao Senhor. 25No quinto ano, comereis fruto dela para que vos faça aumentar a sua produção. Eu sou o Senhor, vosso Deus.26Não comereis coisa alguma com sangue; não agourareis, nem adivinhareis.27Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba. 28Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o Senhor.29Não contaminarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se; para que a terra não se prostitua, nem se encha de maldade. 30Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o Senhor.31Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.32Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor.33Se o estrangeiro peregrinar na vossa terra, não o oprimireis. 34Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus.35Não cometereis injustiça no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida. 36Balanças justas, pesos justos, efa justo e justo him tereis. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito. 37Guardareis todos os meus estatutos e todos os meus juízos e os cumprireis. Eu sou o Senhor.

 

A primeira parte de Levítico – As leis sobre o sacrifício – apontava para a obra de Cristo, enquanto que a segunda parte – o código de santidade – era sobre a vida vivida por Cristo no mundo. O povo de Deus deveria ser conhecido por fazer Deus ser glorificado no mundo. Jesus fez isso, esta era a missão de Jesus e ele a cumpriu.

 As pessoas se destacam pelo mau que fazem. Olhem as biografias mais populares dos últimos anos.

O que pessoas como Collor, Sarney, Casal Nardony, a menina Richoffen, o casal Garotinho, Cunha, Zé Dirceu, Lula, Flavio Bolsonaro têm em comum? O fato de serem conhecidos por praticas muito controvertidas e comprometedoras.

Ou os religiosos, Edir Macedo, Estevam Hernandes e outros? Eles não são conhecidos pela estatura de uma vida piedosa como deveriam. As pessoas mais populares de nossa cultura não são modelos a serem imitados quanto a caráter, ética e muito menos piedade e santidade. Os maiores ídolos ou influencers de nossa era, em sua maioria foram e são pessoas envolvidas com drogas, bebidas em excesso, promiscuidade e outros tipos de ações que caracteriza uma vida sem Deus.

 O povo de Deus por meio das Escrituras Sagradas possui um código de santidade para praticar e viver.

 O modo de vida, os comportamentos são moldados pela cultura de cada época. O povo de Israel tinha muito em comum com os outros povos. A língua que falavam cananeu, hebraico, aramaico, depois grego. As roupas que vestiam. Eles viviam imerso naquele mundo. Deus lhes dá um código de ética para que seu povo se diferencie no comportamento moral e espiritual. A moralidade deles e a espiritualidade deles deveria ser distinguida. Todo Levítico aponta para Jesus. Este código de santidade espelhava a vida de Jesus, como se ele vivesse entre os israelitas. Se Jesus fosse um deles, assim ele haveria de viver. Assim ele haveria de se comportar. De fato, quando ele veio ao mundo e se tornou um deles, ele seguiu naturalmente este código de santidade. O texto que lemos é um manual mínimo para viver a vida que glorifica a Deus. Como cristãos, temos um chão onde pisamos. Temos uma nacionalidade. Vivemos no meio de uma cultura. Falamos a mesma linguagem do povo. Vestimos os mesmos tipos de roupas. Somos do povo. O que nos diferencia é o padrão moral de nossa vida. É o estilo de vida que deveria refletir o fato de que somos o povo que Deus chama pelo seu nome. Somos o povo de Deus. Isso deveria impactar as pessoas com nosso comportamento. Nada menos do que isso.

 O povo que crê que Jesus morreu na cruz, para perdoar os seus pecados. A moralidade do cristãos não é mero moralismo. O moralismo são regras morais feitas por pessoas imorais. Muitos moralistas são do tipo – façam o que digo, mas não façam o que faço. Sem o evangelho de Jesus, as pessoas se acham corretas. Se acham melhores. Não somos melhores do que ninguém. Não passamos de pecadores alcançados pela graça de Deus.

 É o evangelho que imprime a lei de Deus no coração. É um amor por coisas santas que nasce do coração regenerado.

 Vejam que no caso deste manual mínimo, como estamos chamando, os mandamentos são positivos. É um chamado a uma vida positiva.

Vejamos como era este manual mínimo:

1 - GLORIFICAR A DEUS RECONHECENDO SEU CARÁTER

1 Disse o SENHOR a Moisés:2 Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo.

2 - GLORIFICAR A DEUS OBSERVANDO SEUS MANDAMENTOS

3 Cada um respeitará a sua mãe e o seu pai e guardará os meus sábados. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

3 - GLORIFICAR A DEUS CULTUANDO COM O VERDADEIRO CULTO

4 Não vos virareis para os ídolos, nem vos fareis deuses de fundição. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.5 Quando oferecerdes sacrifício pacífico ao SENHOR, oferecê-lo-eis para que sejais aceitos.6 No dia em que o oferecerdes e no dia seguinte, se comerá; mas o que sobejar, ao terceiro dia, será queimado.7 Se alguma coisa dele for comida ao terceiro dia, é abominação; não será aceita.8 Qualquer que o comer levará a sua iniquidade, porquanto profanou coisa santa do SENHOR; por isso, será eliminado do seu povo.

4 - GLORIFICAR A DEUS LEMBRANDO DOS NECESSITADOS

9 Quando também segares a messe da tua terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua messe.10 Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

5 - GLORIFICAR A DEUS HONRANDO O PRÓXIMO

11 Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo;12 nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR.13 Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã.14 Não amaldiçoarás o surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR.15 Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo.16 Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o SENHOR.17 Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado.18 Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR.

6 - GLORIFICAR A DEUS NÃO CONTRARIANDO AS ORDENS DO CRIADOR

19 Guardarás os meus estatutos; não permitirás que os teus animais se ajuntem com os de espécie diversa; no teu campo, não semearás semente de duas espécies; nem usarás roupa de dois estofos misturados.

7 - GLORIFICAR A DEUS HONRADO E RESPEITANDO TODAS AS MULHERES.

20 Se alguém se deitar com uma mulher, se for escrava desposada com outro homem e não for resgatada, nem se lhe houver dado liberdade, então, serão açoitados; não serão mortos, pois não foi libertada.

8 - GLORIFICAR A DEUS DANDO A ELE A GLÓRIA QUE É SÓ DELE

21 O homem, como oferta pela sua culpa, trará um carneiro ao SENHOR, à porta da tenda da congregação.

22 Com o carneiro da oferta pela culpa, o sacerdote fará expiação, por ele, perante o SENHOR, pelo pecado que cometeu, e ser-lhe-á perdoado o pecado que cometeu.23 Quando entrardes na terra e plantardes toda sorte de árvore de comer, ser-vos-á vedado o seu fruto; três anos vos será vedado; dele não se comerá.24 Porém, no quarto ano, todo o seu fruto será santo, será oferta de louvores ao SENHOR.25 No quinto ano, comereis fruto dela para que vos faça aumentar a sua produção. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

9 - GLORIFICAR A DEUS NÃO SE CONTAMINANDO COM O PAGANISMO

26 Não comereis coisa alguma com sangue; não agourareis, nem adivinhareis.27 Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba.28 Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o SENHOR.29 Não contaminarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se; para que a terra não se prostitua, nem se encha de maldade.30 Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o SENHOR.31 Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

10 - GLORIFICAR A DEUS HONRANDO OS MAIS VELHOS

32 Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR.

11 - GLORIFCAR A DEUS PRATICANDO A HOSPITALIDADE COM TODOS

33 Se o estrangeiro peregrinar na vossa terra, não o oprimireis.34 Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

12 - GLORIFICAR A DEUS PRATICANDO SEMPRE O QUE JUSTO

35 Não cometereis injustiça no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida.36 Balanças justas, pesos justos, efa justo e justo him tereis. Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito.37 Guardareis todos os meus estatutos e todos os meus juízos e os cumprireis. Eu sou o SENHOR.

 


sábado, 16 de abril de 2022

A PERVERSÃO HUMANA SE PERSONIFICA NA SUA CULTURA – Lv 18 - Sermão 24

Pregado em 23 de dezembro de 2018 



                   A PERVERSÃO MÁXIMA DA CULTURA PAGÃ – Lv 18

1Disse mais o Senhor a Moisés: 2Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Eu sou o Senhor, vosso Deus. 3Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos. 4Fareis segundo os meus juízos e os meus estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o Senhor, vosso Deus. 5Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; cumprindo-os, o homem viverá por eles. Eu sou o Senhor.6Nenhum homem se chegará a qualquer parenta da sua carne, para lhe descobrir a nudez. Eu sou o Senhor. 7Não descobrirás a nudez de teu pai e de tua mãe; ela é tua mãe; não lhe descobrirás a nudez. 8Não descobrirás a nudez da mulher de teu pai; é nudez de teu pai. 9A nudez da tua irmã, filha de teu pai ou filha de tua mãe, nascida em casa ou fora de casa, a sua nudez não descobrirás. 10A nudez da filha do teu filho ou da filha de tua filha, a sua nudez não descobrirás, porque é tua nudez. 11Não descobrirás a nudez da filha da mulher de teu pai, gerada de teu pai; ela é tua irmã. 12A nudez da irmã do teu pai não descobrirás; ela é parenta de teu pai. 13A nudez da irmã de tua mãe não descobrirás; pois ela é parenta de tua mãe. 14A nudez do irmão de teu pai não descobrirás; não te chegarás à sua mulher; ela é tua tia. 15A nudez de tua nora não descobrirás; ela é mulher de teu filho; não lhe descobrirás a nudez. 16A nudez da mulher de teu irmão não descobrirás; é a nudez de teu irmão. 17A nudez de uma mulher e de sua filha não descobrirás; não tomarás a filha de seu filho, nem a filha de sua filha, para lhe descobrir a nudez; parentes são; maldade é. 18E não tomarás com tua mulher outra, de sorte que lhe seja rival, descobrindo a sua nudez com ela durante sua vida.19Não te chegarás à mulher, para lhe descobrir a nudez, durante a sua menstruação. 20Nem te deitarás com a mulher de teu próximo, para te contaminares com ela. 21E da tua descendência não darás nenhum para dedicar-se a Moloque, nem profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor. 22Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação. 23Nem te deitarás com animal, para te contaminares com ele, nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; é confusão.24Com nenhuma destas coisas vos contaminareis, porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu lanço de diante de vós. 25E a terra se contaminou; e eu visitei nela a sua iniquidade, e ela vomitou os seus moradores. 26Porém vós guardareis os meus estatutos e os meus juízos, e nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós; 27porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra que nela estavam antes de vós; e a terra se contaminou. 28Não suceda que a terra vos vomite, havendo-a vós contaminado, como vomitou o povo que nela estava antes de vós. 29Todo que fizer alguma destas abominações, sim, aqueles que as cometerem serão eliminados do seu povo. 30Portanto, guardareis a obrigação que tendes para comigo, não praticando nenhum dos costumes abomináveis que se praticaram antes de vós, e não vos contaminareis com eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.

A ordem é, santidade na família.

Este capítulo trata da santidade da família. Este capítulo é cada vez mais importante e relevante porque a cada época os limites morais vão se deteriorando. Os limites morais que antes delimitavam alguns comportamentos morais tidos como essenciais, foram comprometidos na nossa cultura popular. Cada vez mais os limites são considerados ameaças à liberdade e ao bem estar. Esta ideia de que o bem estar e a liberdade são bem maiores do que os padrões morais ganhou as pessoas para o dano de todos.  Deus mesmo estabeleceu limites morais para o seu povo e também para o mundo, pois o mundo também pertence a Deus. Este texto trata de praticas, desvios e perversões sexuais como síntese do que seja  padrões morais.

Mas porque a Bíblia sempre coloca este tópico como medida de moralidade? Pecados sexuais são piores? A resposta é sim, são. Vamos explicar porque.

Veja que o texto começa com Eu sou o Senhor, Vosso Deus. Dizer vosso Deus declara que o Senhor redimiu um povo para si mesmo. Desde sempre a religiosidade tem a ver com a sexualidade. Todos os deuses antigos eram perversos e depravados. Por um motivo, porque eles foram criados à imagem e semelhança de seus adoradores. O fato de que o Senhor Deus de Israel não possuía esposas ou consortes distinguia a religião de Israel de todas as outras. Essa característica deu às instruções a respeito de comportamentos sexuais uma perspectiva diferente da que era comumente aceita. O Apóstolo Paulo contextualizou e atualizou para sempre esta pressuposição. Ele tratou dos principais pecados e culpas dos gentios na Carta aos Romanos, na qual ele mostrou que a idolatria e o paganismo em geral era fundamentalmente negações do Senhor como criador. Ele associou a esse pecado o caráter ímpio das aberrações sexuais que caracterizava todo o paganismo. Romanos 1. 22-32 

O que Deus está tratando aqui é que sendo que ele é Deus de seu povo, eles não devem praticar os que as outras nações praticam, porque os pecados das nações são justificados pelos deuses que adoram. Mas, uma vez que o povo foi estabelecido na terra prometida, dedicou-se às práticas pecaminosas naturais daquela terra. 

Este texto então tem a ver conosco, porque temos o mesmo Deus deste texto, e a cultura a nossa volta expressa o paganismo próprio de uma cultura que adora um deus depravado.

Esta lista de proibições sexuais do texto – expressa onde a cultura do pecado se expressa na sua forma mais destrutiva.

Por isso demos ter em mente as seguintes proposições pressupostas pelo texto:

I – O PADRÃO MORAL DO POVO DE DEUS É A PRÓPRIA SANTIDADE DIVINA – “EU Sou o Senhor, vosso Deus”.

Portanto, este texto apresenta-nos de um modo notável, a santidade pessoal e pureza moral que o Senhor requeria daqueles que havia graciosamente posto em relação consigo mesmo. Mas, ao mesmo tempo, apresenta-nos um quadro dos mais humilhantes das iniquidades de que a natureza humana é capaz.

Os atos dos israelitas deviam refletir o fato de que o Senhor era o seu Deus. Eles eram chamados para se comportarem em conduta como convinha a um povo com o qual se havia Deus havia se dignado a relacionar seu nome. Este é o verdadeiro princípio de santidade para o povo de Deus em todos os tempos.

II – O POVO DE DEUS NÃO DEVE ASSIMILAR A MORALIDADE DA CULTURA DOMINANTE DE QUALQUE ÉPOCA. Vs 3,4

A pergunta é – que padrão molda nosso comportamento? Até que ponto somos ensinados pela cultura da nossa época? Até onde podemos praticar a cultura ao nosso redor? A moralidade é o termômetro. 

No contexto aqui, os egípcios e o cananeus estavam submersos em uma cultura perversa sob todos os aspectos. A cultura deles era reflexo da adoração que eles praticam. Tanto no Egito, como entre os cananeus, os deuses e deusas eram pervertidos ao máximo. 

O pensamento do israelita deveria ser decidido de acordo com a Palavra de Deus. Ele não decidia de acordo com o que pensava o egípcio ou o cananeu e nem simplesmente em oposição à eles, mas de acordo com o pensamento de Deus.

O egípcio ou o cananeu podiam ter suas práticas e opiniões, mas o israelita tinha de ter as opiniões e práticas estabelecidas na Palavra de Deus. v. 4 -  Fareis segundo os meus juízos e os meus estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus

A Palavra de Deus deve decidir toda a questão e governar as consciências. 

III – O POVO DE DEUS NÃO É MELHOR DO QUE OS OUTROS, O SEU DEUS É MELHOR. V. 5-6,21 

Eles deveriam lembrar que o Senhor havia os tirado da terra do Egito. Eles não eram melhores do que ninguém, mas eles foram chamados pela graça de Deus. Tal somos nós. Somos capazes dos piores pecados tanto quanto qualquer pagão. Foi a graça de Deus que nos tirou do paganismo, logo se não fosse a graça de Deus, o pagão seria eu. O pior pagão, quem sabe.

Nossa opinião não tem tanto valor quanto imaginamos. Devemos entender que só temos o pensamento que temos em relação a Deus. Somente temos padrões morais elevados. Lutamos por santidade e pureza, porque a graça de Deus nos faz assim. Sem a graça de Deus pensaríamos como pagãos e agiríamos como pagãos e praticaríamos os mesmos pecados grosseiros que um pagão pratica. Existe o perigo de darmos importância a uma opinião meramente porque a adotamos. É o Senhor e sua Palavra o que deve moldar nossa mente e práticas.

Devemos agir de maneira digna daquele que se tornou o nosso Deus e nos fez seu povo. 

A razão de nossa conduta não é que somos melhores, mas o Deus que servimos que é melhor. Ele é o único Deus. Ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. 

Não era que o israelita era em comparação com os outros, mas o que Deus era em comparação com os outros deuses.

IV – SE O PRÓPRIO POVO DE DEUS  IMITASSE A CULTURA PAGÃ, ELA FICARIA AINDA PIOR. Vs 27-30

Esta é a verdade que vemos nas Escrituras. A cultura dos egípcios e dos cananeus eram perversas e pervertida – mas quando o próprio povo de Deus se rendia e praticava as mesmas perversões e depravações o caos se estabelecia.

Quando perversões são praticadas pelo povo Deus até o mundo pagão fica admirado. Não é hipocrisia deles, é que eles sabem que o povo de Deus é santo. Não aceitam, não toleram, isso os ofende, mas eles sabem. Se o pai de santo pratica adultério, incesto, pedofilia etc, é um espanto para o bairro. Mas, quando um pastor pratica isso o espanto deve ser infinitamente maior sim. O mundo deve ficar assombrado sim.

Porque a cultura de pecado está ficando cada vez pior? Porque o mundo em sua moralidade se deteriora a cada tempo? Porque novos pecadores são acrescentados e a media do pecado vai aumentando. Novas práticas perversas vão sendo acrescentadas.

APLICAÇÕES PRÁTICAS.

1 – Moldemos nossa família de acordo com o caráter santo de Deus. Isto é imperativo.

2 – Devemos proteger nossa família. Marido e mulher devem se proteger e cuidar da santidade um do outro. Os pais devem respeitar e santificar seus filhos.

3 – Devemos lembrar de que se deixarmos levar pela cultura, iremos cooperar para deixá-la ainda pior.







DEUS PEDE EXCLUSIVIDADE NA ADORAÇÃO - Levítico 17 - Sermão 23

 Pregado em 23 de dezembro de 2018




DEUS PEDE EXCLUSIVIDADE NA ADORAÇÃO - Levítico 17

1Disse o Senhor a Moisés: 2Fala a Arão, e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel e dize-lhes: Isto é o que o Senhor ordenou, dizendo: 3Qualquer homem da casa de Israel que imolar boi, ou cordeiro, ou cabra, no arraial ou fora dele, 4e os não trouxer à porta da tenda da congregação, como oferta ao Senhor diante do seu tabernáculo, a tal homem será imputada a culpa do sangue; derramou sangue, pelo que esse homem será eliminado do seu povo; 5para que os filhos de Israel, trazendo os seus sacrifícios, que imolam em campo aberto, os apresentem ao Senhor, à porta da tenda da congregação, ao sacerdote, e os ofereçam por sacrifícios pacíficos ao Senhor. 6O sacerdote aspergirá o sangue sobre o altar do Senhor, à porta da tenda da congregação, e queimará a gordura de aroma agradável ao Senhor. 7Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos demônios, com os quais eles se prostituem; isso lhes será por estatuto perpétuo nas suas gerações.8Dize-lhes, pois: Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós que oferecer holocausto ou sacrifício 9e não o trouxer à porta da tenda da congregação, para oferecê-lo ao Senhor, esse homem será eliminado do seu povo.10Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós que comer algum sangue, contra ele me voltarei e o eliminarei do seu povo. 11Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida. 12Portanto, tenho dito aos filhos de Israel: nenhuma alma de entre vós comerá sangue, nem o estrangeiro que peregrina entre vós o comerá. 13Qualquer homem dos filhos de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós que caçar animal ou ave que se come derramará o seu sangue e o cobrirá com pó.14Portanto, a vida de toda carne é o seu sangue; por isso, tenho dito aos filhos de Israel: não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda carne é o seu sangue; qualquer que o comer será eliminado. 15Todo homem, quer natural, quer estrangeiro, que comer o que morre por si ou dilacerado lavará as suas vestes, banhar-se-á em água e será imundo até à tarde; depois, será limpo. 16Mas, se não as lavar, nem banhar o corpo, levará sobre si a sua iniquidade.

O sangue deveria ser usado exclusivamente para a expiação.

O capítulo 17 dá inicio à segunda parte do livro de Levítico que é chamado de “O Código da Santidade”.

O Código de Santidade é formado pelos preceitos que indicam os padrões da vida daqueles que pertencem ao Senhor. Como ele é Deus Santo, a vida dos seus deve ser moldada por sua santidade e sua santidade é ensinada na sua Lei.  Esta santidade deve ser buscada em todos os aspectos da vida.

O capitulo que lemos dá inicio, portanto a estas regulamentações. A chave deste capítulo é o verso 11 

O sangue representa a vida que Deus criou, portanto, a vida pertence a Deus – qualquer vida tanto humana quanto dos animais. O povo foi conclamado a honrar a Deus por meio de uma reverência especial pelo sangue do animal e principalmente pela vida humana. A forma que esta reverência seria demonstrada e praticada é que o sangue deveria ser usado apenas para Deus no sacrifício. 

Uma vez que o sangue representava a vida e apontava para a vida de Jesus que seria entregue pelo seu povo. Jesus derramou o seu sangue, ou seja entregou sua vida. Diante disso, vamos usar duas proposições para compreender este capítulo.

I – O Povo deveria adorar exclusivamente a Deus conforme ordenado por ele mesmo e outra forma de culto seria idolatria -  vs 1-9.

A maneira mais fundamental pela qual o povo honrava ao Senhor era oferecendo adoração somente a ele. Este era o principal mandamento. “Eu sou o Senhor, não terás outros deuses...”

Se uma pessoa quisesse se alimentar de carne, ela deveria levar o animal ao tabernáculo para oferecê-lo como oferta pacífica ao Senhor (conforme Levítico 3). A oferta supria carne para o ofertante e para o sacerdote. Conforme vimos em sermão anterior, a família do ofertante, a família do sacerdote, viúvas e pobres deveriam ser convidados para comer à mesa com ações de graças. Comer carne tinha uma conotação de bênção, porque não fazia parte da dieta regular do israelita. Era um privilégio apenas de pessoas com mais posses. 

O ofertante matava seu animal na tenda da congregação. Se a pessoa não seguisse estas instruções rituais, seria o mesmo que negar o mandamento do Senhor e com isso estaria negando a adoração a Deus como criador e senhor de tudo. Fazer uma oferta em qualquer outro lugar seria considerado um tributo a outro deus. Matar um animal sem oferecer ao Senhor seria desprezar a bênção de Deus. A penalidade era o banimento do meio do povo – v.4 – “será eliminado do seu povo.”  Mesmo uma caça deveria seguir este ritual e qualquer resquício de sangue deveria ser coberto com pó. O abate ilegal da vida do animal, significava o uso de forma ilícita. A pessoa estaria usando o sangue para seus próprios propósitos e com isso usurpando o direito de Deus à vida do animal e mais do que isso, profanando o significado da morte do animal – cujo sangue derramado significava, tipificava a redenção que seria consumada por Jesus e sua morte – v.3 a 4 

 Na cerimônia da expiação, o sangue, ou seja, a vida do animal seria devolvida a Deus. Deixar de devolver a Deus p que lhe era devido significava que a pessoa havia tomado de Deus o controle da vida e era ela mesma culpada daquele sangue

II – O povo deveria honrar a Deus reconhecendo-o como fonte de todas as bênçãos – vs 10-16

Estes versos do 10 ao 16 trazem a explicação da proibição do sangue, seu significado para a Antiga Aliança e lições sobre o valor da vida. Se as pessoas comessem o sangue, isso seria negar a Deus a oferta do sangue derramado para expiação deles. V.11  

O sangue não é a vida, mas a vida depende do sangue e derramar o sangue, significava a morte da pessoa ou do animal. O sangue é uma figura de linguagem apropriada para a vida de uma pessoa ou de um animal. 

O sangue era dado por Deus para perdão dos pecados. 

Não dar o sangue para deus era ficar para si ou oferecer e isso era uma forma de negação de Deus e idolatria. A idolatria a si mesmo. A afirmação da autonomia. A idolatria era colocar qualquer coisa no lugar de Deus. Hoje cristãos que atribuem a si mesmo seus sucessos, não passam de idólatras, adorando a si mesmos.

O sangue apontava para a morte de Jesus, que foi o cumprimento deste texto. Era Deus desenhando para o povo o meio de salvação deles. O sacrifício de Jesus já valia para eles, mesmo que na história ainda estava por acontecer.

O sangue de Jesus indica a vida sacrificada do Senhor. A vida de Jesus tem valor infinito, pois ele é o Filho de Deus. Quando falamos do sangue de Jesus, estamos falando da morte de Jesus. Não podemos confundir o poder do sangue em si com a vida impecável que ele representa. O sangue de Jesus era sangue humano e não possuía nenhuma propriedade ou poder místico. O poder estava no fato de aquele ser sangue ter sido derramado, da vida sendo dada. Deus deu a vida de Jesus. Era isso que o sangue em Levítico representava.

Hoje participamos da Ceia do Senhor que é a memória viva disso tudo. A Ceia nos lembra a morte de Jesus. Somos participantes da morte de Jesus – por isso, comemos do pão e bebemos do sangue. Isto significa que participamos de sua morte. Sua morte foi em nosso benefício. Ao participarmos da Ceia, devemos valorizar infinitamente o que ela representa, a nossa união com Cristo. 

As perguntas que ficam são: O que o texto de Levítico fica pra nós quanto ao significado sem o símbolo? O cristão hoje pode comer carne com indícios de sangue? O cristão ainda precisa valorizar a vida dos animais? A resposta para as três perguntas é, sim.

Sobre a primeira pergunta, Jesus na sua morte cumpriu o que o sangue era símbolo. O sangue já foi oferecido e não precisamos e nem devemos mais oferecer sangue algum para Deus. Se antes era idolatria não oferecer, hoje é idolatria oferecer. Jesus foi a morte que pagou nossos pecados.

Sobre a segunda a pergunta, a vida humana e dos animais continua sendo de Deus e os cristãos são chamados a cuidar da natureza como criação de Deus. Infelizmente, as pessoas pensam influenciados pela ideologia que amam. De um lado, alguns divinizam a vida dos animais e são contra qualquer morte de animais até para alimentação, isso é ideologia pagã. Do outro lado, outros não veem qualquer valor na vida dos animais e isso também é ideologia pagã. 

 O cristão não deve envolver-se com a morte indiscriminada de animais, tomando-lhes a vida de forma bruta e livrando-se deles de maneira impiedosa. Esse tratamento da vida, seja humana ou animal, desumaniza o ser humano. Precisamos cuidar da ordem criada.

Por fim, nosso texto aponta para a sacralidade da vida humana e isso aponta para o dom supremo de Deus, seu Filho Jesus Cristo, que entregou sua vida. Ela não foi tirada por força humana, mas foi entregue por Deus em nosso favor. Por Deus mesmo o ressuscitou. 

Na cruz Deus nos chamou a adoração exclusiva. Na ressurreição de Cristo somos chamados a participar da vida futura, que antecipamos vivendo para a glória de Deus enquanto estivermos aqui.







sexta-feira, 15 de abril de 2022

O DIA DA EXPIAÇÃO – Levítico 16.1-10 – Sermão 22

 Pregado em 16 de dezembro de 2018


                O DIA DA EXPIAÇÃO – Levítico 16 – Parte 02

Levítico 16.1-10

1Falou o Senhor a Moisés, depois que morreram os dois filhos de Arão, tendo chegado aqueles diante do Senhor. 2Então, disse o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque aparecerei na nuvem sobre o propiciatório. 3Entrará Arão no santuário com isto: um novilho, para oferta pelo pecado, e um carneiro, para holocausto. 4Vestirá ele a túnica de linho, sagrada, terá as calças de linho sobre a pele, cingir-se-á com o cinto de linho e se cobrirá com a mitra de linho; são estas as vestes sagradas. Banhará o seu corpo em água e, então, as vestirá. 5Da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes, para a oferta pelo pecado, e um carneiro, para holocausto.
6Arão trará o novilho da sua oferta pelo pecado e fará expiação por si e pela sua casa. 7Também tomará ambos os bodes e os porá perante o Senhor, à porta da tenda da congregação. 8Lançará sortes sobre os dois bodes: uma, para o Senhor, e a outra, para o bode emissário. 9Arão fará chegar o bode sobre o qual cair a sorte para o Senhor e o oferecerá por oferta pelo pecado. 10Mas o bode sobre que cair a sorte para bode emissário será apresentado vivo perante o Senhor, para fazer expiação por meio dele e enviá-lo ao deserto como bode emissário.
O dia da Expiação era a representação máxima da obra de Jesus na Cruz e seus benefícios em favor dos salvos.

O dia da expiação era o dia mais importante do calendário litúrgico do povo israelita, junto com a páscoa. A páscoa era o dia mais festivo, o dia da Expiação era o mais solene. 

Não havia outro dia semelhante em todo o ano. Os sacrifícios deste dia formavam o fundamento dos caminhos de Deus em graça, misericórdia e bondade de Deus. Era o dia em que Deus oferecia perdão ao povo.

O dia Expiação, depois da destruição do Templo passou a ser comemorada com jejuns e humilhação diante de Deus e hoje é conhecido como o dia de Yom Kippur, ou dia do perdão. É o dia mais importante do calendário judaico. 

Este dia, segundo o texto era comemorado uma vez por ano, no décimo dia do décimo mês (v.29). Deveria ser um dia onde ninguém deveria trabalhar, nem comer, nem fazer sexo. O propósito destas abstinências era a purificação (vs 29-33). Se os rituais fossem oferecidos de acordo com as prescrições, então o povo todo era beneficiado com o perdão dos pecados.

Os sacrifícios oferecidos ao contrário dos mencionados anteriormente não eram para benefícios pessoais, mas coletivos.

O ritual era oferecido em três etapas.

 - Na primeira o sumo sacerdote oferecia o novilho como oferta pela sua casa – v.6

- Depois, dois bodes eram apresentados ao Senhor, mas era sorteado um para ser oferecido em expiação – era o bode expiatório e o outro era solto no deserto que era o bode emissário – chamado de Azael – que significa o – bode que vai.

- Na terceira etapa do ritual, consistia em produzir fumaça com o incensário.  Era preciso uma nuvem de fumaça

A parte mais emblemática do dia era a parte onde dois bodes eram apresentados ao Senhor. Eles eram sorteados e um era sacrificado e o outro enviado ao deserto. O que isso representava.

O BODE SACRIFICADO – Bode Expiatório - SIGNIFICAVA A MORTE DE JESUS COM RELAÇÃO A DEUS.

Veja que a sorte era – pelo Senhor.  Este bode simbolizava a morte de Jesus, mediante a qual Deus foi perfeitamente glorificado. A morte de Jesus foi para Deus. A morte de Jesus foi primeiramente para Deus. Para que Deus salvasse os pecadores. A morte de Jesus foi para Deus para que mesmo ele sendo o Santo ele pudesse perdoar pecadores tão imundos. Ali na cruz Deus foi glorificado, pois havia obediência incondicional à sua vontade santa. Jesus se entregou na cruz e Deus Pai foi glorificado. 

Os pecadores desprezam a Deus. A história humana é a história de pecadores. Para entender isso, é preciso entender como Deus tem sido desonrado no mundo. A sua verdade desprezada, a sua santidade é desconhecida; a sua majestade desconsiderada; a sua Lei desobedecida e ignorada; o seu nome blasfemado e o seu caráter difamado.

Ora a morte de Cristo vindicou, anunciou, resgatou, anunciou, proclamou todos estes direitos. A morte de Jesus glorificou a Deus. A morte de Cristo cumpriu todas as exigências de Deus, por isso expiou os pecados dos pecadores. A morte de Jesus sendo para Deus foi a base para a qual o bendito Deus pudesse agir em graça, misericórdia e paciência para com os pecadores.

A morte de Jesus é a resposta de Deus ao Diabo e aos malignos todos. A morte de Jesus é o fundamento da salvação dos salvos e da condenação dos condenados. A morte de Jesus forma o fundamento do governo moral de Deus. Em  virtude da cruz, Deus pode atuar segundo a sua soberania para salvar e condenar

Nada senão a expiação efetuada por nosso Senhor Jesus Cristo podia ter glorificado plenamente a Deus, mas na cruz ele foi glorificado. A cruz reflete toda a glória do caráter divino como nunca poderia ser refletida por coisas criadas. Jesus é o resplendor da glória divina. A cruz é a demonstração da graça divina. A demonstração suprema do amor, misericórdia e benevolência divina. Mas a cruz também é a maior demonstração do juízo divino. 

O sacrifício de Jesus beneficiou neste sentido a todos. Em virtude deste sacrifício, os mais ímpios, atrevidos e blasfemos – vivem, movem-se e existem; comem. Bebem e dormem. Até o alimento com que se alimentam deve-se ao sacrifício de Jesus. O sol, as chuvas, a prosperidade dos empreendimentos dos ateus são em virtude do sacrifício de Jesus. O fôlego do infiel a voz do ateu que nega com palavras a existência de Deus se devem ao sacrifício de Jesus. Se não fosse o sacrifício de Jesus, só existiria o inferno.

Duas coisas distintas que brotam do sacrifício de Jesus: o perdão e a salvação que Deus dá ao pecador por um lado – e – a paciência que tem com ele e as bênçãos temporais que lhe outorga. As duas coisas são em virtude da cruz – pois mais uma vez afirmo, que sem a cruz, só existiria o inferno.

Logo o primeiro bode simbolizava a morte de Jesus para a glória de Deus. Este é o aspecto mais glorioso da morte de Cristo. Antes de ser por nós, foi para Deus.

II - O BODE ENVIADO AO DESERTO – Bode Emissário - REPRESENTA A MORTE DE JESUS EM RELAÇÃO A NÓS PECADORES.

Aqui temos a segunda ideia e o segundo significado da morte de Cristo, a saber, o perdão completo e final dos salvos. O segundo bode era enviado ao deserto, como símbolo de que os pecados haviam sido levados. Se a morte de Cristo constitui o fundamento da glória de Deus, constitui também o fundamento do perfeito perdão aos pecadores que se achegam a ele.  Este é uma aspecto inferior da expiação, embora temos a tendência de considerá-lo o mais importante.  A glória de Deus está em primeiro lugar. A nossa salvação em segundo. Manter a glória de Deus era o objetivo principal do coração de Jesus. Ele seguiu este objetivo deste o princípio ao fim com propósito definido e fiel.  

João 13. 31-32 - disse Jesus: Agora, foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele; 32 se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e glorificá-lo-á imediatamente.

A glória de Deus era o objetivo supremo do Senhor Jesus Cristo na vida e na morte. Ele viveu e morreu para glorificar o nome de seu Pai. O centro do coração de Jesus era a glória do Pai.

Mas Deus também é glorificado pela abolição dos nossos pecados. Onde estão nossos pecados? Foram tirados. Foram levados. Foram levados pelo sacrifício de Jesus na cruz, pelo qual Deus Pai foi glorificado por toda a eternidade.

Os dois bodes, do dia da expiação, dão-nos o duplo aspecto ma morte de Jesus. Num vemos como é mantida a glória de Deus – no outro, como são tirados nossos pecados. Um é tão perfeito como o outro. Pela morte de Jesus nós somos inteiramente perdoados e Deus é perfeitamente glorificado.

Assim como o bode emissário ia para o deserto, nossos pecados são levados embora.

1 - Vocês sabem que os pecados de vocês estão perdoados segundo a perfeição do sacrifício de Jesus?

2 - Vocês sabem que o perdão dos pecados significa que eles são tirados para sempre?

3 - Vocês sabem que vocês não precisam “experimentar o perdão”? Em todo o evangelho não existe uma palavra como experimentar. Não somos salvos por nossas experiências, mas por Cristo e para ter Cristo por toda a eternidade, em toda a sua plenitude e preciosidade é preciso apenas crer – crer somente. 

O dia da Expiação - Levítico 16 - Sermão 21

 Pregado em 09 de dezembro de 2018 na Capela Missional em Porto Alegre.



                              O DIA DA EXPIAÇÃO – Levítico 16 – Sermão 1


1Falou o Senhor a Moisés, depois que morreram os dois filhos de Arão, tendo chegado aqueles diante do Senhor. 2Então, disse o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque aparecerei na nuvem sobre o propiciatório. 3Entrará Arão no santuário com isto: um novilho, para oferta pelo pecado, e um carneiro, para holocausto. 4Vestirá ele a túnica de linho, sagrada, terá as calças de linho sobre a pele, cingir-se-á com o cinto de linho e se cobrirá com a mitra de linho; são estas as vestes sagradas. Banhará o seu corpo em água e, então, as vestirá. 5Da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes, para a oferta pelo pecado, e um carneiro, para holocausto.
6Arão trará o novilho da sua oferta pelo pecado e fará expiação por si e pela sua casa. 7Também tomará ambos os bodes e os porá perante o Senhor, à porta da tenda da congregação. 8Lançará sortes sobre os dois bodes: uma, para o Senhor, e a outra, para o bode emissário. 9Arão fará chegar o bode sobre o qual cair a sorte para o Senhor e o oferecerá por oferta pelo pecado. 10Mas o bode sobre que cair a sorte para bode emissário será apresentado vivo perante o Senhor, para fazer expiação por meio dele e enviá-lo ao deserto como bode emissário.
11Arão fará chegar o novilho da sua oferta pelo pecado e fará expiação por si e pela sua casa; imolará o novilho da sua oferta pelo pecado. 12Tomará também, de sobre o altar, o incensário cheio de brasas de fogo, diante do Senhor, e dois punhados de incenso aromático bem moído e o trará para dentro do véu. 13Porá o incenso sobre o fogo, perante o Senhor, para que a nuvem do incenso cubra o propiciatório, que está sobre o Testemunho, para que não morra. 14Tomará do sangue do novilho e, com o dedo, o aspergirá sobre a frente do propiciatório; e, diante do propiciatório, aspergirá sete vezes do sangue, com o dedo.
15Depois, imolará o bode da oferta pelo pecado, que será para o povo, e trará o seu sangue para dentro do véu; e fará com o seu sangue como fez com o sangue do novilho; aspergi-lo-á no propiciatório e também diante dele. 16Assim, fará expiação pelo santuário por causa das impurezas dos filhos de Israel, e das suas transgressões, e de todos os seus pecados. Da mesma sorte, fará pela tenda da congregação, que está com eles no meio das suas impurezas. 17Nenhum homem estará na tenda da congregação quando ele entrar para fazer propiciação no santuário, até que ele saia depois de feita a expiação por si mesmo, e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel. 18Então, sairá ao altar, que está perante o Senhor, e fará expiação por ele. Tomará do sangue do novilho e do sangue do bode e o porá sobre os chifres do altar, ao redor. 19Do sangue aspergirá, com o dedo, sete vezes sobre o altar, e o purificará, e o santificará das impurezas dos filhos de Israel.
20Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, pela tenda da congregação e pelo altar, então, fará chegar o bode vivo. 21Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, todas as suas transgressões e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem à disposição para isso. 22Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles para terra solitária; e o homem soltará o bode no deserto.
23Depois, Arão virá à tenda da congregação, e despirá as vestes de linho, que havia usado quando entrara no santuário, e ali as deixará. 24Banhará o seu corpo em água no lugar santo e porá as suas vestes; então, sairá, e oferecerá o seu holocausto e o holocausto do povo, e fará expiação por si e pelo povo. 25Também queimará a gordura da oferta pelo pecado sobre o altar. 26E aquele que tiver levado o bode emissário lavará as suas vestes, banhará o seu corpo em água e, depois, entrará no arraial. 27Mas o novilho e o bode da oferta pelo pecado, cujo sangue foi trazido para fazer expiação no santuário, serão levados fora do arraial; porém as suas peles, a sua carne e o seu excremento se queimarão. 28Aquele que o queimar lavará as suas vestes, banhará o seu corpo em água e, depois, entrará no arraial.
29Isso vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez dias do mês, afligireis a vossa alma e nenhuma obra fareis, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós. 30Porque, naquele dia, se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados, perante o Senhor. 31É sábado de descanso solene para vós outros, e afligireis a vossa alma; é estatuto perpétuo. 32Quem for ungido e consagrado para oficiar como sacerdote no lugar de seu pai fará a expiação, havendo posto as vestes de linho, as vestes santas; 33fará expiação pelo santuário, pela tenda da congregação e pelo altar; também a fará pelos sacerdotes e por todo o povo da congregação. 34Isto vos será por estatuto perpétuo, para fazer expiação uma vez por ano pelos filhos de Israel, por causa dos seus pecados. E fez Arão como o Senhor ordenara a Moisés.

O dia da Expiação era a representação máxima da obra de Jesus na Cruz e seus benefícios em favor dos salvos.


I - O DIA DA EXPIAÇÃO ERA O DIA DO SACRIFICIO EM FAVOR DOS PECADOS DO POVO –

O dia da expiação era o dia mais importante do calendário litúrgico do povo israelita, junto com a páscoa. A páscoa era o dia mais festivo, o dia da Expiação era o mais solene. A Páscoa judaica é comemorada até hoje como um memorial pela saída do Egito. O cristianismo contextualizou a páscoa para comemorar a ressurreição de Jesus. O dia Expiação, depois da destruição do Templo passou a ser comemorada com jejuns e humilhação diante de Deus e hoje é conhecido como o dia de Yom Kippur, ou dia do perdão. É o dia mais importante do calendário judaico.
Este dia, segundo o texto era comemorado uma vez por ano, no décimo dia do décimo mês (v.29). Deveria ser um dia onde ninguém deveria trabalhar, nem comer, nem fazer sexo. O propósito destas abstinências era a purificação (vs 29-33). Se os rituais fossem oferecidos de acordo com as prescrições, então o povo todo era beneficiado com o perdão dos pecados.

Os sacrifícios oferecidos ao contrário dos mencionados anteriormente não eram para benefícios pessoais, mas coletivos.

II - OS RITUAIS DO DIA DA EXPIAÇÃO REPRESENTAVA CRISTO, TANTO NA PESSOA DO SUMO SACERDOTE, DOS SACRIFÍCIOS E TAMBÉM NO SIGNIFICADO DO TABERNÁCULO.

O ritual exigia um novilho e dois bodes para a purificação e um carneiro para o holocausto – vs 3-5. O ritual era oferecido em três etapas.

- Na primeira o sumo sacerdote oferecia o novilho como oferta pela sua casa – v.6
- Na segunda, os dois bodes eram apresentados ao Senhor, mas era sorteado um para ser oferecido em expiação – era o bode expiatório e o outro era solto no deserto que era o bode emissário – chamado de Azael – que significa o – bode que vai.
O Tabernáculo tinha três partes. A parte exterior onde ficava o altar e objetos de sacrifícios, o lugar santo que era uma parte mais interior e o Santos dos Santos onde o sumo sacerdote entrava e somente ele. Neste lugar ficava a arca da aliança.
Há textos no Antigo Testamento sobre o Tabernáculo, mas vamos reproduzir o texto de Hebreus 9 que explica bem as partes e as funções do Tabernáculo – vs 1-7

- Na terceira etapa do ritual, consistia em produzir fumaça com o incensário. Era preciso uma nuvem de fumaça antes que o sumo sacerdote entrasse no santos dos santos.

III - O DIA DA EXPIAÇÃO REPRESENTAVA O SIGNIFICADO MÁXIMO DO SACRIFICIO DE CRISTO

A Carta aos Hebreus no Novo Testamento, especialmente o capítulo nove, traz a explicação do significado do dia a Expiação. Hebreus 9.23-28
A explicação, é que Jesus ao morrer na cruz realizou aquilo que o sumo sacerdote fazia. Tanto o sumo sacerdote como os rituais representavam Cristo e Cristo deu cumprimento total aos rituais.
O sumo sacerdote precisava oferecer um sacrifício por ele e sua família.
Jesus, era puro e perfeito sacerdote e não precisava oferecer sacrifício por si mesmo.
O sacrifício deveria ser oferecido todos os anos.
Jesus obteve redenção eterna, ofereceu um só sacrifício para sempre que não precisa ser repetido.
O sumo sacerdote entrava no santos dos santos, mas com o lugar cheio de fumaça para esconder a manifestação divina.
Jesus ao morrer e ressuscitar entrou no santuário celestial, e não apenas no Santos dos Santos – além disso possibilitou a entrada a todos os que são beneficiados por seu sacrifício.

IV – DEVEMOS ENTENDER, APLICAR E PRATICAR TODO O SIGNIFICADOS DESTAS COISAS SAGRADAS.

É uma tentação para nós pensar que precisamos contribuir de algum modo para a nossa própria salvação. Nossas obras não são inúteis, mas, quanto a servirem como base para nosso perdão e aceitação por parte de Deus, elas são lamentavelmente inadequadas. Pelo contrário, elas são frutos da nossa fé na salvação completa que Deus nos outorgou por meio de Cristo. Os símbolos religiosos e as tradições não podem substituir, nem complementar as realidades gloriosas da morte de nosso Senhor.

Sendo assim quero fazer cinco considerações práticas:

1 – O desempenho religioso nunca foi e não é suficiente para nos aperfeiçoar e nos fazer aproximar de Deus.
2 – Não devemos acrescentar nada à expiação completa, ao perdão completo que Jesus já obteve na cruz.
3 – Não há qualquer deficiência na morte e ressurreição de nosso Senhor.
4 – Não há nenhuma maneira pela qual a salvação declarada por Cristo possa ser melhorada ou alterada.
5 – Que ser cristão é saber que somos beneficiados pelos méritos de Cristo que conquistou a salvação para nós e tudo o que ela significa.

VIVER COM PACIÊNCIA, ESPERANÇA E PERSEVERANÇA – Romanos 8.18-25

  Pregado em 03 de maio de 2020 sexto sermão na Pademia                                                                                     ...