sexta-feira, 9 de julho de 2010

O QUE É A PREGAÇÃO





PREGAR A PALAVRA É PREGAR O TEXTO BÍBLICO


Pregar é pregar a Palavra, e a Palavra é o texto bíblico. Pregar é expor o texto bíblico com fidelidade para que os que ouvem possam ouvir a voz de Deus.
Pregar não é fazer comentários sobre o texto bíblico.
Pregar é, através do texto bíblico levar os ouvintes a entender a voz de Deus.
O pregador deve entender que ele não está sozinho, ele faz parte de uma tradição e que deve honrar a história da pregação.
Antes de nos levantarmos para pregar devemos entender que outros já o fizeram e que pagaram um alto preço para fazer isso.
Antes de pregar pense em Jesus pregando.
 Pense nos apóstolos pregando. Pense nos pais da igreja como Irineu, Policarpo, Papías e Tertuliano. Pense em pregadores antigos como Agostinho e Crisóstomo. Pense em Lutero e Calvino.
Pense nos puritanos como John Bunyan, Baxter e John Owen e como eles trataram a pregação com grandeza. Pense em Edwards e sua profundidade, em Wesley e sua dedicação, em Whitefield e sua eloquência, em Spurgeon e sua genialidade.
 Pense em Moody e sua autoridade, em Lloyd Jones e sua fidelidade à Palavra. Pense nos anônimos, nos pequenos, nos que pregam por amor à Palavra. Pense naqueles que perderam a vida pela pregação.
Antes de pregar pense na grandeza do oficio e na grandeza da missão.
Pregar é uma arte. Arte profética. Arte espiritual. Arte que precisa ser desenvolvida com muito trabalho e dedicação.
Há muito que precisa ser feito antes de pregar. É um trabalho árduo. A pregação exige dedicação ao texto bíblico.








PREGADORES



O conteúdo da pregação deve ser preferível à forma da pregação.
O pregador não deve se preocupar com a performance.
Também o pregador não deve fazer tipo, nem se preocupar em criar um estilo.
O pregador bíblico deve deixar a pregação fluir, naturalmente.
O melhor pregador é o que expõe  o texto.
Aquele que prega com simplicidade.

SOBRE PREGADORES


MANEIRAS DE PREGAR A VERDADE
 Hoje nos púlpitos mundo a fora, temos muitos pregadores que usam o GRITO para mostrar poder, unção e espiritualidade. Não imagino o Senhor Jesus gritando em suas pregações. Grito não quer dizer unção, nem poder, nem nada, a não ser demonstração de desequilíbrio.

Não é preciso gritar para convencer alguém da verdade. Quem grita sua verdade, não quer convencer, mas impor. Os grandes pregadores de todos os séculos não gritavam, mas falavam. Martyn Lloyd Jones e Jonathan Edwards são exemplos disso. Não sei porque também os pregadores mudam o tom de voz para pregar. Portanto, a quem interessar possa, ao pregar, pregue naturalmente.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O HOMEM QUE NEGOU JESUS - II


Pregado em outubro de 2007


 

AS FALHAS NA ESPIRITUALIDADE DE PEDRO COMO CAUSA DE SEU FRACASSO – primeira parte.
Texto Mt 26.31-45
31 Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas. 32 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
33 Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim.
34 Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.
35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.
36 Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar;
37 e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.
38 Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.
39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. 40 E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? 41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
42 Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. 43 E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados.
44 Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
45 Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores.

Pedro era um homem integro. Errou por causa de equívocos e falhas na sua espiritualidade prática. Vemos nos relatos dos Evangelhos, que ele precipitado ao falar. Não ouvia, era orgulhoso e muito impulsivo. Antes de negar a Jesus, vemos as seguintes falhas na espiritualidade de Pedro.


A PRIMEIRA FALHA - POUCA ORAÇÃO
Jesus estava para passar um tempo em oração. Ele convida os discípulos para ir junto. Ele leva na verdade, Pedro, Tiago e João. 
Ele diz: “fiquem aqui e vigiem comigo” v.38
“vocês não podem vigiar comigo nem uma hora?” v.40
“vigiem e orem para que caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” v.41
“Jesus, de novo os encontra dormindo porque estavam cansados”. V.43
Jesus convidou Pedro para orar, porque era importante para Pedro.
Quando temos uma batalha forte contra o mal ou circunstância difícil, o Senhor nos chama a oração. A maior parte dos fracassos que temos ao enfrentar problemas, vêm, por falta de oração. Se Pedro tivesse orado com Jesus, ele teria mais força, mais visão espiritual.
A oração nos faz fortes, renova nosso espírito. Os momentos de tribulação existem, e Jesus avisou a Pedro que ele iria enfrentar problemas. Jesus disse a Pedro: “Satanás pediu para peneirar você como trigo, mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” Lc 22.31,32
A oração é o melhor remédio prático que podemos usar em tempos de tribulação. Jesus, quando sua alma ficou angustiada, foi para a oração. Uma intensa oração.
As tribulações são um cálice do qual todos precisamos beber neste mundo. “no mundo vocês terão aflições” – Jesus disse.
No Livro de Jó está escrito: “O sofrimento não brota do pó, e as dificuldades não nascem do chão. No entanto, o ser humano nasce para as dificuldades, tão certo é isso como as fagulhas voam para cima.” Jó 5.26-27
Não podemos evitar as dificuldades. Dentre todas as criaturas, nenhuma é tão vulnerável quanto o ser humano. Nosso corpo, nossa mente, nossa família, nossos negócios, nossos amigos – são várias portas por onde a tribulação pode vir.
Mesmo os mais santificados dos Filhos de Deus não podem de declarar como exceção. 
A exemplo de Jesus, os crentes, com grande frequência, são “homens de dores”.
Qual seria a primeira coisa que deveríamos fazer quando a tribulação vem? Deveríamos orar.
A primeira pessoa a quem deveríamos pedir ajuda é ao nosso Deus. 
Deveríamos contar ao nosso Pai, que está no céu, todas as nossas aflições.
 Pedro e os outros discípulos, estavam para ser peneirados por Satanás – então eles deveriam orar, mas preferiram dormir. Foram vencidos pelo fracasso – pelo cansaço, pelo desejo de não orar.
Vejamos o poder que a oração tem e o que aconteceria se Pedro e o que acontece quando oramos mais:
1 – A ORAÇÃO DO CRENTE TRAZ O PODER DE JESUS À SUA VIDA.
Jesus orou por Pedro, para que ele não desanimasse na tribulação. Se Pedro orasse também, a oração de Jesus por ele teria efeito mais imediato e real.
Quem ora crê. Quando oramos cremos. 
Enquanto estamos orando não estamos sucumbindo à dúvida.
Enquanto oramos não desfalecemos. Não somos derrotados.
2 – A ORAÇÃO NOS FAZ VENCER AS TENTAÇÕES.
Jesus disse: “orem para que vocês não caiam na tentação”.
Pedro foi provado. A provação não é tentação, mas na provação podemos ser tentados.
Pedro foi provocado três vezes, e aos poucos foi se irando.
Além de negar a Jesus se descontrolou. 
Mas a oração de Jesus fez efeito na hora mais necessária. 
Pedro se arrependeu e finalmente se converteu. Quando estamos lutando, devemos orar para não cairmos nas tentações. A tribulação nos desafia, mas na oração somos fortalecidos.
3 – A ORAÇÃO NOS FORTALECE ESPIRITUALMENTE.
Jesus disse: “ O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.
Pedro negou Jesus, porque, estava vivendo um momento de grande fraqueza. 
Foi uma sucessão de erros. Não deu importância para a advertência de Jesus.
Dormiu, quando devia orar. Quis lutar com os soldados. Seguiu Jesus de longe.
 Negou a Jesus.
Podemos dizer que ele se encontrava fraco. 
Jesus disse: Ore, porque a carne é fraca. Se Pedro tivesse orado, ele certamente teria mais discernimento.
Quando oramos fortalecemos nosso espírito. Somente através da oração nos fortalecemos espiritualmente.
Se você está vivendo momentos de tentação, de luta, de fracasso, vá imediatamente à oração.
Você precisa orar. Sem oração não dá.


O HOMEM QUE NEGOU JESUS - I

                                        Pregado em setembro de 2007


A NEGAÇÃO DE PEDRO E O FRACASSO DA AUTOSUFICIÊNCIA

Texto Mc 14.26 -31
26 Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
27 Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.
28 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
29 Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!
30 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.
31 Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.

Pedro era o super discípulo. Podemos imaginá-lo, num gesto eloqüente e cheio de auto-confiança afirmar: “Os outros todos podem te abandonar, Senhor, mas eu não, jamais”.
Jesus diz: Sim Pedro – você vai me negar, sim. Antes que o galo cante duas vezes, três vezes você vai me negar.
O que era o canto do galo? É provável que não fosse o canto da conhecida ave doméstica. Ao que parece não era permitida a criação de aves dentro da cidade.
O horário das três da manhã era chamado de CANTO DO GALO. Neste horário era feito a troca da guarda romana nas fortalezas – e o sinal para indicar essa troca da guarda romana nas fortalezas – e o sinal para indicar essa troca era o toque de uma trombeta. Nos dias festivos dava-se dois toques. A palavra latina para este toque seria GALLICINIUM – canto do galo.
A noite para os guardas era dividida em quatro vigílias (ver Mc 13.35-37).
A primeira vigília das 18 às 21 hs.
A segunda vigília das 21 às 00 hs.
A terceira vigília da meia-noite às três da manhã – O canto do galo
A quarta vigília do Canto do Galo (3hs) às 6 horas da manhã.
A negação de Pedro foi o fracasso do Pedro não transformado. Pedro experimentou o fracasso total quando posto à prova. Na verdade toda a lição da negação de Pedro não é o fracasso de Pedro, mas o perdão de Jesus. A lição, não é tanto sobre a fraqueza de Pedro, mas sobre a graça de Jesus. Depois da ressurreição, Jesus perdoou Pedro na presença de todos (João 21.15-17). O final – o capitulo final da história é um triunfo da graça, e não uma derrota de Pedro. Mas se houve uma restauração, antes houve uma queda. Vamos ver como e porque ele caiu.

I – O FRACASSO DA AUTOCONFIANÇA.
Pedro tinha uma personalidade muito forte. Era um homem determinado, pronto para servir e era sempre o porta-voz dos outros. Depois da ascensão de Jesus ele se tornou o líder da igreja nos primeiros anos. Para que ele cumprisse o propósito de Deus na sua vida, ele teria que primeiro fazer morrer aquilo que o impedia de ser uma benção para o Reino. Ele precisava fracassar. Ele precisa ser o que se tornou. O que acontecia com ele que o levou ao fracasso.
1 – A AUTOCONFIANÇA ORGULHOSA – SOBERBA.
Quando Jesus disse que todos iriam fugir (Mt 26.31), ele disse: “Todos, menos eu” (v.33).
Ele não admitia errar. Ele não admitia falhas. Nem nos outros, nem nele.
2 – ATITUDES ARROGANTES.
Ele não era bom ouvinte.
Ele muitas vezes falava sem pensar. Ele muitas vezes, até mesmo tinha a mania de contradizer a Jesus.
Pedro, nem sempre parecia sentir quando deveria escutar em vez de falar.
3 – NÃO APRENDIA COM OS ERROS.
Muitas e muitas vezes Jesus o corrigia, mas ele continuava igual. Parece que Pedro nunca se achava errado.
Finalmente, quando Jesus tentou avisá-lo com antecedência, que algo muito sério iria acontecer. Ele não aceitou, até discutiu com Jesus. “ainda que precise morrer contigo, eu não te negarei” Mt 26.35
Simplesmente não havia como falar com Pedro. Não havia como ensinar a Pedro.

II – O FRACASSO DA SUPER ESPIRITUALIDADE.
Pedro era muito orgulhoso e seu orgulho atingia também sua espiritualidade. Ele se achava muito espiritual. “Todos pecam, menos eu”.
O segundo fracasso de Pedro, era se achar muito preparado e se achar mais espiritual do que os outros. Vejamos como Pedro fracassou na sua espiritualidade.
1 – O ORGULHO ESPIRITUAL E A IMAGINAÇÃO DE INFALIBILIDADE.
A sensação que Pedro nos passa, é que ele era infalível. Um santarrão.
A sensação de infalibilidade e invencibilidade que fez com ele se gabasse, era em si mesmo uma manifestação de orgulho pecaminoso.
“o orgulho, a soberba sempre vem antes da queda”. (Pv 16.18)
2 - A ILUSÃO DE UMA ESPIRITUALIDADE SUPERIOR O DEIXOU VULNERÁVEL.
Pedro era vitima da auto-ilusão. A devoção a Cristo que tanto ele gabava era pouco mais do mera emoção. Ele se achava em um nível acima dos demais. Ele se achava mais fiel do que os outros.
3 – ELE TINHA NA VERDADE UMA FALSA MATURIDADE ESPIRITUAL.
Ele pensou ter atingido um nível de maturidade espiritual que se considerava incapaz de cair.
Ele falava com se fosse imune aos ataques de Satanás. Jesus disse á ele: “Pedro, se não fosse eu, Satanás já teria te derrubado”. Ele disse em troca: “eu não, eu sou fiel”.
Ele não admitia estar em perigo espiritual. Ele caiu porque tinha uma idéia errada de si mesmo.
Pensou que era o que não era.
Pensou ser o que o não era.
Pensou que tinha, o que na verdade lhe faltava.

Este é um grande perigo.
Você está de pé. Você que está de pé. Não dependa e si mesmo. Não confie em si mesmo. Confie em Jesus. Não tente ser super espiritual. Não seja um perfeccionista na fé. Admita suas falhas e admita que os outros também venham a falhar. Todos nós. Pedro, eu e você. Estamos nos mesmo barco. Todos nós precisamos ouvir de Jesus: Segue-me, mesmo assim.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O HOMEM QUE TRAIU JESUS - III

Pregado em setembro de 2007




                                                               AS DORES DA TRAIÇÃO
João 13.21-30
21 Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá.
22 Então, os discípulos olharam uns para os outros, sem saber a quem ele se referia.
23 Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava;
24 a esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: Pergunta a quem ele se refere.
25 Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem é?
26 Respondeu Jesus: É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. Tomou, pois, um pedaço de pão e, tendo-o molhado, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
27 E, após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás. Então, disse Jesus: O que pretendes fazer, faze-o depressa.
28 Nenhum, porém, dos que estavam à mesa percebeu a que fim lhe dissera isto.
29 Pois, como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: Compra o que precisamos para a festa ou lhe ordenara que desse alguma coisa aos pobres.
30 Ele, tendo recebido o bocado, saiu logo. E era noite.

A traição de Judas foi uma página a mais no livro da paixão e sofrimento de Jesus. Jesus se fez humano para salvar a humanidade pecadora. Ele veio para morrer em nosso lugar. Ele veio para pagar o preço pelo nosso pecado. Ele veio para ser o nosso substituto diante de Deus. Ele veio para sofrer o juízo de Deus em nosso lugar. Neste texto vemos que um dos mais tristes momentos na vida de Jesus, foi a traição de Judas. Não dói tanto o mal feito por um inimigo, dói mais o mal feito por um amigo.
Vejamos as lições deste acontecimento:


1 - A VIDA DE JESUS FOI UMA VIDA DE AFLIÇÕES POR AMOR A NÓS.
Após lavar os pés dos discípulos, “Jesus se angustiou em espírito e afirmou: um dentre vocês vai me trair”.
Jesus era “homem de dores” (Is 53.3). Toda a amplitude das aflições de Jesus, durante seu ministério terreno, está muito além da compreensão da maioria das pessoas. Sua morte, seus sofrimentos na cruz foram o clímax, a consumação de suas aflições.
Durante todo o seu ministério ele teve que enfrentar a incredulidade dos judeus. O ódio dos fariseus e saduceus.
A angústia descrita neste texto é forte. Ver um dos discípulos escolhido tornar-se voluntariamente um apóstata, um traidor, doeu na alma de Jesus.
Nada mais duro do que a ingratidão. Não deveria ser assim, porque Jesus sabia da traição – porque sentiu tanto?
Neste acontecimento podemos perceber o admirável amor de Cristo pelas pessoas, pelos pecadores, pelos perdidos.
Ele não sofria pela traição, ele sofria pelo traidor.
Não era a traição que doía, era o traidor que o fazia sofrer. A alma do traidor que o fazia sofrer.

2 – ESTE ACONTECIMENTO REVELA O PODER E A MALIGNIDADE DE NOSSO INIMIGO.

O texto revela que “Satanás entrou no coração de Judas Iscariotes”.
Vejamos como é terrível a obra maligna no coração e na vida de uma pessoa.
Quando ele encontra oportunidade, uma porta aberta, ele entra e se apossa completamente, e, como um tirano, controla o íntimo da pessoa.
Não podemos ignorar sua malignidade – Paulo diz: “não ignoramos as suas intenções”. 2 Cor 2.11
Ele ainda está passeando pela Terra, procurando alguém para devorar – 1 Pe 5.8
Nossa segurança está em nossa submissão a Deus. Quem se submete ao Senhor, resiste ao Diabo, vence o Diabo.

3 – ESTE ACONTECIMENTO REVELA A NECESSIDADE DA VIGILÂNCIA CONSTANTE.
Quando uma pessoa começa a dar lugar ao Diabo, não sabe até onde se aprofundará no pecado. É assim que começa o caminho para a ruína eterna.
Judas permitiu ao Diabo entrou em seu coração.
Não podemos deixar Satanás semear pensamentos pecaminosos em nossa mente.
Não podemos brincar como o pecado. Não podemos reputar como insignificantes as idéias más que surgem em nossos corações e mentes.
Não podemos permitir que Satanás fale conosco, nos engane e nos seduza.
Precisamos constantemente vigiar. Precisamos ficar atentos para não cairmos nas armadilhas do inimigo.
O laço do passarinheiro está armado.
O laço do caçador quer nos prender, mas em Jesus temos o escape.

4 – NESTE ACONTECIMENTO VEMOS O CAMINHO DA PERDIÇÃO E A SITUAÇÃO DESESPERADORA DE TODOS QUE VIVEM E MORREM SEM SALVAÇÃO.
A dureza do coração de Judas e a ação do Diabo na vida de Judas o “levaram ao desespero e a morte”.
Jesus disse “melhor fosse não ter nascido”.
A pior coisa que pode acontecer é uma pessoa
viver sem fé, e morrer sem a graça divina.
Morrer em tal estado, significa ruína para todo o sempre.
Trata-se de uma queda sem recuperação – é uma perda irreparável.
Jesus veio salvar o perdido. Se não houvesse a perdição, não haveria o salvador.
Não devemos nos envergonhar de andar nas antigas veredas, crendo que existe um Deus eterno, um céu eterno e um inferno eterno.
Judas não teve um salvador. Judas não teve salvação, apesar da presença do salvador.

Não endureçamos o nosso coração.
Jesus morreu por nós, sofreu por nós – porque nos amou.
O pecado nos afasta de Jesus, mas Jesus quer nos afastar do pecado.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O HOMEM QUE TRAIU JESUS - II

Pastor Rogerio Nascimento
Pregado em agosto de 2007
Resultado de imagem para Judas moedas de prata


        A RELIGIÃO DO HOMEM QUE TRAIU JESUS
Texto: Mt 26.45-50

Judas acompanhou Jesus durante todo seu ministério. Ele era um dos doze, um dos mais respeitados e importantes discípulos, tanto que era o tesoureiro do grupo.
Ele participou do Evangelho, mas não viveu o Evangelho.
Ao analisarmos o perfil religioso de Judas Iscariotes, chegaremos à conclusão que ele fazia parte daquele grupo de crente que até hoje existe; os questionadores, insatisfeitos, e que sempre tem uma palavra pronta: “não concordo”. Aquele grupo que tem suas próprias ideias, sua própria maneira de crer. Aquele grupo que está na igreja, mas não coopera porque diz: “seu eu fosse o pastor faria assim e assim...”.
O texto em Atos 1.25, diz que Judas se transviou, e foi para seu próprio lugar e apostatou da fé. O apóstata, é aquele que crê, mas de maneira errada.
Judas caiu do Apostolado, mas nunca pertenceu de fato a Jesus, nunca teve uma relação pessoal com, genuína com Jesus. Ele não perdeu a salvação, porque nunca foi salvo de fato.
Judas vivia naquele estágio de seguidor indiferente de Jesus, que está em sua companhia, mas não compartilha de seu Espírito (ver Rom 8.9).
Vamos analisar os perigos de quem está perto de Jesus, mas não se converte a Jesus.
O que leva uma pessoa à queda e a se distanciar de Jesus? Vejamos os sintomas na vida de Judas Iscariotes.

1- CEGUEIRA ESPIRITUAL
Judas estava perto da luz do mundo, mas na sua alma havia trevas.
Jesus era a luz . Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue não anda nas trevas ( Jo 8.12).
A Apóstolo João falando sobre Jesus disse: “Nele estava a vida e esta era a luz do homens. A lua brilha nas trevas e as trevas não a derrotaram” (Jo 1.4,5).
A luz que ilumina, iluminou os outros discípulos.
Iluminou o gênio de Pedro. Iluminou o coração de Mateus. Iluminou a alma de Nicodemus. Iluminou o caráter de Maria Madalena, de Zaqueu, de Natanael, de Simão Zelote e tantos outros. “ O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz: sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou um luz ( Mt 4.16)
A luz que iluminou muitas pessoas, não iluminou a alma de Judas. Ele permaneceu na cegueira espiritual. Vendo a luz, permaneceu nas trevas.

2- INSENSIBILIDADE ESPIRITUAL.
Judas ouviu todas as Palavras de vida, mas havia dureza em seu coração.
Ele ouviu a verdade, todas as Palavras da verdade, mas não entraram em seu coração por causa da dureza de seu coração.
Jesus disse que o maior mandamento é: “ame o Senhor seu Deus de todo seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (MT 22.37). Ele não conseguiu cumprir o maior mandamento de Jesus. Judas não amou a Jesus.
O coração de Judas permaneceu como o coração dos discípulos estavam depois da multiplicação dos pães e quando viram Jesus andando sobre as águas, ficaram assustados e incrédulos: to texto diz : “ eles não tinham absorvido ainda o milagre da multiplicação. O coração deles estava endurecido” ( Mc 6.52).
O que mostra a insensibilidade espiritual de Judas é o tempo que ele viu e ouviu as coisas mais maravilhosas, as palavras mais poderosas e mesmo assim, não se converteu a Jesus.

3- ENGANO ESPIRITUAL
Judas revelou o que ainda hoje vemos, adesão e não conversão.
Judas não enganou Jesus, enganou-se a si mesmo. Ele demonstrava até as melhores intenções cristãs. Mostrou uma incrível preocupação com os pobres (Jo 12.3-5) Demonstrou reverência para com Jesus. Na hora de entregar Jesus, ele se aproxima e com toda a reverência diz: “salve mestre, meu mestre” e o beijou, como um discípulo beija o seu mestre (Mt 26.49).
Ainda hoje, temos pessoas assim. Tem a aparência de reverência, mas não possui a mesma reverência no coração.
O maior sinal de uma pessoa assim é amar mais as coisas do amar as pessoas.
Quem está na igreja, mas não ama a Jesus, não engana a ninguém mais do que a si mesmo.

4- SUPERFICIALIDADE NA FÉ.
Judas por fim, mostrou algo muito comum ainda hoje.
Uma fé de ocasião. Uma fé sem raízes. Uma fé em coisas erradas. Uma fé na igreja, mas não em Jesus.
Judas seguiu Jesus o tempo todo, mas a traição revelou quem ele realmente era.
Claro que a traição fazia parte do plano de Deus. Jesus estava com o destino traçado, a morte na cruz.
Não podemos criticar, nem condenar Judas pela traição, porque fazia parte do plano de Deus. O que condena Judas é o seu caráter. É o seu coração. Ele desenvolveu um plano maldoso. Ele fez as coisas de maneira sórdida. Ele se deixou usar pelo diabo. Ele se revoltou com Jesus.
Ele não teve fé em Jesus e, no desespero, por causa das trevas em sua alma se suicidou.

Analisemos nossa fé. Não podemos viver de qualquer maneira – ou nos convertemos verdadeiramente a Jesus, ou o desespero tomará conta do coração.
A espiritualidade cristã é a espiritualidade da esperança. Sem Jesus sobra apenas desespero e falta de propósito para a vida.

VIVER COM PACIÊNCIA, ESPERANÇA E PERSEVERANÇA – Romanos 8.18-25

  Pregado em 03 de maio de 2020 sexto sermão na Pademia                                                                                     ...