quinta-feira, 8 de julho de 2010

O HOMEM QUE NEGOU JESUS - I

                                        Pregado em setembro de 2007


A NEGAÇÃO DE PEDRO E O FRACASSO DA AUTOSUFICIÊNCIA

Texto Mc 14.26 -31
26 Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
27 Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.
28 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
29 Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!
30 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.
31 Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.

Pedro era o super discípulo. Podemos imaginá-lo, num gesto eloqüente e cheio de auto-confiança afirmar: “Os outros todos podem te abandonar, Senhor, mas eu não, jamais”.
Jesus diz: Sim Pedro – você vai me negar, sim. Antes que o galo cante duas vezes, três vezes você vai me negar.
O que era o canto do galo? É provável que não fosse o canto da conhecida ave doméstica. Ao que parece não era permitida a criação de aves dentro da cidade.
O horário das três da manhã era chamado de CANTO DO GALO. Neste horário era feito a troca da guarda romana nas fortalezas – e o sinal para indicar essa troca da guarda romana nas fortalezas – e o sinal para indicar essa troca era o toque de uma trombeta. Nos dias festivos dava-se dois toques. A palavra latina para este toque seria GALLICINIUM – canto do galo.
A noite para os guardas era dividida em quatro vigílias (ver Mc 13.35-37).
A primeira vigília das 18 às 21 hs.
A segunda vigília das 21 às 00 hs.
A terceira vigília da meia-noite às três da manhã – O canto do galo
A quarta vigília do Canto do Galo (3hs) às 6 horas da manhã.
A negação de Pedro foi o fracasso do Pedro não transformado. Pedro experimentou o fracasso total quando posto à prova. Na verdade toda a lição da negação de Pedro não é o fracasso de Pedro, mas o perdão de Jesus. A lição, não é tanto sobre a fraqueza de Pedro, mas sobre a graça de Jesus. Depois da ressurreição, Jesus perdoou Pedro na presença de todos (João 21.15-17). O final – o capitulo final da história é um triunfo da graça, e não uma derrota de Pedro. Mas se houve uma restauração, antes houve uma queda. Vamos ver como e porque ele caiu.

I – O FRACASSO DA AUTOCONFIANÇA.
Pedro tinha uma personalidade muito forte. Era um homem determinado, pronto para servir e era sempre o porta-voz dos outros. Depois da ascensão de Jesus ele se tornou o líder da igreja nos primeiros anos. Para que ele cumprisse o propósito de Deus na sua vida, ele teria que primeiro fazer morrer aquilo que o impedia de ser uma benção para o Reino. Ele precisava fracassar. Ele precisa ser o que se tornou. O que acontecia com ele que o levou ao fracasso.
1 – A AUTOCONFIANÇA ORGULHOSA – SOBERBA.
Quando Jesus disse que todos iriam fugir (Mt 26.31), ele disse: “Todos, menos eu” (v.33).
Ele não admitia errar. Ele não admitia falhas. Nem nos outros, nem nele.
2 – ATITUDES ARROGANTES.
Ele não era bom ouvinte.
Ele muitas vezes falava sem pensar. Ele muitas vezes, até mesmo tinha a mania de contradizer a Jesus.
Pedro, nem sempre parecia sentir quando deveria escutar em vez de falar.
3 – NÃO APRENDIA COM OS ERROS.
Muitas e muitas vezes Jesus o corrigia, mas ele continuava igual. Parece que Pedro nunca se achava errado.
Finalmente, quando Jesus tentou avisá-lo com antecedência, que algo muito sério iria acontecer. Ele não aceitou, até discutiu com Jesus. “ainda que precise morrer contigo, eu não te negarei” Mt 26.35
Simplesmente não havia como falar com Pedro. Não havia como ensinar a Pedro.

II – O FRACASSO DA SUPER ESPIRITUALIDADE.
Pedro era muito orgulhoso e seu orgulho atingia também sua espiritualidade. Ele se achava muito espiritual. “Todos pecam, menos eu”.
O segundo fracasso de Pedro, era se achar muito preparado e se achar mais espiritual do que os outros. Vejamos como Pedro fracassou na sua espiritualidade.
1 – O ORGULHO ESPIRITUAL E A IMAGINAÇÃO DE INFALIBILIDADE.
A sensação que Pedro nos passa, é que ele era infalível. Um santarrão.
A sensação de infalibilidade e invencibilidade que fez com ele se gabasse, era em si mesmo uma manifestação de orgulho pecaminoso.
“o orgulho, a soberba sempre vem antes da queda”. (Pv 16.18)
2 - A ILUSÃO DE UMA ESPIRITUALIDADE SUPERIOR O DEIXOU VULNERÁVEL.
Pedro era vitima da auto-ilusão. A devoção a Cristo que tanto ele gabava era pouco mais do mera emoção. Ele se achava em um nível acima dos demais. Ele se achava mais fiel do que os outros.
3 – ELE TINHA NA VERDADE UMA FALSA MATURIDADE ESPIRITUAL.
Ele pensou ter atingido um nível de maturidade espiritual que se considerava incapaz de cair.
Ele falava com se fosse imune aos ataques de Satanás. Jesus disse á ele: “Pedro, se não fosse eu, Satanás já teria te derrubado”. Ele disse em troca: “eu não, eu sou fiel”.
Ele não admitia estar em perigo espiritual. Ele caiu porque tinha uma idéia errada de si mesmo.
Pensou que era o que não era.
Pensou ser o que o não era.
Pensou que tinha, o que na verdade lhe faltava.

Este é um grande perigo.
Você está de pé. Você que está de pé. Não dependa e si mesmo. Não confie em si mesmo. Confie em Jesus. Não tente ser super espiritual. Não seja um perfeccionista na fé. Admita suas falhas e admita que os outros também venham a falhar. Todos nós. Pedro, eu e você. Estamos nos mesmo barco. Todos nós precisamos ouvir de Jesus: Segue-me, mesmo assim.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O HOMEM QUE TRAIU JESUS - III

Pregado em setembro de 2007




                                                               AS DORES DA TRAIÇÃO
João 13.21-30
21 Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá.
22 Então, os discípulos olharam uns para os outros, sem saber a quem ele se referia.
23 Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava;
24 a esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: Pergunta a quem ele se refere.
25 Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem é?
26 Respondeu Jesus: É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. Tomou, pois, um pedaço de pão e, tendo-o molhado, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
27 E, após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás. Então, disse Jesus: O que pretendes fazer, faze-o depressa.
28 Nenhum, porém, dos que estavam à mesa percebeu a que fim lhe dissera isto.
29 Pois, como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: Compra o que precisamos para a festa ou lhe ordenara que desse alguma coisa aos pobres.
30 Ele, tendo recebido o bocado, saiu logo. E era noite.

A traição de Judas foi uma página a mais no livro da paixão e sofrimento de Jesus. Jesus se fez humano para salvar a humanidade pecadora. Ele veio para morrer em nosso lugar. Ele veio para pagar o preço pelo nosso pecado. Ele veio para ser o nosso substituto diante de Deus. Ele veio para sofrer o juízo de Deus em nosso lugar. Neste texto vemos que um dos mais tristes momentos na vida de Jesus, foi a traição de Judas. Não dói tanto o mal feito por um inimigo, dói mais o mal feito por um amigo.
Vejamos as lições deste acontecimento:


1 - A VIDA DE JESUS FOI UMA VIDA DE AFLIÇÕES POR AMOR A NÓS.
Após lavar os pés dos discípulos, “Jesus se angustiou em espírito e afirmou: um dentre vocês vai me trair”.
Jesus era “homem de dores” (Is 53.3). Toda a amplitude das aflições de Jesus, durante seu ministério terreno, está muito além da compreensão da maioria das pessoas. Sua morte, seus sofrimentos na cruz foram o clímax, a consumação de suas aflições.
Durante todo o seu ministério ele teve que enfrentar a incredulidade dos judeus. O ódio dos fariseus e saduceus.
A angústia descrita neste texto é forte. Ver um dos discípulos escolhido tornar-se voluntariamente um apóstata, um traidor, doeu na alma de Jesus.
Nada mais duro do que a ingratidão. Não deveria ser assim, porque Jesus sabia da traição – porque sentiu tanto?
Neste acontecimento podemos perceber o admirável amor de Cristo pelas pessoas, pelos pecadores, pelos perdidos.
Ele não sofria pela traição, ele sofria pelo traidor.
Não era a traição que doía, era o traidor que o fazia sofrer. A alma do traidor que o fazia sofrer.

2 – ESTE ACONTECIMENTO REVELA O PODER E A MALIGNIDADE DE NOSSO INIMIGO.

O texto revela que “Satanás entrou no coração de Judas Iscariotes”.
Vejamos como é terrível a obra maligna no coração e na vida de uma pessoa.
Quando ele encontra oportunidade, uma porta aberta, ele entra e se apossa completamente, e, como um tirano, controla o íntimo da pessoa.
Não podemos ignorar sua malignidade – Paulo diz: “não ignoramos as suas intenções”. 2 Cor 2.11
Ele ainda está passeando pela Terra, procurando alguém para devorar – 1 Pe 5.8
Nossa segurança está em nossa submissão a Deus. Quem se submete ao Senhor, resiste ao Diabo, vence o Diabo.

3 – ESTE ACONTECIMENTO REVELA A NECESSIDADE DA VIGILÂNCIA CONSTANTE.
Quando uma pessoa começa a dar lugar ao Diabo, não sabe até onde se aprofundará no pecado. É assim que começa o caminho para a ruína eterna.
Judas permitiu ao Diabo entrou em seu coração.
Não podemos deixar Satanás semear pensamentos pecaminosos em nossa mente.
Não podemos brincar como o pecado. Não podemos reputar como insignificantes as idéias más que surgem em nossos corações e mentes.
Não podemos permitir que Satanás fale conosco, nos engane e nos seduza.
Precisamos constantemente vigiar. Precisamos ficar atentos para não cairmos nas armadilhas do inimigo.
O laço do passarinheiro está armado.
O laço do caçador quer nos prender, mas em Jesus temos o escape.

4 – NESTE ACONTECIMENTO VEMOS O CAMINHO DA PERDIÇÃO E A SITUAÇÃO DESESPERADORA DE TODOS QUE VIVEM E MORREM SEM SALVAÇÃO.
A dureza do coração de Judas e a ação do Diabo na vida de Judas o “levaram ao desespero e a morte”.
Jesus disse “melhor fosse não ter nascido”.
A pior coisa que pode acontecer é uma pessoa
viver sem fé, e morrer sem a graça divina.
Morrer em tal estado, significa ruína para todo o sempre.
Trata-se de uma queda sem recuperação – é uma perda irreparável.
Jesus veio salvar o perdido. Se não houvesse a perdição, não haveria o salvador.
Não devemos nos envergonhar de andar nas antigas veredas, crendo que existe um Deus eterno, um céu eterno e um inferno eterno.
Judas não teve um salvador. Judas não teve salvação, apesar da presença do salvador.

Não endureçamos o nosso coração.
Jesus morreu por nós, sofreu por nós – porque nos amou.
O pecado nos afasta de Jesus, mas Jesus quer nos afastar do pecado.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O HOMEM QUE TRAIU JESUS - II

Pastor Rogerio Nascimento
Pregado em agosto de 2007
Resultado de imagem para Judas moedas de prata


        A RELIGIÃO DO HOMEM QUE TRAIU JESUS
Texto: Mt 26.45-50

Judas acompanhou Jesus durante todo seu ministério. Ele era um dos doze, um dos mais respeitados e importantes discípulos, tanto que era o tesoureiro do grupo.
Ele participou do Evangelho, mas não viveu o Evangelho.
Ao analisarmos o perfil religioso de Judas Iscariotes, chegaremos à conclusão que ele fazia parte daquele grupo de crente que até hoje existe; os questionadores, insatisfeitos, e que sempre tem uma palavra pronta: “não concordo”. Aquele grupo que tem suas próprias ideias, sua própria maneira de crer. Aquele grupo que está na igreja, mas não coopera porque diz: “seu eu fosse o pastor faria assim e assim...”.
O texto em Atos 1.25, diz que Judas se transviou, e foi para seu próprio lugar e apostatou da fé. O apóstata, é aquele que crê, mas de maneira errada.
Judas caiu do Apostolado, mas nunca pertenceu de fato a Jesus, nunca teve uma relação pessoal com, genuína com Jesus. Ele não perdeu a salvação, porque nunca foi salvo de fato.
Judas vivia naquele estágio de seguidor indiferente de Jesus, que está em sua companhia, mas não compartilha de seu Espírito (ver Rom 8.9).
Vamos analisar os perigos de quem está perto de Jesus, mas não se converte a Jesus.
O que leva uma pessoa à queda e a se distanciar de Jesus? Vejamos os sintomas na vida de Judas Iscariotes.

1- CEGUEIRA ESPIRITUAL
Judas estava perto da luz do mundo, mas na sua alma havia trevas.
Jesus era a luz . Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue não anda nas trevas ( Jo 8.12).
A Apóstolo João falando sobre Jesus disse: “Nele estava a vida e esta era a luz do homens. A lua brilha nas trevas e as trevas não a derrotaram” (Jo 1.4,5).
A luz que ilumina, iluminou os outros discípulos.
Iluminou o gênio de Pedro. Iluminou o coração de Mateus. Iluminou a alma de Nicodemus. Iluminou o caráter de Maria Madalena, de Zaqueu, de Natanael, de Simão Zelote e tantos outros. “ O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz: sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou um luz ( Mt 4.16)
A luz que iluminou muitas pessoas, não iluminou a alma de Judas. Ele permaneceu na cegueira espiritual. Vendo a luz, permaneceu nas trevas.

2- INSENSIBILIDADE ESPIRITUAL.
Judas ouviu todas as Palavras de vida, mas havia dureza em seu coração.
Ele ouviu a verdade, todas as Palavras da verdade, mas não entraram em seu coração por causa da dureza de seu coração.
Jesus disse que o maior mandamento é: “ame o Senhor seu Deus de todo seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (MT 22.37). Ele não conseguiu cumprir o maior mandamento de Jesus. Judas não amou a Jesus.
O coração de Judas permaneceu como o coração dos discípulos estavam depois da multiplicação dos pães e quando viram Jesus andando sobre as águas, ficaram assustados e incrédulos: to texto diz : “ eles não tinham absorvido ainda o milagre da multiplicação. O coração deles estava endurecido” ( Mc 6.52).
O que mostra a insensibilidade espiritual de Judas é o tempo que ele viu e ouviu as coisas mais maravilhosas, as palavras mais poderosas e mesmo assim, não se converteu a Jesus.

3- ENGANO ESPIRITUAL
Judas revelou o que ainda hoje vemos, adesão e não conversão.
Judas não enganou Jesus, enganou-se a si mesmo. Ele demonstrava até as melhores intenções cristãs. Mostrou uma incrível preocupação com os pobres (Jo 12.3-5) Demonstrou reverência para com Jesus. Na hora de entregar Jesus, ele se aproxima e com toda a reverência diz: “salve mestre, meu mestre” e o beijou, como um discípulo beija o seu mestre (Mt 26.49).
Ainda hoje, temos pessoas assim. Tem a aparência de reverência, mas não possui a mesma reverência no coração.
O maior sinal de uma pessoa assim é amar mais as coisas do amar as pessoas.
Quem está na igreja, mas não ama a Jesus, não engana a ninguém mais do que a si mesmo.

4- SUPERFICIALIDADE NA FÉ.
Judas por fim, mostrou algo muito comum ainda hoje.
Uma fé de ocasião. Uma fé sem raízes. Uma fé em coisas erradas. Uma fé na igreja, mas não em Jesus.
Judas seguiu Jesus o tempo todo, mas a traição revelou quem ele realmente era.
Claro que a traição fazia parte do plano de Deus. Jesus estava com o destino traçado, a morte na cruz.
Não podemos criticar, nem condenar Judas pela traição, porque fazia parte do plano de Deus. O que condena Judas é o seu caráter. É o seu coração. Ele desenvolveu um plano maldoso. Ele fez as coisas de maneira sórdida. Ele se deixou usar pelo diabo. Ele se revoltou com Jesus.
Ele não teve fé em Jesus e, no desespero, por causa das trevas em sua alma se suicidou.

Analisemos nossa fé. Não podemos viver de qualquer maneira – ou nos convertemos verdadeiramente a Jesus, ou o desespero tomará conta do coração.
A espiritualidade cristã é a espiritualidade da esperança. Sem Jesus sobra apenas desespero e falta de propósito para a vida.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O HOMEM QUE TRAIU JESUS - I -

 Pregado em julho de 2007




O PERFIL DE JUDAS ISACRIOTES

Texto: Mt 26.14-25,45-46

Judas não resistiu àquilo que sua natureza pedia.

INTRODUÇÃO
Após ter sua alma prensada, sentir sozinho a agonia da alma e o terror da noite. Após sofrer a angustia do cálice amargo que teria que beber e derramar a sua alma em oração ao Pai, foi confortado por um anjo.
Agora, corajosamente levanta-se para enfrentar a sua hora, a hora de enfrentar a morte na cruz, desperta os discípulos e diz: “Vamos, levantem-se o traidor se aproxima”.
Mas quem era o traidor?
O nome dele era Judas Iscariotes. Muitos tentaram entender o porque Judas traiu Jesus.
As razões que se supõe são as seguintes:
Judas teria traído a Jesus por má índole e foi usado pelo diabo.
Judas teria traído a Jesus porque era membro de um partido político, de nome Zelotes, e esperava que Jesus libertasse o povo de Israel através de uma revolução, e quando isso não aconteceu resolveu entregar Jesus à morte.
Judas teria traído a Jesus porque era um gnóstico e entregou Jesus para que fosse morto e assim libertasse o espírito de Jesus que estava preso pelo corpo físico de Jesus.
Judas era um mercenário e traiu Jesus porque amava o dinheiro (Mt 26.14-16)
O que sabemos, é que as Escrituras dizem que o diabo entrou no coração de Judas (Jo 13.27)
Diz também que Judas era o filho da perdição (Jo 17.2).
Analisando o perfil de Judas segundo os Evangelhos, chegamos às seguintes conclusões
1 – ELE EXPERIMENTOU MOMENTOS ESPECIAS DE GRAÇA, MAS NÃO EXPERIMENTOU A GRAÇA ESPECIAL.
Ele esteve com Jesus por quase três anos. Ele não escolheu estar com Jesus, mas Jesus o escolheu para ser um dos amados discípulos.
Ele fora enviado junto nas muitas missões, para pregar o Evangelho e realizar milagres.
Ele escutou as palavras de Jesus e viu todos os milagres que Jesus fez.
Ele sentiu de perto o amor de Jesus.
Porém, mesmo experimentando demonstrações especiais da graça, não experimentou a graça especial. Não provou da graça, não viveu a graça.
2- ELE DESFRUTOU DE GRANDE BENÇÃOS.,MAS NÃO SE DEIXOU ABENÇOAR.
Judas, dispunha dos mais elevados privilégios religiosos possíveis. Ele foi escolhido para ser um Apóstolo de Jesus.
Ele viu e ouviu o que nenhum dos personagens do Antigo Testamento viram ou ouviram.
Mesmo assim, seu coração não foi mudado, nem sua vida foi mudada. Ele se apegava ao pecado, ao seu jeito de ser, seu gênio e apesar de ter a benção ao seu alcance, não quis ser abençoado.
3 – ELE FEZ UMA GRANDE CONFISSÃO DE FÉ, MAS NÃO VIVEU SUA CONFISSÃO.
Judas Iscariotes havia dito sim a Jesus. Ele havia feito a confissão que cria em Jesus. Fosse ele um cristão dos tempos da Igreja, ele teria feito a declaração do Credo Apostólico.
Ele falava como um discípulo, agia como um discípulo, pregava como um discípulo, mas na essência não era um discípulo de Jesus.
Ele não parecia um traidor, mas o seu coração não era convertido.
Por isso, não podemos nos enganar, precisamos ter uma conversão verdadeira.
4- ELE SEGUIA O CAMINHO CERTO PELOS MOTIVOS ERRADOS E SABIA O QUE ERA CERTO, MAS FEZ TUDO ERRADO.
Judas seguia a Jesus, O caminho, verdade e a vida (Jo 14.6). Judas seguia a Jesus a luz do mundo (Jo 8.12). Judas gostou do Evangelho, gostou das verdades do Evangelho, mas não se converteu ao Evangelho, não se deixou mudar, transformar pelo Evangelho.
Muitas pessoas, hoje, estão fazendo a mesma coisa. Estão sempre ouvindo as Palavras de Jesus, mas não vivem as Palavras de Jesus.
A hipocrisia dominava o coração de Judas. Ele foi amado por Jesus, mas com um beijo o traiu.
Quando ele chega Jesus diz a ele: amigo, o que você veio fazer?.
Podemos dizer que ele começou fazendo o certo, mas terminou no erro.
Judas amou o erro, mesmo sabendo a verdade. Vendeu-se à perdição eterna, mesmo sabendo o caminho do céu.

APLICAÇÕES PARA NOSSA VIDA
1 – Precisamos viver a graça e não apenas experimentar a graça.
2 – Mais do que receber bênçãos, precisamos ter a benção. Você precisa ser uma pessoa abençoada.
3 – Mais do que nossa confissão, precisamos viver o que confessamos.
4 – Precisamos seguir o caminho certo pelo motivo certo. A glória de Deus.

CONCLUSÃO Precisamos examinar nossa fé. Precisamos analisar nossa vida com Deus.
Como estamos vivendo nossa fé, nosso cristianismo, pois Judas se perdeu, mesmo estando muito perto de Jesus.
No caminho para cruz, onde Jesus pagou por nossos pecados, ele foi traído por Judas.

sexta-feira, 14 de março de 2008

AOS PREGADORES

 

1- Seja uma pessoa satisfeita em Deus e com Deus.

2 -Compreenda a obra de Cristo em sua plenitude, como obra substitutiva por você.

3 - Seja uma pessoa sensível à atuação transformadora do Espírito pela Palavra.

4 - Considere a suficiência de Cristo em sua vida (você não precisa de nenhum artificio extra).

5 - Seja um cativo da Palavra de Deus.

6 - Seja cristocêntrico.

7 - Pregue como uma testemunha, não um advogado de Jesus e da Palavra.

8 - Mergulhe nos grandes interpretes da Palavra - Agostinho, Lutero, Calvino, Mathew Henry, J.C. Ryle, John Stott e Hendriksen.

9 - Se faça acompanhar dos grandes mestres da espiritualidade prática - Agostinho, John Owen, Richard Baxter, Dietrich Bonhoeffer, Richard Foster, Dallas Willard, James Houston, Eugene Petersen, e Brenno Maning.

10 - Apegue-se sem reservas aos grandes expositores da Palavra - Agostinho, Lutero, Calvino, Jonathan Edwards, Robert McCheyne, Spurgeon, Martyn Lloyd Jones, John McCartur, Russel Shedd, Charles Swindoll.

11 - Aprenda sempre com os pregadores e expoentes da teologia prática - John Owen, J.C. Ryle, James Packer, Sproul, A.W. Pink, Stott e John Piper.
12 - Conheça as Teologias Sistemáticas de Hodge, Dagg, Berkhof, Wayne Grundem e Franklin Ferreira

12 - Seja uma pessoa satisfeita em Deus e com Deus.
Pastor Rogerio Nascimento

terça-feira, 11 de março de 2008

JESUS SOFREU SOZINHO, O TERROR DA NOITE

Rogério Nascimento
Pregado em junho de 2007

Mt 26.36-46 - 36
Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; 37 e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38 Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.
39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. 40 E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? 41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 42 Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. 43 E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados. 44 Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45 Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. 46 Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.

JESUS SOFREU SOZINHO O TERROR DA NOITE
Jesus sofreu sozinho, porque ninguém poderia sofrer o sofrimento substitutivo por todos os atingidos pela queda e pelas dores causadas pelo pecado.
Estes versos falam da agonia de Jesus no Getsêmani. Quando ele entra no jardim, a tristeza o abate.
Ali começa sua paixão. Ali, Deus começou a feri-lo, ali ele foi moído por nós.
Era o momento de sua angustia. Não se tratava, porém, de nenhuma dor corporal ou tormento exterior.
Não era também um conflito interior, nem com o Pai. Não era desespero, nem desconfiança. A sua angustia tinha as seguintes razões:

I- ELE ESTAVA EMPENHADO CONTRA OS PODERES DAS TREVAS.
Ele estava enfrentando a oposição das trevas.
Jesus disse: “ Esta é a hora das trevas reinarem” Lc 22.53
A pressão dos poderes das trevas era muito grande. Os terrores das forças malignas geravam dores e angustias em Jesus. O diabo sabia que Jesus viera para salvar e resgatar pecadores e queria impedi-los.
Jesus veio para nos resgatar como um grande vencedor (Colossenses 2.13-15).

II - ELE ESTAVA LEVANDO A INIQUIDADE DE MUITOS.
As iniquidades do mundo seriam lançadas sobre Jesus. O Pai havia posto esta missão para ele. Os sofrimentos que iria padecer era por nossos pecados.
Muitos hoje, sofrem por seus próprios erros, seus pecados, suas ignorâncias, seus erros, suas escolhas e suas más obras.
Jesus, estava sofrendo porque estava obedecendo ao Pai, renunciando à sua própria vontade.

III - ELE ESTAVA TENDO UMA VISÃO CLARA E PLENA DE TODOS OS SOFRIMENTOS QUE O AGUARDAVAM.
Ele conhecia antecipadamente a traição de Judas, a negação de Pedro, a maldade e ingratidão dos judeus.
A morte em seu aspecto mais aterrador, a morte com toda a sua pompa e seus terrores se lançava em seu rosto.
A morte substituta por nós seria o pagamento para alcançar para nós o perdão pelos nossos pecados. Ele sabia também como seria amargo o cálice da ira de Deus que ele teria que beber.

IV - ELE TINHA CONHECIMENTO QUE AO ENFRENTAR TUDO ISSO, ELE NÃO RECEBERIA AJUDA NENHUMA, DE NINGUÉM.
Seu sacrifício não seria como os outros. Não haveria a misericórdia de Deus, nem a graça especial que é derramada sobre os mártires.
É verdade que os mártires sofreram e sofrem por Cristo. Os mártires sofrem e morrem, mas ao entregar a vida, eles recebem a ajuda de Cristo, o poder de Deus.
Com Jesus foi bem diferente:
Ele não teria o apoio e o consolo que os mártires desfrutavam, porque se negou a receber esta ajuda. Ele não estava morrendo, sofrendo como um justo, mas como pecado.
 Sobre as cruzes dos santos se pronunciava uma benção que lhes dava animo, para que se alegrassem mesmo no suplicio (Mt 5.10,12), mas Cristo na cruz, leva a maldição, a nossa maldição (Gl 3.13).
Debaixo do peso daquela cruz, se sentia cheio de tristeza e maldição, e esta maldição da cruz era o fundamento da alegria das cruzes dos demais.
Os testemunhos nos falam da alegria nas arenas, nas fogueiras e nas cruzes dos cristãos que foram martirizados.
Jesus, portanto, suportou a noite sozinho. Sem apoio, sem amigos , sem companhia, sem a benção e sem Deus.
Por isso, temos a possibilidade da benção em nossa vida. No nosso sofrimento não seremos abandonados.
Nenhum sofrimento nosso é em vão. Nossas dores, ele levou, por isso, hoje temos a graça, temos a benção. Temos a certeza de que sofrimento algum, luta alguma, cruz alguma pode nos vencer.
Nada tem poder para nos separar da benção final (Rom 8.31-39).

APLICAÇÕES PRÁTICAS
a – Sabendo que Jesus lutou contra as trevas eu vou me identificar todos os dias nesta luta, pois sei que nele sou um vencedor.
b – Sabendo que Jesus levou minhas iniquidades, vou aceitar sua provisão para vencer o pecado em minha vida.
c – Sabendo que Jesus sofreu sabendo o que ia sofrer, eu vou viver na consciência do seu amor por mim.
d - Sabendo o que Jesus sofreu por mim, eu preciso segui-lo, por amor, pois por amor ele fez tudo por mim.

quarta-feira, 5 de março de 2008

A ALMA DE JESUS FOI PRENSADA

A ALMA DE JESUS FOI PRENSADA
Rogério Nascimento - Pregado em maio de 2007



Lc 22.39-46

No Getsêmani Jesus sofreu na alma todas as angústias do ser humano.


Jesus no jardim do Getsêmani, sofreu a maior das agonias, porque sobre ele seria descarregada a ira de Deus, contra o pecado de toda a humanidade que ele estava levando.
Esta agonia é inexplicável. Não sabemos descrever o que seja agonia. Somente quem já sentiu sabe explicar.
O sentimento de Jesus no Getsêmani, nos é apresentado de diversas maneiras pelos evangelistas.
Em Lucas, é uma consternação pavorosa. Ele estava consternado, apavorado, horrorizado.
Em Mateus, a ideia é de uma perturbação misturada com tristeza profunda.
A gente sabe o que é ter a mente perturbada. Não conseguimos nos aquietar.
Em Marcos, ele está assombrado, com o espírito horrorizado, um momento de horror, como se um sombra pavorosa viesse sobre ele.
Getsêmani, quer dizer: lugar onde a azeitona é prensada.
A alma de Jesus também estava sentindo tudo isto por causa do cálice que teria que beber.
O verdadeiro cálice não eram as dores físicas.
Ele não temia as dores do calvário. Ele não era um fraco.
Ele era um forte. Sua presença era forte, sua mão era forte, sua voz era forte.
Ele não era menor do que aqueles foram condenados á morte antes e depois dele.
Jesus não era menor do que aqueles heróis da fé de Hb 11.36-38 – gente que o mundo não era digno.
O cálice que Jesus temia, o motivo da angustia de Jesus era a Ira, o juízo de Deus.
O cálice era a ausência de Deus, das trevas sobre a alma que aconteceria na cruz.
Como nos identificamos com o Getsemani?

1 – TAMBÉM NÓS EM ALGUMAS FASES DA VIDA ATRAVESSAMOS A ESCURIDÃO.
Assim como Jesus, também em determinados momentos temos a alma prensada.
São momentos em que enfrentamos a escuridão na alma.
É nosso Getsemani.
Um desses tempos é quando lutamos contra a vontade de Deus.
Fazer a vontade de Deus significa abrir mão de certos direitos, de coisas que julgamos importantes. Muitas e muitas vezes, Deus nos pressiona dizendo: quero fazer a minha vontade em tua vida.
Acontece também quando lutamos batalhas espirituais. Temos, então o nosso getsemani, onde sentimos nossa alma prensada. Onde nos sentimos no escuro.

2- QUANDO ESTIVERMOS NO GETSEMANI, DEVEMOS ENFRENTAR NOSSA PRÓPRIA ANGUSTIA.
Ninguém pode passar por este processo em nosso lugar. Como Jesus, oramos, suamos sozinhos...totalmente sozinhos.
Alguém pode interceder por nós, mas não nos substituir.
Alguém pode sentar ao nosso lado, mas ninguém pode fazer nada por nós. Não podemos nos salvar do Getsêmani, o custo, seria perder a benção.

3- NOS MOMENTOS DO GETSEMANI E DE ANGUSTIA, DEVEMOS ABRIR MÃO DE NOSSA PRÓPRIA VONTADE. Durante esta prova de decisão, antes de tudo, há uma batalha entre duas vontades. A nossa e a de Deus. Podemos implorar e barganhar, mas no final das contas – se quisermos sair vitoriosos devemos entregar a ele o controle de nossa vontade.

4- ACEITANDO A VONTADE DE DEUS, VENCEMOS O EGOISMO DE NOSSOS PLANOS E ENTENDEMOS QUE DEVEMOS VIVER PARA A GLÓRIA DE DEUS.Muitas pessoas sofrem a dor do seu próprio egoísmo.
Muitos estão buscando a felicidade a qualquer custo.
Deus não quer em primeiro lugar neste mundo nos dar felicidade, mas santidade.
Assim como Jesus no Getsemani, a única maneira de cumprir o propósito de Deus é dizer como Jesus: “não se faça a minha vontade mas a tua” - “não como eu quero, mas como tu queres”.
As perguntas que eu tenho que fazer:
Será que minhas metas não são frutos de meu egoísmo?
Será que minhas decisões não são baseadas em egoísmo?
Será que minha vida não está sendo construída só para satisfazer minha própria vontade?
Será que estou procurando saber a vontade de Deus para minha vida.
Será que eu posso dizer em qualquer circunstância: “não a minha vontade, Senhor, mas a tua”?

VIVER COM PACIÊNCIA, ESPERANÇA E PERSEVERANÇA – Romanos 8.18-25

  Pregado em 03 de maio de 2020 sexto sermão na Pademia                                                                                     ...