Pregado na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada - Porto Alegre
em 22/04/2018
PERGUNTA 88. Quais são os meios exteriores e
ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção?
R. Os meios exteriores e ordinários pelos quais
Cristo nos comunica as bênçãos da redenção, são as suas ordenanças,
especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração; as quais todas se tornam
eficazes aos eleitos para a salvação.
A VISÃO BÍBLICA DO CULTO - Levítico 10
1 Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada
um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram
fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara.
2 Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os
consumiu; e morreram perante o SENHOR.
3 E falou Moisés a Arão: Isto é o que o SENHOR
disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei
glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou.
4 Então, Moisés chamou a Misael e a Elzafã,
filhos de Uziel, tio de Arão, e disse-lhes: Chegai, tirai vossos irmãos de
diante do santuário, para fora do arraial.
5 Chegaram-se, pois, e os levaram nas suas
túnicas para fora do arraial, como Moisés tinha dito.
6 Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e
Itamar: Não desgrenheis os cabelos, nem rasgueis as vossas vestes, para que não
morrais, nem venha grande ira sobre toda a congregação; mas vossos irmãos, toda
a casa de Israel, lamentem o incêndio que o SENHOR suscitou.
7 Não saireis da porta da tenda da congregação,
para que não morrais; porque está sobre vós o óleo da unção do SENHOR. E
fizeram conforme a palavra de Moisés.
8 Falou também o SENHOR a Arão, dizendo:
9 Vinho ou bebida forte tu e teus filhos não
bebereis quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais;
estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações,
10 para fazerdes diferença entre o santo e o
profano e entre o imundo e o limpo
11 e para ensinardes aos filhos de Israel todos
os estatutos que o SENHOR lhes tem falado por intermédio de Moisés.
12 Disse Moisés a Arão e aos filhos deste,
Eleazar e Itamar, que lhe ficaram: Tomai a oferta de manjares, restante das
ofertas queimadas ao SENHOR, e comei-a, sem fermento, junto ao altar, porquanto
coisa santíssima é.
13 Comê-la-eis em lugar santo, porque isto é a
tua porção e a porção de teus filhos, das ofertas queimadas do SENHOR; porque
assim me foi ordenado.
14 Também o peito da oferta movida e a coxa da
oferta comereis em lugar limpo, tu, e teus filhos, e tuas filhas, porque foram
dados por tua porção e por porção de teus filhos, dos sacrifícios pacíficos dos
filhos de Israel.
15 A coxa da oferta e o peito da oferta movida
trarão com as ofertas queimadas de gordura, para mover por oferta movida
perante o SENHOR, o que será por estatuto perpétuo, para ti e para teus filhos,
como o SENHOR tem ordenado.
16 Moisés diligentemente buscou o bode da oferta
pelo pecado, e eis que já era queimado; portanto, indignando-se grandemente
contra Eleazar e contra Itamar, os filhos que de Arão ficaram, disse:
17 Por que não comestes a oferta pelo pecado no
lugar santo? Pois coisa santíssima é; e o SENHOR a deu a vós outros, para
levardes a iniqüidade da congregação, para fazerdes expiação por eles diante do
SENHOR.
18 Eis que desta oferta não foi trazido o seu
sangue para dentro do santuário; certamente, devíeis tê-la comido no santuário,
como eu tinha ordenado.
19 Respondeu Arão a Moisés: Eis que, hoje, meus
filhos ofereceram a sua oferta pelo pecado e o seu holocausto perante o SENHOR;
e tais coisas me sucederam; se eu, hoje, tivesse comido a oferta pelo pecado,
seria isso, porventura, aceito aos olhos do SENHOR?
20 O que ouvindo Moisés, deu-se por satisfeito.
O
culto é para Deus, e deve ser feito de acordo com a regulamentação do próprio
Deus, por meio de sua Santa Palavra.
Os meios exteriores e ordinários são os
elementos do culto. Faz parte do culto verdadeiro somente aquilo que está
prescrito nas Escrituras.
Esta narrativa nos fala sobre a primeira
experiência relatada sobre o culto no santuário. Deus havia regulamentado toda
a forma e conteúdo do sacrifício. Como fazer, detalhe por detalhe. Os papeis
dos sacerdotes e dos sumo sacerdotes, que tipo de ofertas eles poderiam
oferecer.
Quando os dois jovens foram oferecer o primeiro
sacrifício, foram fulminados pelo Senhor. O texto diz que eles ofereceram “fogo
estranho ao Senhor, que o Senhor não ordenara”. Duas coisas são dignas de
notas: A primeira é o fogo estranho; provavelmente eles usaram um fogo que não
era do Incensário de onde os sacerdotes deveriam pegar o fogo para os
sacrifícios (EX 30.9 e Lv 16.12). A segunda é que eles não deveriam oferecer
este tipo de sacrifício com o incensário, porque era atribuição somente do sumo
sacerdote. O que podemos concluir que eles, por arrogância e desobediência às
normas do culto, ofereceram o que não deveriam ter oferecido perante o Senhor.
A consequência foi que eles foram fulminados
quando o fogo verdadeiro, o do Senhor desceu. Não houve um incêndio, mas uma
espécie de raio, porque eles foram consumidos, mas as vestes não.
Na ação deles, fica evidente que eles vieram
oferecer um culto com muitos elementos estranhos àquilo que havia sido
regulamentado pelo Senhor. O texto dá a entender que inclusive eles estavam
bêbados ou sob efeito de bebidas. É isso que mostra o registo do verso 9,
quando o Senhor proíbe o uso de bebidas antes dos sacerdotes entrarem no
santuário.
O texto
deixa bem claro a necessidade de distinguir o que é santo e o que é profano.
Entre aquilo que é para ser oferecido e o que não pode ser oferecido ao Senhor (v.10).
O texto também nos indica por meio das intervenções de Moisés declarando a
Palavra do Senhor que a pregação da Palavra, a santa proclamação da vontade de
Deus é que regulamenta o culto (VS 6 ao 20).
Vamos passo a passo ver o que aconteceu.
1 - OFERECERAM O QUE SENHOR NÃO ORDENOU
v.1 Nadabe e Abiú, filhos de Arão,
tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso,
e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara.
Eles
foram cultuar ao Senhor com elementos estranhos
a tudo o que fora instruído. Eles não seguiram aquilo que havia sido determinado pelo Senhor. Eles não fizeram de acordo com as instruções. Eles fizeram ajustes de acordo com a "criatividade" deles.
2 - O SENHOR NÃO RECEBE COMO CULTO AQUILO
QUE ELE MESMO NÃO ORDENOU
v.2 Então, saiu fogo de diante do
SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR.
O
culto deve ser de acordo com o que Senhor ordenou. Não pode ser oferecido de
acordo com o desejo humano, nem imaginação humana, mas de acordo com o desejo
ou vontade do Senhor.
3 - O CULTO AO SENHOR DEVE SER CONFORME SUA
SANTIDADE
v.3 E falou Moisés a Arão: Isto é o
que o SENHOR disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e
serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou.
O
que as pessoas não entendem é que o culto é para Deus. Não se deve desprezar o
culto. Não se deve negligenciar ao culto. O culto é um tributo, uma homenagem,
uma celebração à santidade de Deus.
O CULTO OFERECIDO DE ACORDO COM A
VONTADE HUMANA É UMA ABOMINAÇÃO AO SENHOR
v.4 Então, Moisés chamou a Misael e a
Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e disse-lhes: Chegai, tirai vossos irmãos
de diante do santuário, para fora do arraial.
v.5 Chegaram-se, pois, e os levaram
nas suas túnicas para fora do arraial, como Moisés tinha dito.
v.6 Moisés disse a Arão e a seus
filhos Eleazar e Itamar: Não desgrenheis os cabelos, nem rasgueis as vossas vestes,
para que não morrais, nem venha grande ira sobre toda a congregação; mas vossos
irmãos, toda a casa de Israel, lamentem o incêndio que o SENHOR suscitou.
Aquilo
que é revelado na Palavra de Deus deveria ser suficiente para usarmos no culto.
Qualquer coisa que acrescentarmos ao culto será de acordo com nossa cultura
caída. Os elementos que são acrescentados são cópias daquilo que há no mundo.
4 - AQUELES QUE RECEBERAM A REVELAÇÃO DO
SENHOR DEVEM CULTUAR DE ACORDO COM ESTA REVELAÇÃO
v. 7 Não saireis da porta da tenda da
congregação, para que não morrais; porque está sobre vós o óleo da unção do
SENHOR. E fizeram conforme a palavra de Moisés.
Os
outros sacerdotes não deveriam nem mesmo lamentar o ocorrido. Sobre eles
estavam a ‘unção” ou seja, eles foram consagrados para oferecer o culto santo
ao Senhor. Não deveriam lamentar a morte daqueles que tentaram profanar o
culto, tendo eles a mesma unção.
5 - NO CULTO, AQUILO QUE NÃO É FRUTO DA
REVELAÇÃO É PROFANAÇÃO
v.8 Falou também o SENHOR a Arão,
dizendo:
v.9 Vinho ou bebida forte tu e teus
filhos não bebereis quando entrardes na tenda da congregação, para que não
morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações,
v.10 para fazerdes diferença entre o
santo e o profano e entre o imundo e o limpo
v.11 e para ensinardes aos filhos de
Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado por intermédio de
Moisés.
O
culto é santo, porque é a um Deus santo. Não se deve tratar o culto com
descaso. O culto não prescrito é culto falso. E colocar elementos estranhos à
Palavra no culto é profanação.
6 - O CULTO DEVE SER OFERECIDO DA FORMA
CORRETA DE ACORDO COM AS PRESCRIÇÕES DO SENHOR TENDO A PROCLAMAÇÃO DA PALAVRA O
CENTRO DO CULTO. VS 12-19
Estes últimos versos mostram como Moisés não
apenas instrui como dever ser, mas também mostra na prática.
Veja que Moisés usou a revelação divina para
consertar o culto profano que foi oferecido. A maior parte da narrativa são as
instruções de Moisés, proclamando a revelação do Senhor.
O que deve fazer parte do culto: Cânticos,
Leitura da Palavra, Pregação e orações. Acrescente-se os sacramentos: A Ceia do
Senhor e o batismo. Mais nada é previsto ou prescrito na Palavra.
Vejam se não faz sentido as seguintes palavras:
Calvino: Não podemos adotar artifício em nosso
culto que pareça satisfazer a nós mesmos, e sem levar em conta as exortações
daquele que tem o direito de prescrevê-las. Portanto, se desejamos que ele
aprove nosso culto, esta regre que ele mesmo enfatiza com muita rigidez, tem de
ser observada com zelo.
Calvino: Deus reprova todos os tipos de cultos
não sancionados expressamente por sua Palavra.
John Hooper – “Na igreja não deve ser utilizado
nada que não tenha a aprovação expressa das Escrituras. Que não traga qualquer
proveito quando utilizado e nenhum prejuízo quando omitido.”
O culto todo deve ser em torno da Santíssima
Trindade. Ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Tudo o que fizermos no culto
deve ser para a glória de Deus. O culto antropocêntrico, centrado nas emoções humanas,
sensível aos interessados, nada disso é o culto bíblico. O culto bíblico é
centrado em Deus. Centrado no Evangelho. Centrado na obra da cruz. A música
precisa ser bíblica. A música precisa ser extraída da Palavra. A oração precisa
ser de acordo com a vontade de Deus, como todas as orações verdadeiras. A
pregação deve ser centrada na Palavra. Centrada no Evangelho e que anuncie a
pessoa e a obra de Cristo para a glória de Deus.
Tyndale – Busque a Palavra de Deus em todas as
coisas, e sem ela não faça nada, mesmo que pareça glorioso.
Confissão de Fé de Westminster – A forma
aceitável de cultuar ao Deus verdadeiro é instituída por ele mesmo e é limitada
por sua vontade revelada, de modo que ele não pode ser cultuado segundo as
imaginações e invenções humanas, nem segundo as sugestões de Satanás, sob
alguma representação visível, ou por qualquer outra forma não prescrita da
Sagrada Escritura.
O
alvo do culto do ponto de vista de Deus é que conheçamos a obra de seu filho. É
que conheçamos a Cristo na cruz. No culto, Cristo deve ser mostrado vindo ao
mundo para salvar os pecadores. No culto, Cristo deve ser mostrado “padecendo
sob o poder de Pôncio Pilatos, sendo crucificado, morto e sepultado” – por nós
pecadores.
No
culto, Cristo deve ser mostrando – ressuscitado. “Ressurgiu dos mortos ao
terceiro dia, está assentado à direita de Deus Pai, Todo Poderoso.”
No
culto, Cristo deve ser mostrado vivo e presente com seu povo. Até que ele
venha, glorioso, para finalmente – nos mostrar o mundo que há de vir.
Dito
isto, eu preciso fazer algumas considerações finais.
O culto é para Deus e é o meio de sermos
alimentados, instruídos, conduzidos, incluídos na igreja e ministrados por Ele
– pelos meios internos e externos dos meios de graça.
O culto, sendo e representando tudo
isso, não deve ser negligenciado. Uma vez que o culto não é para nós, mas para
Ele, é pecado negligenciar o culto.
O culto não deveria ser aquele evento
que fica na primeira opção de descarte em caso de uma agenda cheia no final de
semana.
O culto sendo é um meio de graça, onde
Deus ministra à família. A família
recebe as manifestações da graça, participando do culto.
Que
venhamos sempre à presença do Senhor – com um culto verdadeiro, espontâneo,
apaixonado – em nome de Cristo – para a glória de Deus.
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