domingo, 2 de dezembro de 2018

Sermão sobre o Culto - Exposição do Breve Catecismo - Pergunta 88 (segunda parte).


Pregado na Capela Missional - Igreja Cristã de Confissão Reformada - Porto Alegre
em 22/04/2018




PERGUNTA 88. Quais são os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção?
R. Os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção, são as suas ordenanças, especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração; as quais todas se tornam eficazes aos eleitos para a salvação.

 A VISÃO BÍBLICA DO CULTO  -  Levítico 10
1 Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara.

2 Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR.
3 E falou Moisés a Arão: Isto é o que o SENHOR disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou.
4 Então, Moisés chamou a Misael e a Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e disse-lhes: Chegai, tirai vossos irmãos de diante do santuário, para fora do arraial.
5 Chegaram-se, pois, e os levaram nas suas túnicas para fora do arraial, como Moisés tinha dito.
6 Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e Itamar: Não desgrenheis os cabelos, nem rasgueis as vossas vestes, para que não morrais, nem venha grande ira sobre toda a congregação; mas vossos irmãos, toda a casa de Israel, lamentem o incêndio que o SENHOR suscitou.
7 Não saireis da porta da tenda da congregação, para que não morrais; porque está sobre vós o óleo da unção do SENHOR. E fizeram conforme a palavra de Moisés.
8 Falou também o SENHOR a Arão, dizendo:
9 Vinho ou bebida forte tu e teus filhos não bebereis quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações,
10 para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo
11 e para ensinardes aos filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado por intermédio de Moisés.
12 Disse Moisés a Arão e aos filhos deste, Eleazar e Itamar, que lhe ficaram: Tomai a oferta de manjares, restante das ofertas queimadas ao SENHOR, e comei-a, sem fermento, junto ao altar, porquanto coisa santíssima é.
13 Comê-la-eis em lugar santo, porque isto é a tua porção e a porção de teus filhos, das ofertas queimadas do SENHOR; porque assim me foi ordenado.
14 Também o peito da oferta movida e a coxa da oferta comereis em lugar limpo, tu, e teus filhos, e tuas filhas, porque foram dados por tua porção e por porção de teus filhos, dos sacrifícios pacíficos dos filhos de Israel.
15 A coxa da oferta e o peito da oferta movida trarão com as ofertas queimadas de gordura, para mover por oferta movida perante o SENHOR, o que será por estatuto perpétuo, para ti e para teus filhos, como o SENHOR tem ordenado.
16 Moisés diligentemente buscou o bode da oferta pelo pecado, e eis que já era queimado; portanto, indignando-se grandemente contra Eleazar e contra Itamar, os filhos que de Arão ficaram, disse:
17 Por que não comestes a oferta pelo pecado no lugar santo? Pois coisa santíssima é; e o SENHOR a deu a vós outros, para levardes a iniqüidade da congregação, para fazerdes expiação por eles diante do SENHOR.
18 Eis que desta oferta não foi trazido o seu sangue para dentro do santuário; certamente, devíeis tê-la comido no santuário, como eu tinha ordenado.
19 Respondeu Arão a Moisés: Eis que, hoje, meus filhos ofereceram a sua oferta pelo pecado e o seu holocausto perante o SENHOR; e tais coisas me sucederam; se eu, hoje, tivesse comido a oferta pelo pecado, seria isso, porventura, aceito aos olhos do SENHOR?
20 O que ouvindo Moisés, deu-se por satisfeito.


O culto é para Deus, e deve ser feito de acordo com a regulamentação do próprio Deus, por meio de sua Santa Palavra.

Os meios exteriores e ordinários são os elementos do culto. Faz parte do culto verdadeiro somente aquilo que está prescrito nas Escrituras.
Esta narrativa nos fala sobre a primeira experiência relatada sobre o culto no santuário. Deus havia regulamentado toda a forma e conteúdo do sacrifício. Como fazer, detalhe por detalhe. Os papeis dos sacerdotes e dos sumo sacerdotes, que tipo de ofertas eles poderiam oferecer.
Quando os dois jovens foram oferecer o primeiro sacrifício, foram fulminados pelo Senhor. O texto diz que eles ofereceram “fogo estranho ao Senhor, que o Senhor não ordenara”. Duas coisas são dignas de notas: A primeira é o fogo estranho; provavelmente eles usaram um fogo que não era do Incensário de onde os sacerdotes deveriam pegar o fogo para os sacrifícios (EX 30.9 e Lv 16.12). A segunda é que eles não deveriam oferecer este tipo de sacrifício com o incensário, porque era atribuição somente do sumo sacerdote. O que podemos concluir que eles, por arrogância e desobediência às normas do culto, ofereceram o que não deveriam ter oferecido perante o Senhor.
A consequência foi que eles foram fulminados quando o fogo verdadeiro, o do Senhor desceu. Não houve um incêndio, mas uma espécie de raio, porque eles foram consumidos, mas as vestes não.
Na ação deles, fica evidente que eles vieram oferecer um culto com muitos elementos estranhos àquilo que havia sido regulamentado pelo Senhor. O texto dá a entender que inclusive eles estavam bêbados ou sob efeito de bebidas. É isso que mostra o registo do verso 9, quando o Senhor proíbe o uso de bebidas antes dos sacerdotes entrarem no santuário.
 O texto deixa bem claro a necessidade de distinguir o que é santo e o que é profano. Entre aquilo que é para ser oferecido e o que não pode ser oferecido ao Senhor (v.10). O texto também nos indica por meio das intervenções de Moisés declarando a Palavra do Senhor que a pregação da Palavra, a santa proclamação da vontade de Deus é que regulamenta o culto (VS 6 ao 20).
Vamos passo a passo ver o que aconteceu.

1 - OFERECERAM O QUE SENHOR NÃO ORDENOU
v.1 Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara.
Eles foram cultuar ao Senhor com elementos estranhos  a tudo o que fora instruído. Eles não seguiram aquilo que havia sido determinado pelo Senhor. Eles não fizeram de acordo com as instruções. Eles fizeram ajustes de acordo com a "criatividade" deles.
2 - O SENHOR NÃO RECEBE COMO CULTO AQUILO QUE ELE MESMO NÃO ORDENOU
v.2 Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR.
O culto deve ser de acordo com o que Senhor ordenou. Não pode ser oferecido de acordo com o desejo humano, nem imaginação humana, mas de acordo com o desejo ou vontade do Senhor.
3 - O CULTO AO SENHOR DEVE SER CONFORME SUA SANTIDADE
v.3 E falou Moisés a Arão: Isto é o que o SENHOR disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou.
O que as pessoas não entendem é que o culto é para Deus. Não se deve desprezar o culto. Não se deve negligenciar ao culto. O culto é um tributo, uma homenagem, uma celebração à santidade de Deus.
O CULTO OFERECIDO DE ACORDO COM A VONTADE HUMANA É UMA ABOMINAÇÃO AO SENHOR
v.4 Então, Moisés chamou a Misael e a Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e disse-lhes: Chegai, tirai vossos irmãos de diante do santuário, para fora do arraial.
v.5 Chegaram-se, pois, e os levaram nas suas túnicas para fora do arraial, como Moisés tinha dito.
v.6 Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e Itamar: Não desgrenheis os cabelos, nem rasgueis as vossas vestes, para que não morrais, nem venha grande ira sobre toda a congregação; mas vossos irmãos, toda a casa de Israel, lamentem o incêndio que o SENHOR suscitou.
Aquilo que é revelado na Palavra de Deus deveria ser suficiente para usarmos no culto. Qualquer coisa que acrescentarmos ao culto será de acordo com nossa cultura caída. Os elementos que são acrescentados são cópias daquilo que há no mundo.
4 - AQUELES QUE RECEBERAM A REVELAÇÃO DO SENHOR DEVEM CULTUAR DE ACORDO COM ESTA REVELAÇÃO
v. 7 Não saireis da porta da tenda da congregação, para que não morrais; porque está sobre vós o óleo da unção do SENHOR. E fizeram conforme a palavra de Moisés.
Os outros sacerdotes não deveriam nem mesmo lamentar o ocorrido. Sobre eles estavam a ‘unção” ou seja, eles foram consagrados para oferecer o culto santo ao Senhor. Não deveriam lamentar a morte daqueles que tentaram profanar o culto, tendo eles a mesma unção.
5 - NO CULTO, AQUILO QUE NÃO É FRUTO DA REVELAÇÃO É PROFANAÇÃO
v.8 Falou também o SENHOR a Arão, dizendo:
v.9 Vinho ou bebida forte tu e teus filhos não bebereis quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações,
v.10 para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo
v.11 e para ensinardes aos filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado por intermédio de Moisés.
O culto é santo, porque é a um Deus santo. Não se deve tratar o culto com descaso. O culto não prescrito é culto falso. E colocar elementos estranhos à Palavra no culto é profanação.
6 - O CULTO DEVE SER OFERECIDO DA FORMA CORRETA DE ACORDO COM AS PRESCRIÇÕES DO SENHOR TENDO A PROCLAMAÇÃO DA PALAVRA O CENTRO DO CULTO. VS 12-19
Estes últimos versos mostram como Moisés não apenas instrui como dever ser, mas também mostra na prática.
Veja que Moisés usou a revelação divina para consertar o culto profano que foi oferecido. A maior parte da narrativa são as instruções de Moisés, proclamando a revelação do Senhor.
O que deve fazer parte do culto: Cânticos, Leitura da Palavra, Pregação e orações. Acrescente-se os sacramentos: A Ceia do Senhor e o batismo. Mais nada é previsto ou prescrito na Palavra.
Vejam se não faz sentido as seguintes palavras:
Calvino: Não podemos adotar artifício em nosso culto que pareça satisfazer a nós mesmos, e sem levar em conta as exortações daquele que tem o direito de prescrevê-las. Portanto, se desejamos que ele aprove nosso culto, esta regre que ele mesmo enfatiza com muita rigidez, tem de ser observada com zelo.
Calvino: Deus reprova todos os tipos de cultos não sancionados expressamente por sua Palavra.
John Hooper – “Na igreja não deve ser utilizado nada que não tenha a aprovação expressa das Escrituras. Que não traga qualquer proveito quando utilizado e nenhum prejuízo quando omitido.”
O culto todo deve ser em torno da Santíssima Trindade. Ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Tudo o que fizermos no culto deve ser para a glória de Deus. O culto antropocêntrico, centrado nas emoções humanas, sensível aos interessados, nada disso é o culto bíblico. O culto bíblico é centrado em Deus. Centrado no Evangelho. Centrado na obra da cruz. A música precisa ser bíblica. A música precisa ser extraída da Palavra. A oração precisa ser de acordo com a vontade de Deus, como todas as orações verdadeiras. A pregação deve ser centrada na Palavra. Centrada no Evangelho e que anuncie a pessoa e a obra de Cristo para a glória de Deus.
Tyndale – Busque a Palavra de Deus em todas as coisas, e sem ela não faça nada, mesmo que pareça glorioso.
Confissão de Fé de Westminster – A forma aceitável de cultuar ao Deus verdadeiro é instituída por ele mesmo e é limitada por sua vontade revelada, de modo que ele não pode ser cultuado segundo as imaginações e invenções humanas, nem segundo as sugestões de Satanás, sob alguma representação visível, ou por qualquer outra forma não prescrita da Sagrada Escritura.
O alvo do culto do ponto de vista de Deus é que conheçamos a obra de seu filho. É que conheçamos a Cristo na cruz. No culto, Cristo deve ser mostrado vindo ao mundo para salvar os pecadores. No culto, Cristo deve ser mostrado “padecendo sob o poder de Pôncio Pilatos, sendo crucificado, morto e sepultado” – por nós pecadores.
No culto, Cristo deve ser mostrando – ressuscitado. “Ressurgiu dos mortos ao terceiro dia, está assentado à direita de Deus Pai, Todo Poderoso.”
No culto, Cristo deve ser mostrado vivo e presente com seu povo. Até que ele venha, glorioso, para finalmente – nos mostrar o mundo que há de vir.
Dito isto, eu preciso fazer algumas considerações finais.
O culto é para Deus e é o meio de sermos alimentados, instruídos, conduzidos, incluídos na igreja e ministrados por Ele – pelos meios internos e externos dos meios de graça.
O culto, sendo e representando tudo isso, não deve ser negligenciado. Uma vez que o culto não é para nós, mas para Ele, é pecado negligenciar o culto.
O culto não deveria ser aquele evento que fica na primeira opção de descarte em caso de uma agenda cheia no final de semana.
O culto sendo é um meio de graça, onde Deus ministra à família.  A família recebe as manifestações da graça, participando do culto.
Que venhamos sempre à presença do Senhor – com um culto verdadeiro, espontâneo, apaixonado – em nome de Cristo – para a glória de Deus.


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Sobre a Pregação, o Pregador e os que Ouvem - Exposição do Breve Catecismo - perguntas 88 a 91



Pregado na Capela Missional em Porto Alegre em 15 de abril de 2018






PERGUNTA 88. Quais são os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção?
R. Os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção, são as suas ordenanças, especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração; as quais todas se tornam eficazes aos eleitos para a salvação.
PERGUNTA 89. Como se torna a Palavra eficaz para a salvação?
R. O Espírito de Deus torna a leitura e especialmente a pregação da Palavra, meios eficazes para convencer e converter os pecadores, para os edificar em santidade e conforto, por meio da fé para a salvação.
PERGUNTA 90. Como se deve ler e ouvir a Palavra a fim de que ela se torne eficaz para a salvação?
R. Para que a Palavra se torne eficaz para a salvação, devemos ouvi-la com diligência, preparação e oração; recebê-la com fé e amor, guardá-la em nossos corações e praticá-la em nossas vidas.
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                           A PREGAÇÃO, O PREGADOR E OS QUE OUVEM
                                     2 Tessalonicenses 2.1 ao 18

A pregação deve ter como alvo, anunciar a Cristo para que as pessoas adorem a Deus.

O meio, chamado de interior da redenção é a obra do Espírito Santo em nós. Nos levando a Cristo e operando em nós a salvação.
Os meios exteriores são a Palavra de Deus, os sacramentos que são o batismo e a ceia do Senhor e também a oração. São os chamados “meios de graça”.  Mesmo estes meios exteriores, se tornam eficazes por meio do Espírito Santo.
Neste sermão vamos ver o primeiro meio de graça que é a Pregação da Palavra. O que é a pregação, como deve ser a pregação e como se deve ouvir e reagir à pregação.
Deus chama, vocaciona e capacita pregadores. A pregação é a vontade de Deus para os pregadores e este somente será verdadeiro pregador se ele pregar a Palavra de Deus com base no princípio do Sola Scriptura. Ele deve na pregação, pregar somente a Palavra de Deus.
 2Cor 4.5 – Nós não pregamos a nós mesmos, mas Cristo Jesus como Senhor.
*O pregador precisa demonstrar três princípios: A soberania de Deus, a supremacia das Escrituras e a primazia da pregação.
 Somente assim, a pregação será para a glória de Deus.
O apóstolo Paulo estava nos primeiros anos de seu ministério. Uma das primeiras cartas que ele envia às igrejas são as duas Cartas aos Tessalonicenses. Este capítulo 2 é um pequeno tratado sobre como pregar e como ouvir e praticar a Palavra de Deus.

Vejamos:
                       I -  A PREGAÇÃO E O PREGADOR – VS 1 ao 12
O grande alvo da pregação é pregar a Palavra, demonstrar Cristo às pessoas e glorificar a Deus. Isso é pregar para a glória de Deus.
O primeiro e principal dever e missão do pastor é alimentar o rebanho de Cristo por meio da pregação da palavra. O verdadeiro pregador é aquele que apresenta o poder glorioso da Palavra de Deus. A pregação, de acordo com a Palavra é uma tarefa gloriosa, grandiosa e honrosa. O pregador bíblico vai deixar a Bíblia falar. Por isso, a pregação expositiva tem sido defendida como a mais fiel forma de pregar, pois nela o pregador se submete ao texto bíblico. Ele é servo do texto e não senhor do texto. Ele é um refém do texto e não o sequestrador do texto. O alvo da pregação deve ser honrar a Deus. O pregador deve pregar para a glória de Deus. Todo pregador prega para alcançar de alguma forma as pessoas. Ele se dirige às pessoas com a Palavra de Deus. Ele deve ser fiel à Palavra. Sendo fiel à Palavra, ele estará sendo fiel ao Deus da Palavra. De que forma o pregador glorifica a Deus? Pregando o Evangelho. O Evangelho é a apresentação do Filho de Deus, Jesus Cristo vindo ao mundo para salvar os pecadores. O Evangelho é a grandiosa notícia de que a graça de Deus é real. Que a maravilhosa graça de Deus, se manifestou no mundo e ao mundo na pessoa do Filho de Deus - Jesus Cristo.
1 – A PREGAÇÃO É O ANUNCIO DO EVANGELHO DE DEUS. VS 1-2 – 1 Porque vós, irmãos, sabeis, pessoalmente, que a nossa estada entre vós não se tornou infrutífera; 2 mas, apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como é do vosso conhecimento, tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta.
2 – A PREGAÇÃO DEVE AGRADAR A DEUS EM PRIMEIRO LUGAR. VS 3-4 3 Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo;
4 pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração.
3 – A PREGAÇÃO DEVE SER PARA A GLÓRIA DE DEUS SEMPRE – VS 5-6 -  A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. 6 Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros.
4 – A PREGAÇÃO NÃO É PARA PROMOVER O QUE PREGA, MAS O QUE ELE PREGA – V. 7 - Embora pudéssemos, como enviados de Cristo, exigir de vós a nossa manutenção, todavia, nos tornamos carinhosos entre vós, qual ama que acaricia os próprios filhos;
5 – A PREGAÇÃO É ALGO QUE DEVE COMPROMETER A VIDA DO PREGADOR – VS 8-10 - 8 assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a própria vida; por isso que vos tornastes muito amados de nós.
9 Porque, vos recordais, irmãos, do nosso labor e fadiga; e de como, noite e dia labutando para não vivermos à custa de nenhum de vós, vos proclamamos o evangelho de Deus.
10 Vós e Deus sois testemunhas do modo por que piedosa, justa e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes.
6 – A PREGAÇÃO TEM COMO ALVO LEVAR PESSOAS AO RECONHECIMENTO DA SOBERANIA E GLÓRIA DE DEUS – VS 11-12 -  E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, 12 exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.
PERGUNTA 89. Como se torna a Palavra eficaz para a salvação?
R. O Espírito de Deus torna a leitura e especialmente a pregação da Palavra, meios eficazes para convencer e converter os pecadores, para os edificar em santidade e conforto, por meio da fé para a salvação.

                    II – COMO REAGIR À PREGAÇÃO DO EVANGELHO – VS 13 ao 18
Infelizmente a pregação que mais se ouve hoje não é aquela que exalta a soberania absoluta do Senhor. Deus foi destronado do tema da pregação e o ser humano e seus interesses tomaram o seu lugar. Hoje a pregação se concentra nas pessoas. Na vontade das pessoas. No exemplo pessoal, no testemunho pessoal, nas necessidades pessoais e tudo isso tem prevalecido sobre as Escrituras. A pregação, a explicação das Escrituras e sua aplicação direta, foi substituída pelas manifestações, pelas emoções e apelações supostamente espirituais. As pessoas hoje pedem o pragmatismo e o pregador aceita o pedido. As pessoas querem algo agradável. Querem sentir-se bem. Buscam experiências fortes. Anseiam por fenômenos sobrenaturais. Querem ver milagres. Querem sentir Deus e não os meios previstos na Palavra. Querem algo prático.  O pregador prega para alcançar popularidade, fama, atrair gente, arrecadar fundos pra si mesmo.
Os ouvintes, por outro lado querem escolher o que ouvir. Vão para o culto despreparados. Faltam o culto regularmente. Não dão importância ao que a pregação representa. Não ensinam o filhos a importância do culto. Muitos ainda estão na cultura infame do gostar ou não gostar do culto. Precisamos entender que o culto é exclusivamente para Deus e não para nós. Que a pregação é um meio de graça onde aprendemos sobre Deus, sobre a salvação, sobre Cristo na cruz.
1 -  A PREGAÇÃO DEVE SER TIDA EM ALTA CONSIDERAÇÃO PELA IGREJA – V.13 a - 13 Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus,
2 – A PREGAÇÃO DEVE SER ACOLHIDA NA MENTE E CRIDA NO CORAÇÃO – V.13b - acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes.
3 – A PREGAÇÃO DEVE NOS LEVA IDENTIFICAÇÃO E CONFORMAÇÃO COM CRISTO  – VS.14-15 Tanto é assim, irmãos, que vos tornastes imitadores das igrejas de Deus existentes na Judéia em Cristo Jesus; porque também padecestes, da parte dos vossos patrícios, as mesmas coisas que eles, por sua vez, sofreram dos judeus, 15 os quais não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são adversários de todos os homens,
4 – A PREGAÇÃO DEVE GERAR A RECIPROCIDADE ENTRE O PREGADOR E SEUS OUVINTES – VS 17 -18  Ora, nós, irmãos, orfanados, por breve tempo, de vossa presença, não, porém, do coração, com tanto mais empenho diligenciamos, com grande desejo, ir ver-vos pessoalmente. 18 Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho.
5 – A PREGAÇÃO DEVE GERAR ALEGRIA E ESPERANÇA EM QUEM PREGA E EM QUEM OUVE A PREGAÇÃO – V.19  Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós? 20 Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria!
Portanto, a pregação não deve ser tratada com descaso, nem pelo pregador que prega, nem pelos que ouvem. O pregador precisa tratar a pregação com a máxima reverência e seriedade. A igreja, aqueles que estão sendo ensinados, necessitam aprender também que a pregação é o momento em que a igreja está sendo gerada. É um meio de graça. É abençoador pra vida. A família deve ouvir a pregação. A nossa salvação está envolvida na pregação. Fuja de uma igreja onde a pregação não é levada sério. Onde a pregação não seja bíblica. Onde a pregação não é centrada no Evangelho, na obra de Cristo na cruz. Onde a glória de Deus não seja o alvo e onde a salvação não é pregada como prioridade. A pregação é a apresentação do Evangelho. Apresentar o Evangelho é apresentar Jesus Cristo como filho de Deus. A pregação é a apresentação do Evangelho, logo é a apresentação de Jesus Cristo. O Evangelho é Jesus Cristo. Deus estava em Cristo na Cruz, reconciliando consigo o mundo. Salvando, perdoando pecadores. Resgatando pecadores da perdição. A Palavra de Deus sendo pregada se torna eficaz para a salvação. Mas esta eficácia somente será real se a pregação, for sobre o salvador. Como pregador, apresento Jesus Cristo a vocês. Apresento o salvador aos pecadores. Você é um pecador, apresento-lhe Jesus Cristo, o Filho de Deus que veio ao mundo - e morreu na cruz para ser o salvador - por ser o salvador. O teu salvador.
 Vamos ver novamente o que diz o Catecismo.
PERGUNTA 90. Como se deve ler e ouvir a Palavra a fim de que ela se torne eficaz para a salvação?
R. Para que a Palavra se torne eficaz para a salvação, devemos ouvi-la com diligência, preparação e oração; recebê-la com fé e amor, guardá-la em nossos corações e praticá-la em nossas vidas.

Ouvir a pregação com diligência, preparação e oração.
Receber a pregação com fé e amor.
Guardar no coração e praticar na vida.


quinta-feira, 12 de abril de 2018

O arrependimento como graça salvadora - O arrependimento de Davi

Pregado em 08 de abril de 2018 na Capela Missional / Porto Alegre

PERGUNTA 85. Que exige Deus de nós para que possamos escapar a sua ira e maldição em que temos incorrido pelo pecado?
R. Para escaparmos à ira e maldição de Deus, em que temos incorrido pelo pecado, Deus exige de nós fé em Jesus Cristo e arrependimento para a vida, com o uso diligente de todos os meios exteriores pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção.
PERGUNTA 86. Que é fé em Jesus Cristo?
R. Fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nEle para a salvação, como Ele nos é oferecido.
PERGUNTA 87. Que é arrependimento para a vida?
R. Arrependimento para a vida é uma graça salvadora pela qual o pecador, tendo um verdadeiro sentimento do seu pecado e percepção da misericórdia de Deus em Cristo, se enche de tristeza e de horror pelos seus pecados, abandona-os e volta para Deus, inteiramente resolvido a prestar-lhe nova obediência.


O ARREPENDIMENTO É UMA OBRA DA GRAÇA DIVINA -  2 Samuel 12 1-13
O SENHOR enviou Natã a Davi. Chegando Natã a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. 2 Tinha o rico ovelhas e gado em grande número; 3 mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma cordeirinha que comprara e criara, e que em sua casa crescera, junto com seus filhos; comia do seu bocado e do seu copo bebia; dormia nos seus braços, e a tinha como filha. 4 Vindo um viajante ao homem rico, não quis este tomar das suas ovelhas e do gado para dar de comer ao viajante que viera a ele; mas tomou a cordeirinha do homem pobre e a preparou para o homem que lhe havia chegado. 5 Então, o furor de Davi se acendeu sobremaneira contra aquele homem, e disse a Natã: Tão certo como vive o SENHOR, o homem que fez isso deve ser morto. 6 E pela cordeirinha restituirá quatro vezes, porque fez tal coisa e porque não se compadeceu.7 Então, disse Natã a Davi: Tu és o homem. Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul; 8 dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teus braços e também te dei a casa de Israel e de Judá; e, se isto fora pouco, eu teria acrescentado tais e tais coisas. 9 Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o que era mau perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom. 10 Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher.11 Assim diz o SENHOR: Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol.12 Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol.13 Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. Disse Natã a Davi: Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás.
O arrependimento que traz o perdão ao pecador é também uma obra de graça de Deus.
Passou bastante tempo, entre os pecados de Davi e este encontro com Natan. Isto se prova porque no fim desta narrativa, o filho de Davi com Batseba já havia nascido.
Isto prova o quanto o coração de Davi estava endurecido, o quanto estava insensível ao pecado e o quanto estava obstinado na sua iniquidade.
I – A OBSTINAÇÃO DO PECADOR É UMA OFENSA AO SENHOR. VS 1-4
1 - Vejam que a iniciativa é do Senhor. O verso primeiro informa que “O Senhor enviou Natan a Davi..”
Vejam como a graça de Deus é maravilhosa ao tomar a iniciativa para levar o pecador ao arrependimento.
2 – O Senhor procura convencer Davi de seu pecado – ao contar uma história de exploração de um homem rico contra um pobre, Deus está invadindo a mente de Davi para o convencer de seu pecado.
II – A DUREZA DO CORAÇÃO É SINAL DA OBSTINAÇÃO DO PECADOR – VS 5-6
1 – O coração obstinado não reconhece pecado em si mesmo. 5 Então, o furor de Davi se acendeu sobremaneira contra aquele homem, e disse a Natã: Tão certo como vive o SENHOR, o homem que fez isso deve ser morto.
O verso 5 nos diz que Davi ficou enfurecido, decretando até mesmo a pena de morte ao homem que explorou o pobre.
2 – O coração obstinado julga os outros, mas não a si mesmo. 6 E pela cordeirinha restituirá quatro vezes, porque fez tal coisa e porque não se compadeceu.
O verso 6 nos diz que Davi sabia exatamente o que fazer em relação ao outro, mas não pensou em si mesmo. Não pensou em seu pecado em nenhum momento.
III – A OBSTINAÇÃO DO PECADOR NO SEU PECADO É INGRATIDÃO QUANTO AS DÁDIVAS DO SENHOR – VS.7-9
1 – O obstinado necessita ser confrontado pela Palavra para reconhecer sua situação. 7 Então, disse Natã a Davi: Tu és o homem. Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul;  No verso 7 vimos que depois que Davi emite sua sentença de morte e restituição a quem ele pensava ser o transgressor, Natan diz: tu é este homem. Não há outra forma de uma pessoa tomar consciência de pecado, a não pela ação da Palavra de Deus, e por meio do Espírito Santo.
2 – O obstinado necessita reconhecer que seu pecado é uma reação ingrata à graça de Deus. v. 8 dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teus braços e também te dei a casa de Israel e de Judá; e, se isto fora pouco, eu teria acrescentado tais e tais coisas. 9 Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o que era mau perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom.
No verso 8, o Senhor mostra que Davi havia sido abençoado em todos os sentidos. Deus havia acrescentado dádivas a Davi e poderia acrescentar muito mais. O desprezo à Palavra do Senhor que levou Davi a pecar, conforme o verso 9.
IV – A OBSTINAÇÃO DO PECADOR RESULTA EM JUSTO JUÍZO DE DEUS – VS 10- 12
1 –O pecado sempre é resultado do afastamento da Palavra - . v. 10 Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher.
Veja que a causa do pecado foi o afastamento da Palavra.
Um frase atribuída a Moody, afirma – ou a Palavra vai te afastar do pecado ou o pecado te afastará da Palavra.
2 – A consequência do pecado é juízo. v.11 Assim diz o SENHOR: Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol.
Isso se cumpriu totalmente na vida de Davi, quando um de seus filhos tomou as mulheres de Davi num espetáculo público mais a frente. E também quando seus filhos fizeram guerra entre eles. O juízo divino segue-se ao pecado obstinado.
V – A OBSTINAÇÃO DO PECADOR PODE SUPERADA PELA GRAÇA DE DEUS POR MEIO DO ARREPENDIMENTO. V.13
13 Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. Disse Natã a Davi: Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás.
1 – Davi se arrepende, mas porque Deus o levou ao arrependimento. “Pequei contra o SENHOR”. Esta afirmação é seu arrependimento. Mas ele só aconteceu porque Deus o procurou e o confrontou. Porque Deus mesmo mostrou seu pecado.
2 – A consequência do pecado é o juízo, mas a consequência da graça é o perdão. Disse Natã a Davi: Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás.
O arrependimento de Davi o levou ao perdão. O Salmo 51 é sua oração de arrependimento.
Veja que Davi praticou uma das mais tenebrosas progressões do pecado. Mas veja, também, que ele oferece um dos mais comoventes arrependimentos da história.
Ele apela para a benignidade e misericórdia do Senhor –v.1 Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões.
Ele reconhece a gravidade de seu pecado – vs 2-3 Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. 3 Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
Ele reconhece que seu pecado é mais do que um ato mau, é uma ofensa contra Deus – v.4 Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.
Ele reconhece sua verdadeira natureza e sua condição de perdido – v.5 Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.
Ele reconhece a justiça santa de Deus – v.6 - Eis que te comprazes na verdade no íntimo e no recôndito me fazes conhecer a sabedoria.
Ele reconhece que necessita de uma transformação radical – vs7-12 - Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve. 8 Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste. 9 Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. 10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. 11 Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. 12 Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário. Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua exaltará a tua justiça.
Ele se propõe a mudar sua cultura de vida – VS 13-14 - Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti. 14 Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua exaltará a tua justiça. 15 Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca manifestará os teus louvores..
*Ele, finalmente entende que tipo de vida é aquela que agrada a Deus –
16 Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te agradas de holocaustos. 17 Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.
O pecado afasta o ser humano de Deus e o coloca em condição, em estado de perdição. O pecado lançou o ser humano em um estado de miséria espiritual, existencial e moral contra o qual nada pode fazer. É nesta condição que o pecador permanece até que Deus o alcance. O meio de Deus é Jesus Cristo. Até que Cristo o alcance esta é a condição do pecador, perdido. Até que Jesus Cristo o salve.
Novamente a Pergunta 87 - Que é arrependimento para a vida? R. Arrependimento para a vida é uma graça salvadora pela qual o pecador, tendo um verdadeiro sentimento do seu pecado e percepção da misericórdia de Deus em Cristo, se enche de tristeza e de horror pelos seus pecados, abandona-os e volta para Deus, inteiramente resolvido a prestar-lhe nova obediência.

 O arrependimento é exigido do pecador. Mas este arrependimento é um chamado de Deus. Um chamado ao salvador. Não podemos nos salvar, precisamos exercer fé em Jesus Cristo. Fé na obra de Cristo na cruz. Deus nos chama à Cruz. Deus nos chama a Jesus Cristo. Deus nos chama ao arrependimento. Nosso arrependimento é uma obra da graça. Da maravilhosa graça de um Deus que nos chama abandonar nossos pecados e a confiar na obra de Cristo na cruz.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Pecados Maiores - Estudo do caso de Davi e Bate-Seba. - Pergunta 83 do Breve Catecismo

Pregado em 1 de Abril de 2018 na Capela Missional / Porto Alegre

Exposições no Breve Catecismo de Westminster

PERGUNTA 83. São igualmente odiosas todas as transgressões da lei?
R. Alguns pecados em si mesmos, e em razão de circunstâncias agravantes, são mais odiosos à vista de Deus do que outros.



               UMA HISTÓRIA DE APROFUNDAMENTO NO PECADO
1 Samuel 11.1 – 27 - Decorrido um ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, enviou Davi a Joabe, e seus servos, com ele, e a todo o Israel, que destruíram os filhos de Amom e sitiaram Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém. 2 Uma tarde, levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma mulher que estava tomando banho; era ela mui formosa. 3 Davi mandou perguntar quem era. Disseram-lhe: É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu. 4 Então, enviou Davi mensageiros que a trouxessem; ela veio, e ele se deitou com ela. Tendo-se ela purificado da sua imundícia, voltou para sua casa. 5 A mulher concebeu e mandou dizer a Davi: Estou grávida. 6 Então, enviou Davi mensageiros a Joabe, dizendo: Manda-me Urias, o heteu. Joabe enviou Urias a Davi. 7 Vindo, pois, Urias a Davi, perguntou este como passava Joabe, como se achava o povo e como ia a guerra. 8 Depois, disse Davi a Urias: Desce a tua casa e lava os pés. Saindo Urias da casa real, logo se lhe seguiu um presente do rei. 9 Porém Urias se deitou à porta da casa real, com todos os servos do seu senhor, e não desceu para sua casa. 10 Fizeram-no saber a Davi, dizendo: Urias não desceu a sua casa. Então, disse Davi a Urias: Não vens tu de uma jornada? Por que não desceste a tua casa? 11 Respondeu Urias a Davi: A arca, Israel e Judá ficam em tendas; Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados ao ar livre; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber e para me deitar com minha mulher? Tão certo como tu vives e como vive a tua alma, não farei tal coisa. 12 Então, disse Davi a Urias: Demora-te aqui ainda hoje, e amanhã te despedirei. Urias, pois, ficou em Jerusalém aquele dia e o seguinte. 13 Davi o convidou, e comeu e bebeu diante dele, e o embebedou; à tarde, saiu Urias a deitar-se na sua cama, com os servos de seu senhor; porém não desceu a sua casa. 14 Pela manhã, Davi escreveu uma carta a Joabe e lha mandou por mão de Urias. 15 Escreveu na carta, dizendo: Ponde Urias na frente da maior força da peleja; e deixai-o sozinho, para que seja ferido e morra. 16 Tendo, pois, Joabe sitiado a cidade, pôs a Urias no lugar onde sabia que estavam homens valentes. 17 Saindo os homens da cidade e pelejando com Joabe, caíram alguns do povo, dos servos de Davi; e morreu também Urias, o heteu. 18 Então, Joabe enviou notícias e fez saber a Davi tudo o que se dera na batalha. 19 Deu ordem ao mensageiro, dizendo: Se, ao terminares de contar ao rei os acontecimentos desta peleja, 20 suceder que ele se encolerize e te diga: Por que vos chegastes assim perto da cidade a pelejar? Não sabíeis vós que haviam de atirar do muro? 21 Quem feriu a Abimeleque, filho de Jerubesete? Não lançou uma mulher sobre ele, do muro, um pedaço de mó corredora, de que morreu em Tebes? Por que vos chegastes ao muro? Então, dirás: Também morreu teu servo Urias, o heteu. 22 Partiu o mensageiro e, chegando, fez saber a Davi tudo o que Joabe lhe havia mandado dizer. 23 Disse o mensageiro a Davi: Na verdade, aqueles homens foram mais poderosos do que nós e saíram contra nós ao campo; porém nós fomos contra eles, até à entrada da porta. 24 Então, os flecheiros, do alto do muro, atiraram contra os teus servos, e morreram alguns dos servos do rei; e também morreu o teu servo Urias, o heteu. 25 Disse Davi ao mensageiro: Assim dirás a Joabe: Não pareça isto mal aos teus olhos, pois a espada devora tanto este como aquele; intensifica a tua peleja contra a cidade e derrota-a; e, tu, anima a Joabe. 26 Ouvindo, pois, a mulher de Urias que seu marido era morto, ela o pranteou. 27 Passado o luto, Davi mandou buscá-la e a trouxe para o palácio; tornou-se ela sua mulher e lhe deu à luz um filho. Porém isto que Davi fizera foi mau aos olhos do SENHOR.

Pecados são pecados, mas há pecados mais graves do que outros.
Não existe pecado sem importância, pois o menor pecado é contra a santidade de Deus. O menor pecado é uma ofensa a Deus, por que a santidade de Deus é infinita. Ele é absolutamente puro. Por isso não se pode amar, nem se apagar a um pequeno pecado. Todo pecado é pecado.
PERGUNTA 84. Que merece cada pecado?
R. Cada pecado merece a ira e a maldição de Deus, tanto nesta vida como na vindoura.
Mas alguns pecados são em si mesmos mais malignos do que outros em razão de circunstâncias e fatores agravantes.  O pecado de assassinato é pior do que o pecado do roubo; o pecado do roubo é pior do que o da preguiça. O pecado do adultério é pior do que o da piada suja.
Vejamos o que a Bíblia no diz sobre este assunto: Lc 12.10 -  Todo aquele que proferir uma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas, para o que blasfemar contra o Espírito Santo, não haverá perdão.
João 19.11 - Respondeu Jesus: Nenhuma  autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem.
1 João 5. 16 Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue. 17 Toda injustiça é pecado, e há pecado não para morte.
Se todos os pecados fossem iguais, se não houvesse diferenças entre a gravidade de certos tipos de pecados então cobiçar e adulterar seria a mesma coisa – logo já que cobiçamos e cobiçar é a mesma coisa que consumar o ato, vamos consumar. Já que pensamentos impuros é pecado, passar a mão, por exemplo é igual a consumar um ato, então  porque não?
Mas não é isso que a Bíblia ensina. O ensino bíblico é que não nos afundemos no pecado. Um exemplo disso é o capítulo esta narrativa sobre os acontecimentos entre Davi, Bate-Seba e seu marido Urias. Esta narrativa é descreve alguém que aprofundou sua vida de pecado.
Vejamos como Davi se aprofundou e afundou no caminho do pecado.

O PRIMEIRO DEGRAU – DA DESOCUPAÇÃO AO ADULTÉRIO. –VS 1-4
1 – Davi comete o pecado da irresponsabilidade. Ele não vaia guerra como um rei deveria ir. V.1
Como o exército de Israel na época já era forte, e já havia vencido várias batalhas, provavelmente nem fosse necessária. Bem provável, ele tinha o direito de permanecer em Jerusalém. Mas o texto é enfático ao dizer que “era a época em que os reis saiam para a guerra, mas Davi enviou Joabe...”
A sensação de segurança e autossuficiência, pode ser causa de grandes fracassos e pecados. Foi o caso de Davi.
2 – Davi comete o pecado da preguiça – v. 2
Veja que o texto diz que a tarde Davi estava na cama. Ele não estava ocupado naquilo que era seu dever, os negócios do governo. Tem um ditado que diz que a “preguiça é mãe de todos os vícios”. Matthew Henry diz que “a cama da preguiça com frequência resulta na cama da impureza.”
A maioria daqueles que se viciam em jogos, em televisão, em bebidas, em pornografia, começam pela preguiça. 
3 – Davi quebra o décimo mandamento. Ele cobiça a mulher do seu próximo. v. 3
Os olhos de Davi seguiu o que havia no coração. Se é verdade que o que os olhos não vê o coração não sente, é verdade que tudo começa com os olhos. Jesus disse que os olhos são as Lâmpadas do corpo, se teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso.
A cobiça, vimos antes, é o pecado mais pessoal.
4 – Davi quebra o sétimo mandamento – Ele comete adultério. V.4
Mais do que cobiçar, ele comete o adultério na prática. Não ficou apenas no desejo.
 Desejar é pecado, mas praticar o adultério carnalmente é o aprofundamento na lama do pecado.
Davi cometeu o pecado de adultério, grande ofensa ao Senhor. O adultério é um pecado grave, pois peca contra a santidade do matrimônio. 

O SEGUNDO DEGRAU – DA DISSIMULAÇÃO À TRAIÇÃO. Vs 6-13
1 – Davi elabora um plano maligno no coração. V.6
Davi de forma extremamente maligna, traça um plano para camuflar, encobrir seu pecado. Ele maquinou este pleno. Ele premeditou uma saída.
2 – Davi tenta enganar Urias. VS 7-8
A dissimulação de Davi foi impressionante. Ele tenta induzir Urias a fica um pouco em casa e dormir com sua mulher conscientemente e assim de uma vez por todas ele ficaria livre do problema.
3 – Davi usa de malícia sórdida contra Urias. 9-13
A fidelidade de Urias é digna de nota. Tanto a Deus como aos soldados. Davi então o embebeda. Mas mesmo com toda sordidez, o plano de Davi não funciona, porque Urias, mesmo bêbado, tem mais consciência do que Davi.

O TERCEIRO DEGRAU – DA INTENÇÃO DE MATAR AO ASSASSINATO. VS 14- 17
1 – Davi planeja a morte de Urias. VS 14-15
A decadência de Davi e seu aprofundamento no pecado aumenta a cada passo na narrativa. Ele agora ele envolve um terceiro que é seu general, para que Urias seja colocado em um lugar estratégico na batalha para que morra.
2 – Davi consegue que Urias seja morto. V.16-17
Sua imoralidade, sua imoralidade, sua chafurdação na lama do pecado é incrível. O que começa com uma autossuficiência, evolui para o pecado da ociosidade preguiçosa, daí para um olhar impuro, para a cobiça, para o adultério, para a traição, engano, um complô maligno e finalmente para o assassinato.

O QUARTO DEGRAU – DA PREMEDITAÇÃO NA INTENÇÃO À OBSTINAÇÃO IRREDUTÍVEL NO PECADO. VS 18 - 27
Davi em cada passo pecou contra o Senhor. Do início ao fim ele pecou contra o Senhor.
Davi depois da morte de Urias, toma a Bate-Seba como sua mulher. Isso, imediatamente. Em nenhum momento ele se arrepende. Em nenhum momento, ele tem consciência de seu pecado. Isso ofendeu ao Senhor.
O pecado ofende ao Senhor. Somente quando Natã, o profeta vem com a Palavra é que ele cai em si. No famoso Salmo de arrependimento – 51 – ele confessa que seu pecado foi contra o Senhor.
O exemplo de Davi não deve servir de exemplo para pecarmos. 
Conta-se que Teodósio, o grande Imperador de Roma no final do Século IV, foi impedido por Ambrósio de entrar no culto por ter mandando matar alguns conspiradores. O Imperador então teria dito, “Davi também pecou’. Ambrósio respondeu, “Pois se imita Davi em seu pecado, imita também ele no arrependimento”.
Não nos aprofundemos, portanto, no pecado. Cesse seu pecado enquanto ele ainda não é mais grave. Cesse seu pecado enquanto você ainda está sendo atraído para a lama, enquanto ainda não chafurdou na lama.
Sabendo que não estamos aqui para te condenar, mas para mostrar que todo pecado pode ser perdoado por Jesus. Jesus morreu na cruz para perdoar pecadores ao substituí-los na cruz. Ele pagou o preço que era do pecador. Ele nos representou diante de Deus. Ele é a solução tanto nos dando poder para vencer o pecado, como para perdoar nosso pecado se já o cometemos.


VIVER COM PACIÊNCIA, ESPERANÇA E PERSEVERANÇA – Romanos 8.18-25

  Pregado em 03 de maio de 2020 sexto sermão na Pademia                                                                                     ...